sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Espírito do Zen


Alan W. Watts
Tradução: Murilo Nunes de Azevedo
Porto Alegre, RS: L&PM Pocket
139p




Este é um livro que foi publicado pela primeira vez em 1936 e o autor tinha 20 anos, nesta época o Zen budismo não era conhecido no ocidente. Então este é considerado um clássico sobre filosofia oriental. E o autor uma das pessoas que introduziu essas ideias no mundo ocidental.

O Zen-budismo é uma escola budista que floresceu na China, primeiramente e depois se instalou no Japão, dando base para várias outras escolas como a arte do chá, o bushidô (arte cavalheiresca dos samurais), o Jiu-jitsu (método de defesa sem armas).

Consegui compreender melhor a não filosofia do Zen, o captar todo o ensinamento diretamente, da experiência sem a interferência da mente explicando tudo. Ser Zen não é ser calmo, alheio, como a maioria de nós costuma pensar. Acho até que é o contrário, é estar tão imerso na vida, tão acordado que nem parecemos nos mexer, pois estamos nos movendo com a vida, em harmonia com ela, profundamente ativos, mas para os olhos da mente, que não enxerga os movimentos da terra, a ilusão é de alheamento.

O livro é simples e explica bem o viver Zen, conhecemos melhor a não-filosofia, a técnica (Za Zen, técnica de meditação, Koan, problema que não tem solução intelectual), o objetivo (Satori, súbita compreensão da verdade), as origens (Bodhidharma), o conceito de Wu-wei (não ação), a vida numa comunidade Zen, seus desdobramentos quando entrou no Japão (Samurais, cerimônia do chá, Jui-jttsu).

Acho que é um livro para iniciantes, para quem quer conhecer, ser apresentado ao Zen e ele cumpre bem esse papel de apresentador. Saí da leitura com o conhecimento ampliado.

Boa leitura!

Outros livros:
Nadismo, uma revolução sem fazer nada
O que é Budismo

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Que nome eu dou?


Terceira pergunta da @auddymy:

“Então eu não amo?! E qual o nome dado ao que sinto?”

Quando respondi o comentário eu disse que poderia dar o nome que achasse melhor, o nome em si não importa o que me ocupa é a consciência do que sentimos, o nome é para facilitar a explicação.

O importante é saber que não aproveitamos bem a fonte amorosa que passa por nós. O principal é saber que podemos aumentar a qualidade da expressão afetiva, se tomarmos conhecimento de que mutilamos o comportamento amoroso e damos a desculpa errada a nossas atitudes destrutivas, chamando tudo de amor.

Se sufocamos um filho com excesso de zelo e nos intrometemos em suas escolhas, chamamos isso amor. Se perseguimos um amante, vigiando todos seus passos, até o outro se sentir um criminoso, dizemos que é porque o amamos. Se nos metemos, invadimos mesmo, a vida de um amigo, é porque nos importamos e... O amamos muito! Tem gente até que matou usando essa desculpa. Fazemos coisas antiéticas e destrutivas, mas quando pintamos esse comportamento com o amor, justificamos e até achamos bonito e necessário em alguns casos.

Batemos, xingamos, suspeitamos, ficamos doentes, deprimimos, ficamos obsessivos, impulsivos e chamamos isso de amor. Eu não acho que amor adoece ninguém, se estamos nos comportando assim tem mais a ver com nossa baixa auto-estima, insegurança e traumas do que com o fluxo energético amoroso. E penso que precisamos saber diferenciar isso, para podermos usufruir melhor deste próprio fluxo, que eleva e amansa nosso comportamento, ele é como um libertador, uma chave, que nos solta da prisão da ilusão egóica. Vivemos dentro de uma percepção distorcida, alucinando e o amor abre nossos olhos, nos faz enxergar o real. Acho que era isso que Jesus fazia quando curava os cegos, tirava eles da ilusão egóica. O amor (fluxo de energia) faz a gente ver sem distorções.

Então amiga o que eu quero dizer é que você pode amar de forma muito mais elevada, mas primeiro tem que saber a diferença entre amor e distorção. O nome não importa é só explicação. O que vale mesmo é a experiência e você vai saber quando sentir diferente.

Namasté!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Amor Infinito



Vamos à segunda pergunta da @auddymy:

“Se o amor é um fluxo de energia, isso quer dizer que ele nunca acaba?”


Esse conceito de amor como um fluxo energético é difícil de compreender, porque temos a tendendência de reduzir o amor ao afeto romântico, aquele que trocamos com o cônjuge ou o afeto parental, o que sentimos por nossa família.

Fiquei pensando se a preocupação de @auddymy não foi essa... Vemos diariamente o amor romântico se acabar, resultando na separação do casal, que tempos atrás afirmou amor eterno. Como o amor não acaba e acaba ao mesmo tempo? Penso que podemos ver dois conceitos distintos com um mesmo nome. Tenho chamado amor o fluxo vital que nos anima, a chama que nos torna humanos divinos, aquilo que nos impulsiona a agir de forma gentil, generosa, amiga. Quanto àquilo que nos faz querer um par eu tenho chamado de paixão, inicialmente, e afeto, que é uma paixão mais calma e que pode manter duas ou mais pessoas juntas por muito tempo. Essa pode sim, acabar, pois nasceu em algum ponto da vida da pessoa e tudo que nasce morre, nesta dimensão.

Então o afeto romântico, quando não é bem cuidado, pode fenecer, se isso acontece entre pessoas maduras, ele é transformado em amizade, se acontece entre pessoas imaturas, torna-se rancor, ressentimento e inimizade. Pela frustração de não ter conseguido manter o afeto prometido.

É preciso entender que dou nome específico às variações de comportamento afetuoso por isso digo que ainda não amamos, pois não nos conectamos com o fluxo eterno de amor para que possamos agir o tempo todo sob o efeito dele. Nosso ego atrapalha, ele interrompe e deforma o fluxo fazendo com que nos comportemos de maneira trágica, boa parte do tempo.

O amor (fluxo energético) não acaba, assim como a vida não acaba, eles só mudam de forma de tempos em tempos.

Namasté!

Leia também:
Será que nos amamos?
Amor obsessivo

domingo, 9 de janeiro de 2011

Amar certo




A @auddymy fez algumas perguntas num comentário do texto “Nós não amamos” que achei interessante para temas de texto. A primeira pergunta:

“Existe um jeito único e certo de amar?”

O fluxo do amor é único, uma mesma fonte para todos. E esse fluxo inspira emoções parecidas para todos, generosidade, compaixão, gentileza, contentamento, positividade, amizade. Essa é a expressão natural do amor, seja ele filial, fraternal, ou romântico.

Claro que quanto passamos esse fluxo por uma personalidade ela vai expressar uma generosidade específica que combine com seus traços pessoais. Então a forma de ser gentil, compassivo, positivo será diferente para cada um. Mas reconheceremos em todas as nuances os mesmos atributos citados acima.

Quando afirmo no texto que não amamos é que classificamos de amor todas as loucuras egóicas, como por exemplo aprisionamento, suspeita, ciúme, apego, obsessão, paixão e até violência. Não acredito que isso seja amor. O amor nos deixa calmos, pacíficos e desapegados. Ficamos muito interessados no outro, mas de uma maneira que o deixamos livre para ele ser quem é.

Acredito que tem, sim, um jeito melhor de expressar amor, se é o único certo fica a seu critério. Todos reconhecemos essa forma, pois ela nos deixa alegre, satisfeitos e com a sensação de ser aceitos. E temos a obrigação, a única na vida, de aprender o amor assim. Isso se faz num processo de autoconhecimento, limpando feridas e desenvolvendo potencialidades. Eu recomendo!


Namasté!

Leia também:
Amor Próprio
Será que nos amamos?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Brilho de uma Paixão



As críticas que li sobre esse filme dizem que ele não é bom... É certo que senti um desconforto ao assisti-lo, como se a história estivesse emperrada... Mas o que me fez trazê-lo para cá foi as imagens poéticas salpicadas pelo filme. Ele fala de poesia e de viver poeticamente.

Conta o breve romance do poeta John Keats com uma moça moderna do início do século XIX. Ela considerada fútil por gostar de moda e bailes, ele um poeta falido, mas já admirado por alguns. A falta de dinheiro dele atrapalha o romance, já que naquela época homem que quisesse casar tinha que ter como sustentar a prole.

No meio dessa historia de amor frustrada, há a poesia, as imagens, o conceito de poesia como algo sensorial, que não é para ser entendido e sim degustado, sentido. A mocinha, como eu, diz não gostar de poesia porque é difícil de entender e Keats diz que poesia não se entende, ela entra na pele e mexe com o que não faz sentido dentro da gente.

E a diretora do filme pega isso pelo pé, com imagens sensoriais; ventos, sol, olhares, cores fazem a gente degustar, junto com os personagens, a vida, nos pequenos detalhes, como dançar uma valsa sem música ou sentir o vento entrando pela janela, a presença do amado através de uma parede tocando-a no mesmo lugar, etc, etc.

Lembrou-me que devemos viver em poesia, degustando a vida sem entender muito, sem saber por que, apenas sentindo todo o non-sense que é estar vivo, pulsando, respirando.

Bom filme!

Leia também:
O Bom do Esforço
Como se leva uma vida plena 

Outro filme:
O Segredo de Beethoven

domingo, 2 de janeiro de 2011

Dezembro em Janeiro



A @anacarolsoares pediu que eu falasse “sobre Dezembro o mês do trânsito, luzinhas e retrospectivas.”

Bom, se você acompanha este blog, deve ter percebido que eu não sigo o cronograma oficial de festividades. Estou seguindo minha vida pela natureza que não tem data comemorativa nenhuma. Vale ressaltar que não tenho nada contra essas datas, eu só não dei um significado especial para elas. Então Dezembro para mim é apenas outro mês, tão bom quanto outro mês qualquer, guardando as proporções de clima. Mas como sei que não é assim para todo mundo, falo, em Janeiro, sobre Dezembro.

Através de meu trabalho tomei conhecimento que esse é um mês apavorante para alguns, pois tem certas exigências que nem todos podem cumprir. Estar bem com todos da família, ter alcançado metas do começo do ano, estar feliz e altruísta... São mais exigências para nossa pobre cabecinha!

Tudo fica acelerado, as pessoas parecem enlouquecer então o trânsito, que para mim, é um termômetro de nossa loucura, fica perigoso. Queremos tudo ao mesmo tempo e estar em duas confraternizações simultaneamente. Meu conselho, para 2011, evite sair de casa, mas se não puder, faça um exercício de relaxamente antes. Talvez assim tenha mais paciência e seja pacífico no trânsito.

As luzinhas... Deixam a cidade alegre e talvez ajudem a inspirar essa emoção em quem passa, o que acho legal é que elas são uma via de comunicação, quem está dentro de casa compartilha com os de fora seus votos de alegria e compaixão.

Já as retrospectivas, que deveriam ser algo que nos leva a um aperfeiçoamento, terminam se tornando um “açoitamento”, nos punimos pelo que não fizemos ou o que fizemos demais... Ou seja, ainda não usamos o que inventamos a nosso favor, estou falando da maioria não de exceções!

Mas isso não quer dizer que não aprendamos. É Janeiro, então como você passou? Começou o ano se amando, se perdoando? Estendeu o clima natalino para os dias comuns? A retrospectiva fez você se orgulhar de ter passado mais um ciclo? Continua compartilhando luzinhas, agora mais internas do que lampadinhas da janela? E o trânsito? Consegue ser mais generoso e paciente ao dirigir seu carro? Espero que sim! Encompride Dezembro para os outros onze meses do ano e bom 2011!!

Namasté!

Leia também:
Dia internacional da tolerância
Dia internacional da paz