sexta-feira, 29 de abril de 2011

Luz Invisível




A @FLORALBELA, querida do Twitter, sugeriu duas palavras para um texto, melhor, dois textos, mas resolvi juntar as duas. Foram elas: “Luz” e “Invisível”.

Achei interessante, pois é como uma anulasse a outra, porque a luz faz do invisível algo que se pode ver. Mas as duas têm muito simbolismo na vida espiritual. Luz está ligada à consciência, à capacidade de ver a vida de uma forma diferente, diz-se de alguém com a consciência ampliada que ela é “Iluminada”, cheia de luz divina. Este estado de mente é almejado por todo iniciado no caminho espiritual.

O invisível está ligado à essência, ao núcleo puro das coisas, que não são acessíveis aos olhos comuns. O invisível, se sente é uma experiência. Não se pode falar dele, o invisível se experimenta. E dessa vivência se ganha luz, ou melhor, se revela a luz já existente, porém não percebida por olhos pouco treinados.

Temos medo de ser invisíveis e terminamos buscando holofotes o tempo todo. Trabalhamos para aparecer e marcar a vida. Queremos ser importantes, lembrados mesmo depois da nossa morte. Buscamos luz no lugar errado nos perdemos na escuridão da falta de nossa essência. Somos seres luminosos com medo de não sermos vistos, o que parece uma piada.

A luz e o invisível andam juntos no mundo espiritual e separados no mundo egóico. Qual caminho você vai pegar?

Namasté!


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O Segredo de Bethoveen

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Onze Minutos



Paulo Coelho
São Paulo: Editora Planeta, 2007
253p


Achei interessante a forma como Paulo Coelho abordou o tema sexo. Como eu vi, ele fez uma linha paralela entre a maneira como a maioria aprende e experimenta essa faceta da vida com a trajetória de uma moça que se torna prostituta.

Ele fala dos desencontros emocionais, da falta de conhecimento que temos sobre o que fazer, no sexo e nos encontros amorosos, as decepções, os traumas e medos de experiências futuras, as repetições de padrão, as promessas que fazemos por esperança ou medo.

Mostra como ficamos afetivamente fechados depois de algumas experiências mal sucedidas. E como subutilizamos essa oportunidade de encontro com o outro. Achei interessante o paralelo que ele faz com a conduta sado/masoquista. Fica parecendo que no início de um relacionamento todos nós usamos as táticas de domínio e dominado, dessa brincadeira sexual.

Tive a impressão que a personagem central era muito arrogante, achando que sabia de tudo sobre amor e sexo. Mas essa também se parece com a atitude da maioria, achamos que sabemos mais do que realmente entendemos e arrogantemente nos fechamos ao aprendizado.

O livro é um bom paralelo de uma possível viagem, talvez uma peregrinação, ao mundo do sexo e seu conteúdo mais profundo e sagrado. O que perdemos ao não darmos atenção amorosa a ele e o que ganhamos quando nos abrimos a essa experiência tão intensa.

Achei uma boa analogia! Válida para uma boa reflexão!

Boa leitura!

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Sexo, vida e confusão

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mão no Fogo



Uma vez me perguntaram: Você põe sua mão no fogo por seu companheiro? Minha resposta foi, prefiro me queimar a viver com medo. Ponho minha mão no fogo, não com a certeza que não vou me queimar, mas com a idéia de não temer uma experiência.

Passei parte de minha vida com medo, evitando um susto, uma dor... Não valeu de nada, tive todas as dores que tentei evitar. Eu, agora, vou ao encontro dela, se doer sei que posso me curar e as cicatrizes levo como marcas de meu aprendizado. Elas, as cicatrizes, não doem, são apenas história que aconteceram e me trouxeram sabedoria.

Sabedoria para entender que sou responsável pelo que me acontece, são minhas escolhas que me levam às situações. Parte dos meus tropeços tem a ver com minha preguiça. Preguiça de ficar atenta, de ficar alerta, para poder me mover antes do machado cair, um segundo antes. Minha lerdeza produz minhas feridas. Eu compreendo e me perdôo. Aos outros eu não preciso perdoar, não me fizeram nada que eu não permitisse, muitas vezes por descuido de minha parte.

Se vou a um lugar que tem mosquito e não uso repelente, a responsabilidade de ter sido picada foi minha e não do mosquito. Sigo então me perdoando a falta de atenção.

Quanto a atitude do outro, ele é que deve pensar sobre isso, não sou responsável pela loucura alheia. Sou apenas responsável pela minha loucura e por me proteger.

Prefiro a dor que me esquivar da vida, já fiz isso, não compensou. E o que é mais interessante, quanto mais nos abrimos, menos dor temos, pois mais alertas ficamos e conseguimos nos relacionar melhor com o que fere. De repente, então, a existência lhe dá vivacidade, ficamos acordados, despertos e espertos. Ninguém me fere sem minha permissão e nada pode dar prazer se não mantivermos as portas abertas.

Portanto, mão no fogo e viva a vida!

Namasté!

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Vida bumerangue

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Você está louco!



Ricardo Semler
Rio de Janeiro: Rocco, 2006
255p



Comprei este livro porque li uma entrevista com o autor sobre sua escola (Lumiar) e muito me interessa inovações na educação. E me surpreendi com a vida de aventura do autor... Mas diga-se, não é um aventureiro qualquer.

Ele faz aventuras no viver, estuda, planeja e age com ousadia, experimentando em todas as áreas da vida. Negócios, arte, literatura, viagens, relacionamento com pessoas, educação, computação, política.

Neste livro ele conta, capítulo a capítulo, suas incursões nessas diversas áreas e o que ganhou com isso. Gostaria que tivessem no mundo mais pessoas com esse espírito; curioso, inventivo, experimentador, quase um cientista da vida. Achei que esse é um tipo de personalidade “fermento” que faz crescer quem e o que estiver por perto, crescer no sentido saudável de amadurecimento.

Gostei de tudo que li e vibrei muito com sua vida excitante. Mas particularmente gostei do capítulo que fala da Lumiar, uma escola para gente e do Habitat dos Mellos, no qual ele, pelo que entendi, está criando o Primeiro Mundo dos brasileiros, no qual  redefine luxo, como, emprego para todos, educação de qualidade, pessoas sento tidas como iguais independente do seu trabalho, silêncio, segurança, valorização do que existe no Brasil (comida, música, capoeira)

Apreciei suas ideias e sugestões, espero que ele espalhe e contagie muitas pessoas com elas, para que possamos experimentar e realizar uma vida mais justa e alegre.

Boa leitura!

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Economia Solidária

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Com quem eu trabalho



Muitas pessoas me perguntam se eu trabalho para pessoas “loucas”. E trazem seu conceito pré-estabelecido da ajuda psicológica. “Quem precisa da ajuda de uma psicoterapeuta é doido”.

Pois bem, vou dizer com que tipo de pessoa eu trabalho. Na maioria das vezes pessoas saudáveis, que chegam num ponto, na maioria das vezes chamado problema, que os fazem entrar em conflito ou sofrimento psíquico, por não conseguirem ser criativos o suficiente para resolvê-lo.

São problemas familiares (filho, marido, sogros, empregados domésticos, etc.), no ambiente de trabalho (chefe, colega, função insatisfatória, etc.), no relacionamento amoroso (brigas, desacertos, falta de um, relacionamento doentio), dificuldade consigo mesmo (excesso ou ausência de peso, baixa estima, sensação de incompetência). Ou mesmo uma mudança inesperada da vida, como uma doença ou acidente consigo ou com alguém próximo.

Repito, são pessoas saudáveis, com certo nível de sofrimento psíquico, que não estão dando conta das emoções nem de estratégias para se relacionar com o problema. Na maioria das vezes não há uma desorganização muito grande da psique. Há medo, insegurança, suspeitas, distorções perceptuais, tristeza, angústia num nível maior do que se pode suportar, mas não há um transtorno mental grave como depressão, fobias, transtorno do pânico, delírios ou esquizofrenia.

Mas mesmo que houvesse um quadro de esquizofrenia, ainda assim, não era para nos envergonhar, ela é apenas uma doença, nada mais, algo que nos acomete, que tem tratamento e controle como a diabetes por exemplo.

O que eu quero dizer é que buscar uma ajuda profissional, não revela que a pessoa está doente, para mim diz que é um ser humano inteligente o suficiente para não se impor um sofrimento desnecessário, já que com a elaboração conjunta com um profissional, além de aliviar a pressão, reestrutura a cognição, fazendo com que nos tornemos criativos de novo para enfrentar os desafios que a vida manda.

Repetindo, na maioria das vezes quem procura um psicólogo é alguém saudável e inteligente, que está passando por um momento de sofrimento e não está dando conta sozinho.

Namasté!

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