sexta-feira, 25 de março de 2011

Tarot – Uma proposta de Vida


Maria Celeste Rodrigues
Rio de Janeiro: Mauad Editora: Bapera Ed., 2006
223p.




Este é o tipo de livro de tarô que eu gosto. Ele fala dos arquétipos contidos em cada arcano do tarô, ou seja, ele debate o significado dos modelos antigos (arque/tipo) que permeiam nosso inconsciente, e traz à tona para que tomemos conhecimento.

Faz meu gênero, por que costumo usar o tarô para me conhecer melhor e a partir daí tomar decisões mais lúcidas em minha vida.

A autora nos conta a história da viagem que todo ser humano faz em busca de si mesmo. Ela comenta os 22 arcanos maiores dentro desta perspectiva. E o que cada modelo pode sugerir como reflexão para nossa vida cotidiana, relacionamento, trabalho, saúde. Ela trata esse oráculo no seu mais refinado uso, o de guia no mergulho interno. A jornada do “Louco (arcano zero), nós mesmos, que vai ficando sábio à medida que cai e levanta”.

Nos dá a perspectiva do livro da sabedoria de páginas soltas, o qual foi escrito em imagens, para que não pudéssemos desvirtuá-lo com entendimentos imprecisos. Lá o conhecimento é direto, o símbolo fala a língua do inconsciente e nos ajuda a sair das trevas da ilusão de separatividade.

O tarô é um instrumento precioso de autoconhecimento. E precisamos usá-lo de maneira sábia.

Boa leitura!

Leia também:
Porque ainda temos uma visão medieval do Tarô?
Guia completo do Tarot

sexta-feira, 18 de março de 2011

Alguém que dá defeito



Num grupo familiar, quando alguém começa a criar problemas pode estar denunciando um sistema obsoleto. Pode ser um sintoma de que algo precisa mudar no grupo, como se fosse uma doença dizendo para mudar o estilo de vida. É preciso ouvir e mudar.

Não só a “pessoa problema”, mas todo o grupo pode se beneficiar das mudanças. Portanto se alguém em sua família está apresentando um comportamento desorganizador, talvez seja boa hora para empreender transformações em todos.

Nossa primeira reação é pensar que estamos sendo castigados e ficamos com uma raiva (escondida) daquela pessoa. Raramente perguntamos; o que podemos aprender desta situação? O que ela nos exige mudar? Que conceitos, verdades prontas ou certezas teremos que abrir mão?

O que desejamos é consertar aquela pessoa que está, com seu comportamento, desarrumando nossa vida. Ele é o problema! Se ele não existisse dessa forma, minha vida seria um céu... A existência nos manda desafios de tudo quanto é lado e a família é o meio catalisador de melhor qualidade para nossa evolução. Nossos familiares nos desafiam sempre a reflexão e a saída de problemas, nos forçando a aumentar nossa inteligência e criatividade.

Vemos, normalmente, pelo lado negativo é só perturbação que traz infelicidade, mas, além disso, pode ser, também, um estímulo para mudanças internas e externas. Principalmente mudanças mentais. Acredito que estamos aqui para desenvolver ao máximo capacidades e virtudes, sendo que a principal é o desfrute da existência. E, às vezes, nossa forma de pensar, atrapalha. É quando um desafio chega para abrir nossa mente. Podemos comparar a uma broca de dentista, dói para abrir, mas é o primeiro passo para cura.

Então, depois de limpar a mágoa pelo comportamento do outro, faça perguntas para se desenvolver, aproveite a situação para crescer, amadurecer, mudar!

Namasté!

Leia também:
Os prisioneiros
Estamos todos bem

sexta-feira, 11 de março de 2011

De Volta para o Futuro



Este filme me lembra que nossa vontade de consertar aquilo que não funciona bem em nossa vida. O rapaz acidentalmente cai numa máquina do tempo e volta à época em que seus pais eram adolescentes.

Tem duas coisas; primeiro que realmente precisamos voltar no tempo para entender nossos pais. É conhecendo suas histórias, é lembrando que eles não nasceram adultos e que foram assustados também, que podemos perdoá-los, ou seja, compreender seus desmandos e loucuras, suas dificuldades e bloqueios. Não precisamos de máquinas do tempo para isso, só um par de ouvidos atentos e interesse.

Segundo; achamos que podemos melhorar nossa própria vida se tivéssemos feito escolhas diferentes lá atrás, mas não acho que seja assim, só melhoramos nossa vida no presente, é nele que podemos, através de nossa perspectiva, mudar a visão que temos de nós mesmos e do que ganhamos e perdemos com nossas escolhas.

Esse filme também parece com um processo terapêutico na medida em que vasculhamos nossas origens em busca de viver melhor. A boa notícia é: Não precisamos de máquinas, podemos fazer tudo isso na mente e como Marty McFlay descobrirmos uma vida muito mais interessante hoje.

Bom Filme!

P.S: Sei que o filme tem por baixo 25 anos, mas o que interessa nessa sessão é o tema, não a novidade. Esse não é um blog de “News”.



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A Outra (Bolena girl)
Simplesmente Alice

sexta-feira, 4 de março de 2011

Paixão: Em busca de si



A Fernanda Medeiros, fiel colaboradora do Múltiplas, do blog Far Away From Home me pediu, pelo Facebook, o tema:


“Porque nos apaixonamos?”


Ela também deu uma dica de texto que postou em seu blog (clicar no nome do blog acima) com a resposta de uma psicóloga sobre o assunto. Eu gostei do texto ele aborda os vários aspectos humanos na realização do comportamento amoroso-romântico, que é como eu chamo o que sentimos em relação a um parceiro sexual. Os Gregos chamavam “Eros”.

Gostei do fato da autora observar que lidamos com esta situação como se fosse um jogo de azar, o qual não temos o menor controle, a afeição vem do nada e pode desaparecer do mesmo modo, deixando-nos amedrontados.

Em minha opinião tudo começa pelo lado biológico, nos unimos em pares porque temos uma programação para reprodução (mesmo os homossexuais, a programação está lá, só o objeto do afeto é que muda) sentimos uma atração fisiológica, já explicada pela biologia e neurociência. Conseguimos ler os genes do outro para uma parceria proveitosa, mas ficamos juntos porque não somos só um corpo, temos a psique, necessidades emocionais e sociais, e também porque somos espíritos que se reconhecem como uma unidade.

Daí os três tipos de amor: Eros, Philia e Ágape; erótico, fraternal e espiritual. Se empreendermos a viagem toda começamos por uma atração erótica, passamos pelo amor fraternal e terminamos numa liberdade espiritual. Mas a maioria se perde no primeiro estágio, o erótico, que é bem enlouquecedor mesmo! Quando alguns começam a experimentar o philia o amor fraternal, entendem que não estão mais ligados ao parceiro, pois não sentem mais tanta atração sexual e terminam se separando para começar tudo de novo, entendendo assim que o amor é só a loucura de paixão.

Tenho fé que passaremos, em maior quantidade, para o segundo e o terceiro estágio da jornada em busca de si mesmo que é o que chamamos de amor. Basta perdermos o medo e abrirmos a mente, acreditando que vamos sempre para um estágio melhor e mais evoluído da expressão afetiva. É preciso desapego das ideias prontas do que deve ser amor entre parceiros para seguirmos adiante, mas não temos outra escolha, mais cedo ou mais tarde descobriremos isso e temos toda a eternidade para encontra e realizar esta experiência.

Então para responder a pergunta; nos apaixonamos por que queremos empreender uma jornada espiritual para experimentarmos quem somos nós, mas nos perdemos no meio do caminho, ou melhor, no início e ficamos rodando em círculos, embriagado pelo poder sexual. Quando adquirimos lucidez, passamos pelos outros estágios e nos libertamos das forças primárias, não achamos mais que somos controlados e sim que nós conduzimos para onde quisermos. Apaixonar-se é o começo da viagem, o primeiro degrau apenas.

Namasté!

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Amar Certo
O Óculo da paixão