sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ser ou não Ser



Xavier Guix
Tradução: Carolina Caires Coelho
São Paulo: Ciranda Cultural, 2008
187p



O autor é um terapeuta espanhol e traz neste livro questionamentos inspirados na filosofia, para o enfrentamento e desfrute da vida cotidiana. Ele aborda áreas como casamento, trabalho, nossa relação com o tempo, o próprio processo de crescimento pessoal.

Questiona muito nosso estilo de vida atual, a nossa época cheia de conflitos, mudanças e desorientação. Nossa forma de existir competitiva e narcisista. A adoração da auto-imagem e como valorizamos o dinheiro.

Tem quase um mantra que ele repete do início ao fim do livro: “vivemos melhor à custa de nos sentirmos pior” acho que este é o ponto central, a grande questão! Porque estamos aí, o que nos fez escolher este caminho? E como acordar e escolher outra coisa?

Um dos capítulos que gostei mais foi o que fala sobre relacionamento amoroso “Saturados de amor, incapazes de amar.” No qual o autor questiona os papéis dos amantes, a forma de amar (na era da internet), as dificuldades no conviver, a supervalorização da palavra amor e seu esvaziamento, o vazio afetivo no qual nos encontramos.

Mas principalmente Guix avalia nossa era, seus pontos fortes e limitações. Fazendo com que comecemos a nos perguntar sobre o que realmente é importante.

Boa leitura!

Leia também:
A arte de viver
Mulheres descartáveis
Felicidade autêntica

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Apresentando a namorada



Há algum tempo atrás atendi um pai cuidadoso recém separado que estava se interessando por uma moça e começou a se perguntar se o negócio ficasse mais sério, como seria melhor aprensenta-la a sua filha? Algumas coisas me vieram à cabeça e terminei escrevendo um texto de dicas, que são sugestões para iniciar uma reflexão e não regras para serem seguidas.

A primeira coisa que surgiu foi perguntas:

1. Como anda a relação com sua filha? Vocês conversam? Têm intimidade? Vêem-se com freqüência? Brincam?
2. Como estão seus sentimentos em relação a ela e a sua separação? Sente culpa? Acha que fez mal a ela quando se separou? Separou-se com mágoa?
3. Como é a sua relação com a mãe da criança?
4. Quais são suas ideias sobre separação e novo namoro? Sente-se à vontade? Tem vergonha? Acha-se errado?
5. A namorada gosta de criança? Está interessada em conhecer sua filha?

Depois de fazer essas perguntas irá conhecer-se melhor em relação a esse episódio e poderá ter mais controle sobre a situação. Agora às dicas:

Acho importante agir com naturalidade, apresentá-la como amiga primeiro e fazer um programa para a criança. Deixe as duas interagirem, se conhecerem, estimule as duas a conversarem, brincar. Encontre pontos em que as duas gostem e aproxime-as.

Não fique muito junto da namorada, para que sua filha não fique insegura com relação ao seu afeto, ela deve entender que é muito importante e que não vai ser trocada. Explique para a namorada que nos primeiros encontros não poderá ser tão atencioso com ela, que isso vai ser feito aos poucos. Sua filha tem que sentir que não vai perder seu lugar de importância.

A postura da namorada também é importante. Ela deve ser próxima, carinhosa e atenciosa. Talvez fosse legal levar um presente, do gosto da criança, como prova de boa fé. Peça que ela dê atenção, inicialmente, só para a criança. No primeiro encontro não devem ser namorados, mas amigos da criança, ela deve ser o centro, aos poucos isso vai sendo deslocado.

Só apresente a namorada quando tiver certeza que o namoro vai ser longo, que você se dá bem com a moça, ficar apresentando muita gente não é bom.

Acho importante que a criança saia desse encontro ainda mais convencida de que ela é a pessoa mais importante da sua vida. Diga o quanto a ama, dê atenção, mas sem deixá-la dominar, afinal o adulto é você e ela precisa de sua firmeza e segurança.

Procure um passeio que a criança goste, mas um lugar onde possa haver interação (parques, zoológicos, museus, livraria, clubes, lanchonetes, jogo de futebol, etc.)

Com o tempo vá dizendo que gosta muito da moça e que a está namorando e pergunte se ela gosta também, incentive o relato dela, deixe falar ou desenhar o que sente, deixe ela segura de que nada mudará entre vocês. Que ela não vai magoar a mãe se aprovar a relação. Acolha a frustração dela, por não poder mais sonhar com a reconciliação dos pais, explique que gosta da mãe dela de um jeito diferente.

Se ela for contra, faça-a entender que respeita sua opinião, mas quem conduz sua vida é você. Afirme que a ama e que ela é importante e dê um tempo, depois volte ao assunto, sempre a deixando segura de seu amor por ela.

Acho que fazendo assim tem mais chances de você formar uma amizade entre as pessoas envolvidas, como disse não são regras e sim sugestões de atitudes para facilitar um momento complicado. Boa sorte!

Namasté!

Obs.: Isso serve também para uma mãe apresentando um namorado. Para casais homossexuais, se a criança já souber da orientação sexual dos pais, é igual, mas se não souber, tem mais coisas, mas só outro texto para complementar, quem tiver interesse é só pedir!

Leia também:
Guia para pais com pouco tempo e muito carinho
Educar é contar histórias

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A história de nós dois



A primeira vez que assisti esse filme eu não gostei muito, mas onze anos depois tenho olhos novos e o assisti de forma diferente. Ele retrata bem um processo de reavaliação conjugal. E mostra com humor os pontos onde a maioria de nós se perde. O desejo da mulher de mudar o marido e transformá-lo no companheiro perfeito. A dificuldade dos homens assumirem um compromisso com carga emocional mais forte e consequente tentativa de trazer a mulher para turma divertida dele. E a confusão que isso dá!

A influência de nossos pais, as dificuldades com os amigos e a vontade de proteger os filhos. O vai-e-volta da relação, o medo da decisão errada, as dúvidas e até as tentativas de terapia frustradas. E aí como em todo filme, eles pecam com o clichê preconceituoso de que nessas coisas não se obtém ajuda de profissionais, que sozinhos é que resolvemos tudo...

Desta vez gostei e acho válido, para quem está em vias de se separar e para quem não está.

Bom filme!

Leia também:
Um novo casamento

Outro filme:
Estamos todos bem.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aquilo que sai da Boca



A @FLORALBELA sugeriu um tema:

“Gostaria que você falasse da “palavra””

Vamos lá, achei interessante, pois este tema é a ferramenta de meu ofício, eu trabalho com a palavra. Elaboramos nossos pensamentos e emoções por meio dela. E muitas vezes é ela que nos causa perturbação. São nossos mal entendidos e interpretações próprias do que o outro fala que nos fazem sofrer.

Muitas mágoas são provocadas por palavras ditas e entendidas erradamente. Os indianos dizem que é preciso ter muito cuidado com ela, pois depois que é jogada ao vento não tem volta. O silêncio é considerado muitas vezes mais valioso e mais sábio por eles.

Mas a palavra bem usada cria beleza e emoções positivas, encanta e conforta. Às vezes só precisamos de uma frase, outras nem um discurso inteiro é capaz de mudar nosso rumo. A palavra é considerada uma arma que tanto liberta como aprisiona. Faz revoluções, é invólucro de ideias.

Nossa cultura nos dá overdose de palavra escrita e falada, às vezes sem nos dar tempo para digerir. Alguns dizem que é a palavra que nos faz quem somos; humanos. O que sei é que nos dedicamos pouco à arte da boa fala, somos desleixados, na maioria das vezes, com nosso vocabulário e ainda subutilizamos esse instrumento.

Como já disse ela é o meio em qual eu trabalho, eu a uso para reformular conceitos que muitas vezes atrapalham nossas vidas. Para mim ela, em combinação com o silêncio, pode fazer de nossas vidas um paraíso.

E você como vem usando essa ferramenta? A seu favor ou contra você? O que tem saído de sua boca lhe enriquece e ao meio em que vive? Tem sido muito econômico ou exagera na dose?

Namasté!

Leia também:
A Difícil Arte de Dizer Sim e Não
Silenciar
Calar faz Bem?