domingo, 26 de dezembro de 2010

O perfeito erra?



A continuação do tema anterior vem de uma pergunta feita por @Marquesk num comentário do texto “Será que nos amamos?” Ele perguntou:

“Quem é perfeito erra?”


Acho que perguntou isso por que eu disse no texto que somos perfeitos, então ele deve ter pensado... Se somos perfeitos por que falhamos em nosso comportamento? Se nos basearmos no conceito estático de perfeição e na idéia de que errar não é bom, então minha afirmação de que somos perfeitos está equivocada mesmo.

Porém se mudarmos o conceito de perfeição para algo que se movimenta e que aceita tudo inclusive o “erro”, então minha afirmação não parecerá absurda. Então vamos trabalhar com esses outros conceitos. Como já disse no texto anterior “Perfeição”, essa palavra, para mim, significa algo que se move segundo a segundo (ou menos) criando novas configurações que englobam tudo, incluindo aí o que chamamos erro, é o equilíbrio de elementos que resulta no que chamamos perfeição.

E se você se lembra eu disse que a imperfeição, também é perfeita, pois o desequilíbrio é necessário para criação de algo novo ou renovado. Portanto o erro não precisa ser ruim, ele pode ser desagradável, mas é o passo necessário para o crescimento.

O perfeito falha, pois a falha é perfeita. Quando nos comportamos desajustadamente, apenas estamos aprendendo algo novo e no processo de aprendizagem erramos o alvo algumas vezes, isso não deveria ser condenado, apenas observado e ajustado, como fez Santos Dumont com a série de aviões até chegar ao 14 Bis.

Acho que deveríamos parar de dizer que somos maus por que erramos e que não somos perfeitos por causa disso. ”Somos perfeitos para sermos quem somos”. Afinal se não fosse a imperfeição não teríamos um trevo de quatro folhas, tigres brancos e coisas raras no mundo...

Perfeição abarca tudo, inclusive o que chamamos de falha, para mim erro, no sentido que damos, não existe. Eles são apenas oportunidades de aperfeiçoamento e às vezes até de beleza e raridade. Nossa mente ainda é maniqueísta, separamos tudo em preto e branco sem observar as nuance. Vida é movimento e troca, num minuto o certo pode virar errado e vice versa. Precisamos de agilidade mental para perceber e nos relacionar com isso como vivos e não como “cadáveres adiados

Respondendo a pergunta quem é perfeito erra, pois a perfeição se movimenta como o universo e a falha ajuda nisso, faz parte do processo maior. O erro não é algo ruim é parte no movimento do todo. Está dentro da perfeição e não à parte.

Namasté!

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Monte Cinco




Paulo Coelho
São Paulo, SP: Gold editora Ltda
155p


Neste livro Paulo Coelho, fala sobre infortúnios, aos quais ele dá o nome de “o inevitável”. Contando a história de Elias, personagem bíblico, ele nos dá uma idéia de como é ser arrebatado por algo trágico; mesmo sendo uma pessoa de fé.

Elias era um profeta, guiado por deus, nada mais seguro, hein? Só que ele é orientado para um período de total escuridão e desarranjo, inclusive, num momento, ele até perde o privilégio de escutar anjos e o próprio deus. O que vemos é desespero e revolta, numa luta contra deus. E é exatamente este o ponto, todos, mais cedo ou mais tarde, brigamos com deus ou seja lá que nome damos a isso. Para podermos assumir responsabilidade por nossas vidas, para virarmos adultos, Freud também disse isso para Breuer no filme "Freud além da alma" “todos, um dia, devemos matar pai e mãe”, simbolicamente, é claro!

Gostei muito do livro, principalmente, por que até a metade dele ficamos tão perdidos quanto Elias, pensei em desistir de lê-lo algumas vezes por não entender seu encaminhamento. Mas alguma coisa me impelia a continuar. E no final tudo volta a ter ordem!

O livro dá uma luz para quem está na batalha com o inevitável e acho que ajuda no processo de crescimento quando nos lembra que somos responsáveis pelo que fazemos com nossa vida.

Boa leitura.

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Outro livro:
A vida em Perigo

domingo, 19 de dezembro de 2010

Perfeição




Um dia desses no Twitter o @Hugoffreire me perguntou o que eu achava que era perfeição.

“O que é perfeição e imperfeição para você?”

Respondi:

Perfeição – é o equilíbrio harmônico de forças, ações e eventos. São doses balanceadas e encaixadas de tudo que existe.

Imperfeição – é a falta desse balanço, dessa harmonia.



Claro que eu não posso dizer que defini absolutamente esses dois conceitos... Mesmo meu ego dizendo que sim... Mas acho que é um bom ponto de partida. A perfeição não é estática, ela é móvel, não pode ser acabada, está sempre em transformação. Para mim é sempre uma questão de doses balanceadas de tudo o que há, formando uma configuração momento a momento. Uma perfeição não dura mais que um segundo, mas também é a soma de todos os segundo mutantes.

O que chamamos de imperfeição é a sensação de falta de balanço, de harmonia, do conjunto encaixado. Nada nesta dimensão é parada, está tudo se movendo e mesmo a imperfeição é perfeita... Pois do desequilíbrio se cria tudo, então de vez em quando deve haver um desbalanceamento para uma nova reconfiguração mais adequada.

Ainda somos seres medrosos e encontramos uma sensação de segurança (falsa) naquilo que, aparentemente, não muda. Portanto conceituamos perfeição como algo acabado e irretocável e exigimos isso da vida e principalmente de nós mesmo, vejam só! (no próximo texto falarei disso, como a falha pode ser perfeita)

Tudo é perfeito inclusive a imperfeição, tudo está encaixado como um grande quebra cabeças, como nossa percepção é limitada pelo ego, vemos apenas algumas peças do todo e queremos entender o todo por essas peças, o que resulta em conclusões equivocadas e sofrimento. É preciso muito tempo de silêncio interior e observação (orai e vigiai) para captar algo um pouquinho maior que nosso próprio umbigo, perfeito...

Namasté!

Leia também:
Nós já estamos num mundo melhor
Nós somos maravilhosos 
Buscar a perfeição

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Segredo de Beethoven



Este é um filme com alguns temas interessantes: como o tratamento dado às mulheres, (como elas eram vistas, o que se esperava delas, o que eram proibidas de sonhar, o relacionamento de “amor” dominador) ou a  relação do tio Beethoven e seu sobrinho, são exemplos de bons temas para falar. Mas decidi abordar um terceiro assunto aqui: A comunicação com deus.

Em vários pontos o compositor explica como se dá essa troca. Beethoven ouvia deus e expressava-o através de sua música. Mas achava que só aos músicos era dado esse presente... Na verdade a música é algo sublime mesmo, nos eleva e nos muda a vibração. Contudo, expressar deus não é feito só através dela. Em contato com deus, todas as nossas ações se tornam sagradas, até comprar pão, na padaria da esquina. Na vibração divina, tudo que nós fazemos é expressão de deus. Afinal essa energia utiliza corpos humanos para se expressar. E ela consegue fazer isso bem feito quando esses corpos se tornam conscientes disso.

Aprendamos, então, com Beethoven, a elevar a vibração de nossos corpos até atingir a consciência de sermos divinos e todos os atos serão sacralizados e viveremos em êxtase, mesmo quando estivermos apenas parados...

Alguns trechos do filme que gostei:

Da comunicação com deus: (fala de Beethoven)

“Música... As vibrações do ar são o sopro de deus falando à alma dos homens. A música é o idioma de deus. Os músicos são aqueles que mais se aproximam dele. Nós ouvimos sua voz, nós lemos seus lábios, nós damos à luz os filhos dele, que o glorificam. Se não formos assim não somos nada.”

Comentário - Troque aí música por qualquer outra atividade e estará certo também. Nossa vida é o idioma de deus, nossa existência é seu filho, nossa consciência glorifica e se não formos assim não somos nada. Leia-se tudo que existe como “nossa vida”.


Da conexão entre a matéria e o espírito (fala de Beethoven):

“Estou abrindo a música ao feio, ao visceral. Como alguém apreciará o divino, senão através das nossas entranhas? É aqui que deus vive. Não na mente, nem na alma. Nas entranhas, pois é onde as pessoas sentem. Os intestinos se enrolam para o céu. As tripas atingem a iluminação antes do cérebro! Só terá a cabeça nas nuvens com bosta nas suas botas.”

Comentário – Aqui há uma confirmação que não precisamos negar o corpo para refletir deus. O corpo é a antena.


Da morte e liberação do medo (fala de Beethoven):

“A única forma de escrever isso (um hino) é sem armadura (sem tom). A luta continua... bob a superfície. O primeiro violino roga a deus. E... Deus responde. As nuvens se abrem. Mãos amorosas se estendem para baixo e se elevam aos céus. O cello fica preso à terra, mas as outras vozes se elevam suspensas. Por um instante... No qual você pode viver para sempre. A terra não existe, o tempo é eterno, o tempo é eterno. E as mãos que nos elevam acariciam nosso rosto moldam-nos à semelhança de deus... E você fica em harmonia. Em paz. Está livre afinal.”

Comentário – Descrição da morte, mas poderia ser um orgasmo ou a sensação de conseguir algo há muito desejado. Morremos e poderíamos fazer disso uma experiência de êxtase.


Bom filme!

Leia também:
Deus não se explica

Outro filme:
A Outra (Bolena Girl)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nós não amamos




Agora apresento a você Martinha, uma amiga de quando não existia e-mail e conversávamos por carta! Ela deixou um comentário no texto “Esquecer uma paixão” com a seguinte sugestão.

“nós não amamos”


Nossa! Isso dá pano para mangas! Ninguém gosta de achar que não ama... Mas acredito que seja verdade. Primeiro, antes de você me linchar, quero explicar o que entendo sobre isso. Porquê afirmo que não amamos?

Bom, essa é uma forma simplificada para apontar uma ineficiência em nossa expressão afetiva, a maioria de nós passa o amor pelo filtro do ego e é isso que estraga tudo. Primeiro o amor é uma força de ação, se for pura ela leva à empatia, generosidade, desapego, liberdade, compreensão, não julgamento e principalmente ao não pré julgamento, gentileza, alegria, positividade, confiança e por aí vai. Esse é o comportamento de uma pessoa vivendo amor.

Então porque não vemos isso nas pessoas que se dizem amando? Na maioria vemos apego, tristeza, julgamento e pré julgamento, aprisionamento, falta de empatia e compreensão, ciúme, descortesia... O que acontece com nossa expressão afetiva?

O amor é sempre o mesmo fluxo de energia, mas quando passa pelo filtro ego sai manchado do outro lado. Nosso ego, escafandro que usamos na dimensão terrena, se deteriora ao longo da existência, fica cheio de deformações e estas reproduzem uma expressão amorosa mutilada, feia.

Temos a potência amorosa como fonte, dentro de todos, mas quando colocamos para fora, sai no formato de nossas feridas, e fica muito feia, por isso digo que ainda não amamos de fato. Precisamos primeiro curar as mutilações, fazê-las não reproduzir a deformação, aí então poderemos exprimir amor em forma pura, neste momento veremos do que realmente o amor é capaz.

Ainda não amamos, temos uma migalha do que pode ser toda a coisa. Mas não precisamos nos envergonhar disso. Precisamos nos curar. Então viveremos o paraíso.

Namasté!

Leia também
Amor Obsessivo
Amor Exclusivo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O que é budismo



Antônio Carlos Rocha
Coleção Primeiros Passos
São Paulo: Brasiliense, 2000
73p

Adoro essa coleção da Brasiliense. E gostei muito desta edição, que diz “Budismo é uma palavra oriental para designar o conjunto de práticas, prédicas e vivências dos ensinamentos de Siddharta Gotama, o Buda”

Ele fala dos caminhos percorridos ao longo de dois mil e quinhentos anos, a diferença entre essa e as outras religiões. O caráter social e político dos discursos de Siddharta, as quatro classes de felicidade, a história do budismo que teve início por volta de 523 a.C., a vida e morte do príncipe que virou asceta e depois iluminou, os desdobramentos do budismo (como o Zen), as quatro nobres verdades, ausência de dogmas, a não existência da alma, o enfoque na meditação (pura atenção) e para finalizar uma lista de livros para continuar numa investigação mais profunda.

Penso que saí da leitura conhecendo um pouco melhor essa fascinante orientação. Descobri até que quem trouxe as ideias de budismo para o ocidente foi Arthur Schopenhouer. E uma coisa que acho importantíssima e o autor assimilou foi: “... a religião, a instituição que se formou após a morte de Buda, sob alguns aspectos em muito difere do ensinamento original. Por que em geral, os seres humanos necessitam de muletas, apoios e, nos momentos difíceis da vida, o ritual, o jogo, a ludicidade religiosa preenchem os vazio e carências.”

Pensem nisso e boa leitura!

Leia também
Condescendência

Outro livro:
Comer Rezar Amar

domingo, 5 de dezembro de 2010

Amor Platônico




A Fernanda Medeiros, assídua colaboradora do Múltipals, fez uma sugestão de tema num comentário do texto “Esquecer uma paixão”:

“Amor platônico, existe mesmo?”


Pensei... Quem sou eu para responder se algo existe ou não?... Mas assim mesmo me afoitei. O amor platônico, diz o pensamento comum, é aquele que não se consuma sexualmente, é um amor admiração, distante, reverente. Posso dizer que eu já senti isso, principalmente na adolescência, quando não me achava essas coisas todas, então eu “amava” à distância (segura).

Também posso dizer que acredito nessa expressão amorosa. E mais, acho que pode ser um bom treino, antes de adentrarmos nas agruras amorosas. Sabe quando um surfista treina o uso da prancha na areia? Isso! São as primeiras braçadas no mar, melhor, no oceano amoroso.

Todavia tive esse tipo de admiração distante até perto dos vinte e cinco anos de idades, nesta época ainda tinha dúvidas sobre o meu poder de atração. Então eu acho que esse tal amor platônico tem a ver com insegurança, medo, e se demorar muito ele passa do positivo treino para a negativa fuga de um tipo de experiência, que sim, pode ser muito dolorosa, mas também traz muito prazer e autoconhecimento.

Neste momento de minha vida, aos quarenta e um anos eu começo a vislumbrar outro aspecto do amor sem sexo, algo como um amor fraternal, sereno, sem necessidade da paixão avassaladora, algo mais refinado, penso que seria um terceiro estágio do amor platônico, aquele em que só a presença do outro já preenche todas as necessidades afetivas. Não é mais um amor distante é um amor de alma, onde a união ocorre em outro nível, não mais no físico e sim no espírito e preenche todas as lacunas que jamais um encontro puramente e físico poderá suprir.

Agora posso dizer, amor platônico existiu e existe, em todos os estágios, pelo menos na minha vida. E na sua?

Namasté!

Leia também
Será que nos amamos?
Amor próprio
Amor independente

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mulheres Sexo Verdades Mentiras



Este é um filme interessante para dar início a conversas sobre sexualidade feminina. Ele aborda vários temas ligados ao assunto. É uma mistura de ficção e documentário. A personagem principal é uma documentarista famosa que ao ter uma experiência com sua sexualidade decide investigar as mulheres e como é o sexo para elas.

Achei legal porque é leve e não é vulgar, um perigo quando se fala em sexo. Ele trata de fantasias, clitóris, orgasmo, romance, expectativas, relacionamento homem/mulher (deixa passar o mulher/mulher), sexo grupal, sex shop, pênis, vagina, vulva, masturbação, a timidez de falar sobre esses assuntos, vergonha, preconceitos, amarguras, infelicidade.

Não é um mergulho muito fundo, mas é suficiente para se tocar no assunto com o parceiro e contar, usando o filme, como é que se gosta ou não de fazer sexo. Pode ser um bom interruptor para começar a pensar e falar no tema, pois até hoje o sexo é visto mais como algo a se fazer do que a se falar. E o resultado disso é um sexo insatisfatório para a maioria das pessoas, principalmente para as mulheres.

Recomendo assistir com o parceiro/a e aproveitar o filme para esclarecer e conhecer melhor sua forma de praticar sexo.

Bom filme!

Veja também
Sexo, vida e confusão
Seja amigo do sexo

Outro Filme
Banquete do amor