sexta-feira, 24 de junho de 2011

Amor e Estudo




Já falei aqui que se relacionar afetivamente dá trabalho (texto Cada cabeça um país). Vou falar de novo, porque acho que precisamos nos dar conta disso para podermos viver melhor. Casar dá trabalho e demanda estudo. Ficou surpreso? Você é daqueles que acha que é só amar e está tudo resolvido? Que não se pode estudar sobre como amar, porque perde a espontaneidade?

Das duas uma, ou você já nasceu com a sorte de amadurecer rápido e eficientemente, sem muito esforço, como um virtuose ou está penando, mas não admite. Se acha que está bom viver assim, esse não é uma texto para você. Escrevo para os que acham que não está bom.

Claro que não dá só para estudar, tem que ter a prática. Você faria uma cirurgia com um médico que nunca fez residência? Ele pode ter sido um ótimo aluno teórico, mas precisa treinar reflexos e criar saídas, que só enfrentando a situação se desenvolve. Mas também se ele não estudou a teoria antes, vai errar muito mais.

Se a gente estuda para tudo na vida, porque não dedicar alguns neurônios para o estudo do expressar amor? O amor é um fluxo de sentimentos (Texto: Amar Certo) que deve ser expresso com inteligência. Senão ele fica desgovernado e destrói mais que constrói. Se não tiver alguém sábio no comando do fluxo, haja sofrimento!

Já existem livros e mais livros, palestras e professores dando dicas e recursos para amarmos melhor, mas arrogantemente torcemos o nariz para isso tudo. Dizendo que ninguém pode ensinar a amar. E continuamos dando cabeçadas. Vivendo mal o amor, perdendo nosso precioso tempo com dores por não nos disponibilizarmos a aprender o manejo do amor.

Para isso eu recomendo, de início, os livros que falam das diferenças entre homens e mulheres, já falei de alguns aqui (Como atrair seu parceiro ideal, Ressonância, Homens não ouvem, Mulheres falam demais e Amor, Liberdade e Solitude). Há também palestras e debates sobre o assunto. Legal mesmo é que houvesse uma escola ou que fossem acrescentadas matérias como essa na escola que frequentamos. Acredito que seria muito mais útil saber como resolver conflitos com vizinhos do que a capital de um país longínquo.

Se pudéssemos nos coloca humildemente na posição de aprendizes e não achássemos que esse tipo de coisa não se estuda viveríamos mais tempos alegres no relacionamento.

Namasté!

Leia também:
Nós não amamos
Que nome eu dou


Aqui um texto em que o Osho diz a mesma coisa :
A Dança Chamada Amor 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Homens não ouvem, Mulheres falam demais


Jane Sandeis
Tradução – Eidi Baltrusis C. Gomes
São Paulo: Cultrix, 2008
175p



Este livro tem um subtítulo que define sua intenção “O enigma da comunicação entre os sexos”. A autora, uma especialista americana em comunicação entre os sexos, com mais de vinte e cinco anos de experiência no assunto, começou a se deparar com a questão na infância, tinha dois irmãos e não os entendia. E mais tarde, no mundo dos negócios, a coisa toda piorou, o que a levou a estudar profundamente o assunto.

Ela nos ajuda a conhecer os estereótipos, modelos cristalizadores equivocados de compreensão; as reais diferenças biológicas e sociais que influenciam os estilos de comunicação masculina e feminina, como elas causam mal-entendidos e percepções errôneas e sugestões de como se comportar de modo mais eficiente para uma boa comunicação, ou seja, onde ambos sejam compreendidos.

Outro ponto que achei interessante foi quando ela fala sobre comunicação indireta, quando insinuamos algo e queremos que o outro entenda, quase como um sensitivo. Acho que precisamos mesmo parar com isso e dizermos claramente e educadamente o que queremos e precisamos.

Ela também aborda a questão choro, esclarecendo o significado tanto para homens quanto para mulheres. O que pode facilitar o lidar com esses momentos.

O livro é mais um pedacinho do grande quebra cabeças da comunicação humana. Pode não solucionar tudo, mas ajuda a quem está interessado em aprender a se comunicar bem. Para que paremos de reclamar e coloquemos mãos à obra no caminho do bem viver entre homens e mulheres, mais, entre pessoas diferentes que querem fazer um mundo mais harmônico.

Uma dica: este mundo harmônico não cai do céu, ele é criado a partir de nosso esforço e conhecimento.

Boa leitura!

Leia também:
Amor, liberdade e solitude
Como atrair seu parceiro ideal

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Cada cabeça um país



Se pensarmos bem, entenderemos que cada pessoa é uma representação de um país, com cultura, valores e principalmente linguagem própria. Acredito que, em parte, por isso é tão difícil se relacionar com pessoas. Ouço muito a frase “ele/ela é totalmente diferente de mim!”, isso vindo de casais principalmente.

Será que nunca ninguém foi além dessa frase? Perguntas como: Porque, ou como, ele/ela é diferente? O que o faz diverso? Como me relacionar com essa diferença? Quando foi que comecei a perceber isso? E quando foi que isso começou a me incomodar... São perguntas simples, mas que não ouço. O que escuto é a constatação de que é diferente e, portanto é incômodo e ponto final. Ah! E que o outro deveria mudar...

Daí olham para mim, como se eu fosse sua aliada contra o inimigo e por isso darei justificativas e argumentos científicos para persuadir o outro a mudar. Ainda não vi ninguém chegar e dizer, quero elaborar estratégias para conviver com este ser diferente!!

Cada um tem uma linguagem particular, com significado próprio, que podem gerar muita confusão. Vivemos, às vezes, vinte anos com alguém, sem nunca nos ocuparmos de fazer um dicionário. Quando vamos a outro país, de língua diferente do nosso, temos o trabalho de aprender palavras para melhor nos comunicar. Num casamento não temos toda essa diplomacia. Esperamos que o amor resolva. Gente! O amor não resolve, coitado! Ele só faz a liga, o resto é com a inteligência.

Já me ofendi e ofendi muito meu parceiro só por não ter tido este cuidado. Alguns gestos, conceitos que são próprios da minha cultura familiar, simplesmente eram uma tremenda gafe para a cultura dele. E então o que fazemos neste caso? O mais comum é ter a mania de perseguição, começamos a achar que o outro faz de propósito para nos machucar. E o outro pensa o mesmo da gente. O resultado disso chama-se ressentimento, um ódio velho daquele que juramos amar. Então esquecemos que ele/ela tem qualidades e só enumeramos defeitos. Depreciamos mesmo!

Ficamos de má-vontade, cansados de tanto tentar fazer dar certo. Mas nunca questionamos nossos métodos. Queremos mesmo é que o outro se adapte a nós, não foi isso que ele/ela prometeu???!!! E não é isso que é amor??? Deixamos de ser dois indivíduos e passamos a ser um ente só, sem diferenças, sem dificuldades? Engolimos essa lorota e queremos, a fim na força, executá-la. Tolos somos nós...

Sugiro constatar que o outro tem uma língua própria e criar um dicionário para se comunicar melhor, somos todos diplomatas no relacionamento, precisamos aprender a cultura do outro. Amar dá trabalho, quem não quiser se esforçar fique solteiro. Vamos aprender a expressar afeto! Na língua certa!!!

Namasté!

Leia também:
Amar certo
Um novo casamento

sexta-feira, 10 de junho de 2011

“Todas as flores são perfeitas”





O título deste texto foi tirado de um filme, “O Último Samurai”. Esta frase me impressionou por ter sido o ápice de uma busca por perfeição do personagem Katsumoto, e a compreensão lhe chegou no momento de sua morte. O samurai viu que o que ele tanto buscava já estava ali o tempo todo. E não existia uma perfeição, uma específica, única.

Tudo estava perfeito. Existia harmonia em tudo. Passamos a vida toda atrás de melhorar e isso é sempre jogado para o amanhã. O futuro vai ser melhor. O passado já foi melhor um dia. E o presente é sempre uma desgraça. Porque é nele que vivemos e costumamos achar que não vivemos bem, que sempre falta algo somos incompletos e buscamos essa completude na perfeição, ou melhor, na ideia de perfeição.

Penso que perdemos um tempo danado de vida insatisfeitos, buscando melhorar. E quando chegamos ao fim da jornada não queremos morrer porque falta fazer muita coisa, uma delas, viver. Pode ser uma coisa já muito batida o que eu vou dizer, mas só se vive no presente, agora, é na ação deste momento, como eu escrevendo agora, se eu não estou apreciando isso e estou pensando que posso fazer melhor no futuro eu perco o desfrute disso. Angustio e me sinto mal. Se não há mais nada a fazer agora, senão escrever, eu já estou em perfeição.

Eu não estou dizendo que acho nosso comportamento global, hoje, o mais apropriado nem que não devemos planejar o futuro e aprender com o passado. É nosso estado mental que está equivocado. É como vivenciamos tudo. Sempre evoluiremos, esse é nosso movimento natural, não precisamos ficar dizendo que não prestamos para fazer mudanças. Podemos apreciar-nos e corrigir detalhes para ficarmos ainda melhores. Porque não enfocamos no que já produzimos e verificamos nossos potenciais para avançar ainda mais? Porque temos que partir do princípio que o hoje não presta e que o amanhã é que trará melhorias? E não aceito você dizer que não é assim que vive! Preste atenção! Sua mente é “enrolona”! É assim que vivemos, chutamos a perfeição para o futuro, bem longe da gente. Lembre-se: “Todas as flores são perfeitas!”. “Nós somos perfeitos para sermos quem somos”. Não espere o momento de sua morte para ter esta revelação.

Namasté!

Leia também:
Nós já estamos num mundo melhor
Perfeição
Nós somos maravilhosos

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ressonância – A nova química do amor


Bárbara Miller Fishman, PhD.
Tradução – Pedro Ribeiro
Rio de Janeiro: Rocco, 1999
282p



Para quem acha que relacionamento não tem manual, vai aí mais um (dentre tantos que já li). Muito útil as ideias que a autora, uma terapeuta de casais, reuniu ao longo de trinta anos de trabalho.

Neste livro ela descreve um tipo de relacionamento, ressonante que todos almejamos, mas poucos reproduzem. E para isso ela classifica três tipos de visões de amor que é aquilo que você espera de um relacionamento, incluindo aí crenças e aprendizados. Ela classifica como relacionamento de Troca, aquele em que a s necessidades individuais estão em primeiro lugar. Relacionamento de Fusão, aquele que as necessidades do outro e do casal prevalece. E relacionamento Ressonante, aquele que sabe misturar união e separação, individualidade e comunhão.

Sugere ferramenta para exercitar essa ressonância, como focalização (entrar em contato com sua voz interior), visão dupla (poder captar os sentimentos e pensamentos do parceiro como ele os reproduz) e a intenção ressonante que é o compromisso de alterar velhos padrões e criar um relacionamento baseado na escuta dos dois participantes.

Fora isso tem um ótimo capítulo sobre controle e poder, além de uma para raiva. Sem, esquecer das atitudes de gênero cristalizadas, o sexo e como lidar com dinheiro no relacionamento. Como disse, só não tem manual para quem não quer aprender a viver melhor!

Boa leitura!

Leia também:
Calar faz bem?
Verdade e Amor romântico combinam?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sexo Obrigatório?




Nem todo mundo aprecia o sexo... Outro dia na novela das nove, na Globo, uma garota, que até então não via nada demais em fazer sexo, disse, depois de uma transa “especialista” (que reedita o mito do homem que sabe fazer) disse que agora entendia porque muita gente não gostava de sexo, era porque não tinha transado “direito” que quando alguém faz sexo certo tem tanto prazer que não pára de querer transar nunca.

Achei tudo muito antigo nesta personagem “moderna”. Primeiro, ela ainda acha que o sexo foi feito nela, alguém de fora que nem a conhecia, sabia todos seus pontos sensíveis. E ele é que fez isso com ela, o sexo foi bom por causa dele; ela é um ser passivo, que recebe o conhecimento de alguém tarimbado no assunto. Pode até ser que exista, ainda, esse tipo de experiência no mundo, mas nem sempre o que acontece é, ou deveria ser, regra de comportamento. Hoje a mulher sabe que é responsável pelo seu prazer no sexo, não existe o Don Juan aquele que sabe extrair gozo.

Segundo, o clichê de dizer que quem não aprecia fazer sexo é porque não fez direito... Muita gente diz que comer buchada é um passeio no céu. Eu não sou fã, nem por isso me considero alguém com problemas. Todo mundo não precisa gostar das mesmas coisas. E sexo não é a última coca-cola do deserto. Parece algo obrigatório, quem não gosta é esquisito e tem problemas, como quem não gosta de samba... Acho isso um preconceito. Conheço gente que não gosta de chocolate, nem por isso ele é problemático ou reprimido. Porque é obrigatório você ser alucinado por sexo?!

Como sexo é um alívio de tensão, claro que uma hora ou outra todos fazemos, como quem faz cocô e xixi. Mas não é necessário que o coloquemos num altar e o reverenciemos como um deus. É só algo que fazemos de tempo em tempo e que por aliviar uma tensão dá prazer. Já disse que supervalorizamos o sexo (Sexo, vida e confusão) Agora digo, nós criamos preconceitos com quem não vê essas coisas toda na prática. Será mesmo que todo mundo tem que gostar muito, ser alucinado por isso mesmo??

Acho que as pessoas são diferentes, alguém pode ter sua vida girando em torno de fazer sexo e outra pode até preterir disso sem nenhum dano ao desfrute de sua vida. E todos estão sãos! Vai do gosto. Não existe um só jeito certo de apreciar a vida.

Deixemos em paz, então, os diferentes de nós e deixemos nossas mentes arejadas. Para mim, isso é ser moderno.

Namasté!

Leia também:
Onze Minutos
Mulheres Sexo Verdades Mentiras