domingo, 31 de outubro de 2010

Amor Independente




Vamos continuar as questões de Bia. A segunda pergunta foi:

“Os homens não teriam que dever dar apoio e segurança para mulher, na relação do casal?”


Essa segunda pergunta me deu a impressão de que estou certa quando digo que confundimos independência com abandono... Porque achamos que uma pessoa autônoma não precisa de apoio? Acho que nem homem nem mulher devem fazer qualquer coisa por obrigação. Isso é inconcebível numa relação que se diz amorosa. No amor é natural querermos cuidar, proteger, dar apoio. Isso não devia ser um termo de contrato.

Homens e mulheres que se amam, naturalmente se inclinariam para isso e seria uma troca, uma atitude tanto do homem quanto da mulher. Porque, pasmem, os homens também precisam de apoio e segurança!!

Às vezes acho que esse é um dos motivos das pessoas se unirem em par, receber apoio mútuo para enfrentar com mais facilidade os desafios que o existir apresenta. Então porque só o homem teria esse “dever”? E porque o homem retira essa atitude quando está diante de uma mulher independente?

Será que amor, para a gente, tem que estar ligado a um ser incapaz e dependente? Porque estamos resistindo a aprender a amar como adultos? ... Eu vejo certa retaliação... Como se disséssemos: Ah! É assim? Quer ser independente? Então tome? Vai ficar sem meu apoio! É quase um castigo imposto aos que querem ser adultos.

Então eu não acho que segurança e apoio são dever do homem e sim uma atitude de pessoas amorosas, não é uma questão de gênero; e sim de comportamento amoroso.

E podemos aprender a agir assim, homens e mulheres, mesmo sendo independentes. Repito, precisamos compreender melhor o que é ser independente. Precisamos aprender a amar de forma adulta, livre, madura. Precisamos tocar no verdadeiro amor.

Namasté!

Leia também
O casamento
Mulheres descartáveis
O blog Mulher de 40 e o casamento

domingo, 24 de outubro de 2010

Um novo casamento



Hoje temos mais uma colaboradora do Múltiplas, Bia. Que sugeriu o tema sobre:

“O papel do casal nos dias de hoje. Ficou tão estabelecido as funções (homem protege, mulher acolhe) que às vezes as pessoas ficam perdidas.”

E lança duas perguntas:

“A mulher está se tornando cada vez mais independente, mas e no relacionamento, isso também deveria mudar?”
“O homem não teria que dever dar apoio e segurança para a mulher, na relação do casal?”


Bem, sobre a primeira pergunta sobre as mulheres independentes, já falei no texto “Programação da mente feminina”. E sobre se deveria mudar eu falei no texto “Há saúde na dependência?” Segundo esses dois textos, a mulher ainda está no processo de ser independente nos relacionamentos, a programação da fragilidade emocional e de necessidade de ter um homem para se sentir amparada diante a vida ainda está tocando como “hit parade” em nossas mentes. Vejo mulheres completamente autônomas financeiramente e profissionalmente, mas algemadas à casamentos insatisfatórios por medo de ficar sozinhas... Leia-se, sem homem.

Os dois textos respondem se “isso também deveria mudar”, no meu entender é claro que precisa, não dá para ser independente numa área só, é preciso estender isso para vida toda. Onde há dependência há mal estar. Agora, precisamos compreender bem o que é independência e autonomia. Acho que esses conceitos não estão sendo bem entendidos.

Pensamos que uma pessoa independente deve ser abandonada à própria sorte, agimos quase como retaliação. Ah! Não é tão independente? Agora se vire sozinha para tudo! Um ser independente não é um ser isolado, nós humanos trabalhamos em equipe desde que deixamos de ser macacos, foi isso que nos garantiu sobrevivência. Sozinhos morremos.

Um casamento é um trabalho em equipe e numa equipe há e deve haver colaboração, cada um faz uma parte para o todo funcionar melhor. O que começamos a fazer foi “cada um por si e deus por todos”, confundimos independência com abandono, descuido, retaliação. Ficamos nos 8 ou 80, só vivemos juntos se formos dependentes. Ainda não sabemos como duas pessoas independentes afetivamente podem ser companheiros. E é isso que deve mudar.

A pergunta deveria ser: O que é ser independente? E depois... Como sendo independente posso amar e conviver com um cônjuge?

Bom, o texto ficou grande e vou dar continuidade ao tema no próximo, ok?

Namasté!

Leia também
Lógica ou armadilha?
Felicidade transfrerida
Amor, liberdade e solitude

domingo, 17 de outubro de 2010

Esquecer uma paixão




Agora a inspiração veio de @anacarolsoares que pediu para falar sobre:

“A dor de esquecer um fato, paixão ou pessoa importante, mas inadequada.”


Venho trabalhando muito com isso... E a boa notícia é: As pessoas se curam! Não ficam feito novela e filme não; amargando uma paixão para o resto da vida. Como já disse antes esse tipo de coisa é muito interessante para ler num livro, acompanhar numa novela ou filme, mas para viver...

Falando em filme tem até um que fala disso “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. No qual um médico inventa um remédio para que o mocinho esqueça, literalmente, de um grande amor que não funcionava bem. Mas mesmo assim o "negócio" fica lá criando problemas.

Então eu sugiro que não se esqueça! Xiiiii... Deu medo? Fique não! Esquecer cria problemas, porque o máximo que podemos fazer é colocar numa gaveta inacessível, que não vemos, mas sentimos, igual ao rapaz do filme. Freud escreveu muito sobre isso. Afinal as mulheres que ele tratou, usavam esse recurso com os eventos muito dolorosos. Ele chamou de recalque, que no meu entender é esconder, mal escondido, algo dolorido.

Pois bem, minha sugestão é: Transforme a lembrança! Você não precisa esconder nada de si mesmo, é melhor modificar a forma como vê esta situação. Eu chamo a técnica que inventei para curar paixão de “desligar os aparelhos da paixão em coma”. Se você prestar bem atenção esse “amor” já está mais pra lá do que para cá. O que precisamos fazer é ir desligando, fio por fio, do que o mantém vivo. Vamos aos poucos transformando essa paixão em outro sentimento, até a pessoa ver esse outro apenas como alguém a quem nos afeiçoamos um dia. Isso leva tempo é claro. Em torno de doze a dezoito meses, mas é possível.

O principal é você saber que a paixão é curável, ela nasceu então pode morrer, como tudo aqui nesta dimensão. Se ela não morre é porque você a alimenta de algum modo, talvez por medo ou, na maioria das vezes, por acreditar que só pode sentir tal coisa um única vez na vida e se deixar isso morrer ficará seco para sempre. Vou lhe dizer: Isso é mentira! Você foi programada pela natureza para sentir isso mais de uma vez e com mais de uma pessoa, se não fosse assim não teríamos tantos problemas com traição.

Meu conselho é: Deixe o romantismo de lado! Ele só fica bem em livros, novelas e filmes.

Namasté!

Leia também
Escolha de sentimentos
Há saúde na dependência?
Somos mal educados emocionalmente

domingo, 10 de outubro de 2010

Os Prisioneiros



A @Rosanacristina sugeriu o seguinte assunto:

“Pessoas que tratam os outros bem, mas em casa tratam a família muito mal.”


Ótimo tema! Tenho algumas ideias sobre isso... Pelo menos duas. Primeiro: Normalmente nos sentimos mais à vontade para mostrar nossos demônios internos a quem achamos que não nos abandona. Segundo: Eu falei sobre isso no texto “Respeito x Amizade” confundimos intimidade com invasão, geralmente achamos que o outro que se abriu para a gente é nossa propriedade e podemos fazer o que bem entender com ele...

Se misturarmos esses dois pontos, temos uma bomba que explode diariamente nos lares. E aquela sensação de que somos menos importantes que o vizinho para nossos familiares. Já que aos vizinhos, tudo! Gentileza, educação, polidez. E para gente, socos e pontapés!

Tratamos os íntimos como nos tratamos, também já falei disso aqui no texto (Será que nos amamos? ), normalmente nos maltratamos muito sem nem ter consciência disso. Entendemos errado o conceito religioso de fazer o bem ao próximo. Nossa compreensão disso é que o outro deve ser bem tratado enquanto nós mesmos, somos “de casa” então para que impressionar?

A educação é para mostrar e fazer figura para o alheio, para os de casa, que já conhecem tudo de mim, eu não preciso ter boa imagem. Os trato como me trato: Mal!

E ainda tem outro elemento, eu imagino que minha vida não vai bem justamente por culpa daquela turma lá de casa... Foram meus pais que não confiaram em minhas capacidades, o cônjuge que só faz cobrar e não me elogia, ou os filhos que nasceram na época errada e me impediram de fazer aquele curso ou aquela viagem, que mudaram tudo...

Encaramos família como prisão, então porque sermos gentis com nossos carcereiros? Sem essas pessoas eu seria livre para fazer o que eu quisesse...

Vou lhe dizer uma coisa. Não existe prisão externa, e mesmo que eliminássemos todos os “carcereiros” fora, restaria o único que realmente nos aprisiona: Nossos conceitos sobre as coisas, nossas crenças. Minha sugestão? Mude-as, troque-as por ideias libertadoras, re-signifique-as. E poderá ver quem realmente está junto, tratando-os com gentileza sincera.

Namasté!

Leia também:
Felicidade transferida
Amor Obsessivo 
Maridos gostam da companhia de esposas?

domingo, 3 de outubro de 2010

Calar faz bem?




A @THistorias sugeriu outro tema interessante, ela perguntou sobre:

“o poder de silenciar diante alguma situação, deixar de falar pode ser melhor às vezes?”


O silêncio faz parte da sabedoria do tempo. É um legado oriental, nós, ocidentais, temos muita dificuldade com ele. Somos de energia Yang, ativa, então, na maioria das vezes, entendemos que para resolver qualquer situação devemos falar, esbravejar, reivindicar. Não é à toa que foram os ocidentais que criaram a cura pela fala (psicoterapia).

Em nossa opinião o silêncio pode ser visto como covardia, fraqueza, falta de engajamento. Não compreendemos como podemos resolver algo calando. Por exemplo, num relacionamento, inventamos a famosa DR (discussão de relação) para acertar pontos discordantes... Mas sinceramente, eu ouço mais as pessoas reclamarem disso, às vezes cria mais confusão do que resolve.

O silenciar é ensinado pelos mestres orientais como um recurso de autoconhecimento. É o espaço no qual podemos nos ouvir, o silêncio é Yin, passivo, receptivo ele é o primeiro passo para um bom diálogo. Saber ouvir é uma arte que só se pode fazer em silêncio, não só o da boca, mas o das emoções também, se colocar vazio, receptivo, sem julgamentos, para o que virá é a melhor forma de começar a resolver uma questão.

Aqui não estou sugerindo o mutismo, mas uma fala repleta de silêncio interno. Então, minha querida @THistórias, a resposta que eu tenho para você é: Sim! Deixar de falar pode ser a grande solução, mas este deve ser um silêncio meditativo, rico em possibilidades, amoroso. Calar por raiva, medo, birra, não ajuda, é um silêncio sujo que não se torna receptivo à criação do novo.

Namasté!

Leia também:
Silenciar
Verdade e amor romântico combinam?
Amor, liberdade e solitude