sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fazer ou não fazer, eis a questão



Recentemente estava conversando com uma pessoa e tentando fazê-la enxergar sua própria responsabilidade em um assunto que a estava incomodando. E percebi muita resistência em simplesmente admitir, era só constatar: O outro tinha sua parte no assunto, mas eu também não fiz isso ou aquilo e contribui para o problema.

Pensando sobre esse evento entendi que a pessoa não estava resistindo a admitir, ela estava resistindo a fazer alguma coisa. Vi que se ela assumisse sua responsabilidade, achava que teria que se mexer, teria que realizar coisas que não estava com vontade. Então o mais fácil era negar tudo, inclusive o óbvio.

Gostaria de dizer que descobri que não somos obrigados a fazer algo, depois de uma constatação. A nossa escolha pode ser apenas: Eu não gosto disso, mas ainda não quero fazer nada a respeito. E isso não diminui em nada nosso valor. Esqueçamos os filmes de Hollywood, as frases de efeito e as exortações mais comuns.

Façamos diferente, sejamos realmente livres! Eu posso escolher ficar na “merda”! Eu posso escolher ser preguiçosa, inativa, desleixada; eu não preciso negar algo que está na cara por medo de ter que fazer algo a respeito.

O primeiro passo é sempre visualizar. Se depois já for hora de agir, não precisamos nos preocupar a ação nascerá sem esforço extra. Acho pior negar a realidade por que somos obrigados pela opinião dos outros e as críticas a fazer malabarismos e ações que ainda não são de nosso interesse.

Pela minha experiência, tudo aquilo que precisei fazer, nasceu na hora certa em mim e não foi a decisão do vizinho que me empurrou. Não tenho medo de ver, mesmo que ainda não tenha força para mudar a situação. Simplesmente aceitei, não está bom, mas eu ainda não tenho interesse em mudar. Na hora que precisar mesmo você se mexe, mas não antes de aceitar o fato. Negar só adia a manifestação da sua força para mudanças.

Não tenha medo do julgamento alheio, cada um sabe onde seu calo aperta. Deixe que o outro tenha a suposição dele e siga se orientando por sua intuição.

Namasté!

Leia também:
O álcool e a língua solta
O perfeito erra?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Poesias que li e Gostei


Cezanne Bathers 1890


Descobri que gosto de alguns tipos de poesia, defini como filosóficas, talvez... Mas percebo que tem uns escritos que me dizem coisas e outros não. Resolvi, então colecionar estes poemas parecidos comigo.
O primeiro será um de Adélia Prado, que li numa revista.


Argumento

Tenho três namorados.

Um na Europa que é um boneco de gelo.

outro na cidade vendo futebol no rádio

e o terceiro tocando violão na roça.

Todos mamíferos, sangue vermelho e ossos friáveis.

Um deles cuspiu no chão, o que escolhi para casar.

Mesmo tendo feito o que fez, só ele me perdoará.


Adélia Prado (livro A Duração do Dia, ed. Record)


Achei inteligente a escolha dela, só quem erra pode perdoar. E isso é um requisito importante para o conjuge.

O quadro de Cézanne, eu imaginei que eram os três amantes destacados, mais alguns que ainda poderiam vir...

Bjs!


Para saber mais clique em:

A Duração do Dia
Adélia Prado

Paul Cézanne

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vida Poética



Religião é feito poesia. Não é uma comunicação que está na cara, é mais como um texto cifrado. É preciso decodificá-lo e nem sempre o melhor caminho é o uso da razão. Eu tenho dificuldade com poesia, não gosto de ficar muito tempo tentando saber o que o autor quis dizer com tantas figuras de linguagem, normalmente prefiro o texto direto, uma prosa enxuta.

Quando me atrevo a escrever algo parecido com poesia é sempre com palavras objetivas e diretas, mas sei que para quem aprecia o estilo poético, bom mesmo é ir descobrindo pouco a pouco o segredo do poema.

Penso que religião ou a religiosidade (porque não estou falando aqui sobre instituições e sim sobre um estado mental e os rituais que despertam este estado) é um poema a ser desvendado, um mistério em que o núcleo está escondido e só indo muito profundamente, devagar, e com dedicação você toca.

E quando chega lá é uma experiência, não uma explicação, que você encontra e isso não é possível de passar para outra pessoa. A única coisa que se pode dar é o poema e dizer: leia e sinta, tenha sua própria vivência deste mistério.

A religião e a poesia são caminhos para se desfrutar de nosso aspecto mais refinado, do nosso supérfluo, daquilo que só chega depois de nossas necessidades básicas serem supridas. E aqui eu não estou falando que pessoas pobres não chegam neste ponto. A riqueza aqui é a compreensão de plenitude interior. Porém segurança, conforto e alimentação mínima devam existir, senão não é possível penetrar no domínio da beleza, religiosa ou poética.

Alimentemo-nos também de poesia e religiosidade, essa é nossa beleza, nosso “upgrade”, nosso potencial de refinamento. Decifremos o código com sensibilidade e afeto. E em retribuição a vida retorna mais gostosa.

Namasté!

Leia também:
Vida Bumerangue
Sabedoria, coragem, fé 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

M.Pokora - A nos actes Manques

A Vanessa do Fio de Ariadne nos convidou para uma blogagem musical o Soltando o Som 2ª edição, com a sugestão "O que anda tocando na sua cabeça agora ou que não pode parar de tocar nunca."


Então, aí vai o que está tocando agora na minha cabeça!






Esta música é tocar e dançar, desafio você ouvir e não mexer nada! rrsrs

É um tipo de som que me faz alegre pra cima, estou ouvindo tanto que quase já sei falar francês...

Quero agradecer ao M. Pokora, pela brilhante ideia de gravar esta música e me fazer dançar muito!

Dance também!!!!


Abaixo o Link da letra (para cantar bem alto) e a tradução (para saber o que está cantando!)

A nos Actes Manques


Uma Lista das músicas da minha infância e adolescência, que me marcaram:

A filha da Chiquita bacana - Caetano Veloso
Mulheres de Athenas - Chico Buarque
Palco - Gilberto Gil
Music and me - Michael Jackson
Clarear - Roupa Nova
Quando o carnaval chegar - Quarteto em Cy
Gipsy - FleetwoodMac
September - Earth, wind and fire
Dancing Queen - ABBA
Espanhola - Flávio Venturini
Bola de Meia, bola de Gude - 14 Bis
O Leãozinho - Caetano Veloso
Chocolate - Tim Maia
Eu só quero um xodó - Domiguinhos
Preta, pretinha - Novos Baianos
O Vira - Secos e Molhados


Para ver os outros participantes do Solta o som: clique aqui 
A lista está a direita logo abaixo do selo da blogagem!




sexta-feira, 15 de julho de 2011

Uma Bandeira mais alta



Um dia desses assisti no programa Mais Você, (veja no YouTube) uma entrevista com Antônio Bandeiras e me peguei tendo inveja dele... De sua serenidade, centramento, conhecimento, daquilo que ele conseguiu extrair de sua estada na terra. Ele tinha uma resposta boa para as perguntas feitas, a forma como se relacionava com sua família, o trabalho de compartilhamento na sua fundação, a relação com o alimento e com suas rugas.

Pensei que ele representava uma vida bem vivida, bem aproveitada. E acho que uma resposta dele me fez pensar assim, quando ele falou sobre o que mais tinha gostado do seu trabalho como ator: a oportunidade de viajar e conhecer modos diferentes de viver. Claro que não precisamos fazer isso só viajando, mas acredito que experimentar e reconhecer culturas diferentes em países ou indivíduos (que são países mais móveis) é uma das melhores formas de gastar seu tempo aqui.

Desfrutar de paisagens naturais e pessoais, contemplar, admirar, observar e adicionar isso à suas células, trazer o mundo para dentro de seu corpo através dos seus sentidos e crescer a partir disso, no meu entender, é uma das formas mais inteligentes de usar o tempo que temos na terra.

Eu vi isso, nos gestos, tom de voz e pensamento de Antônio Bandeiras, me surpreendi, mas depois que ele falou ser praticante de Ioga, eu entendi. A inveja veio do sentimento dele ter feito isso com mais competência que eu... Achei que diante dele eu era principiante e ele só tem oito anos a mais que eu...

Bom. Para curar este sentimento eu pensei que foi bom ter conhecimento que alguém no mundo fez isso melhor que eu; isso é motivo para comemoração! Eu posso, se não estiver satisfeita comigo, fazer ajustes e melhorias ou apenas admitir que eu não preciso ser melhor que ele, apenas eu mesma. De qualquer forma quero registrar aqui meu agradecimento ao Mestre Bandeiras. Namasté Antônio!

Namasté!

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Educação Espiritual
Santo de casa não faz milagre

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Espera


 A Espera Pinta Flores


O trágico na mulher:
Ter que esperar a iniciativa do outro
O telefonema no dia seguinte,
O convite para sair,
O desejo de transar,
A vontade de casar.
Há séculos as mulheres esperam,
Mas quando tomam a iniciativa,
Cansada de esperar o desejo masculino,
São taxadas de pouco femininas...
é saber esperar,
Mas será que
Ficaremos para sempre
a olhar ansiosas para ver
Nosso desejo refletido
No desejo do outro?

16/11/09
Nanda Botelho

Inspirado num quadro de Nino Ferreira - A Espera Pinta Flores (2007)

Além de talentoso, Nino é um amigo dos melhores, gentil, prestativo, honesto. Pessoa da melhor qualidade que tive a sorte de conhecer. Espero para ele todo o sucesso e alegria que a vida possa lhe dar!

Obrigada pelo seu afeto!

Para conhecer seu trabalho é só clicar em seu nome, abaixo do quadro!


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Amor e Estudo

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Amém




A religião não tem lógica e não pode ser entendida através da cognição, do racional. Acho que é por isso que os pensadores a repudiam, não vêem sentido nos atos e rituais religiosos. Esta é uma coisa que se sente, não precisamos entender ou explicar, não precisamos de provas de verdade. Ela faz parte de outro aspecto do ser humano, um mais intuitivo, até mais infantil mesmo, o mundo mágico que também é real e concreto, apenas diferente e complementar ao mundo intelectual.

Sem ela a vida perde o colorido, fica só trágica e sem sentido, talvez seja por isso que algumas pessoas muito materialistas terminam se matando, acho que elas amputam de si uma parte importante para a saúde. Tanto quanto intelecto. Religião não se explica, se vivencia se experimenta.

Por muito tempo eu questionei, porque pessoas inteligentes se aferravam à religião, já que toda base era fantasiosa com deuses construindo o mundo em seis dias, virgens dando luz, mortos ressuscitando. Para mim tudo parecia fazer parte de um livro de realidade fantástica, um engodo, que pessoas inteligentes não deveriam engolir.

Hoje sei que pessoas realmente inteligentes, não descartam nenhum aspecto de si, elas não negam seu lado fantástico e experimentam o inexplicável o, aparentemente irreal; o louco e sem lógica e deixam o cognitivo para a vida em outros aspectos. Os dois lados coexistem num ser total. E não é um medo da morte ou do horror da vida que os levam vivenciar a religião, é o contrário, é uma experiência mística de vida, passada através de rituais ilógicos, que nos tiram de tempo, do linear, do racional e nos levam a experimentar coisas muito esquisitas e diferentes, mas profundamente intensas e reais.

Isso dá colorido à vida mundana, realça o intelecto, gera criatividade, fortalece a confiança, nos leva a viver melhor; sem nos distanciar do racional, do pensar. Mas na hora da religião o lado do cérebro que funciona mais é outro, e acho que ninguém vive uma vida completa se não permitir que os dois lados se realizem.
Precisamos do racional e do irracional, do analítico e do louco, da explicação e do mistério, do real e do imaginário, para sermos completos.

Amém!

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A ciência não exclui deus
Deus é um alvo grande

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Casais Inteligentes Enriquecem Juntos


Gustavo Cerbasi
São Paulo: Editora Gente, 2004



Um bom livro para essa nova fase do Brasil. O autor ensina como lidar com dinheiro, usando de planejamento para criar independência financeira. Um conceito fantástico de fazer o dinheiro trabalhar para gente e usar os bancos a nosso favor. Acredito que precisamos aprender a lidar melhor com o dinheiro.

Devemos querer prosperar, mas sem esperar milagres. Saber que podemos, com raciocínio e perseverança criar, nós mesmos, as riquezas que desejamos. É ser o senhor do dinheiro e não o contrário. Gustavo Cerbasi é um professor de finanças, que sugere aprendermos a poupar e ter dinheiro antes das compras. E no final do livro diz que esse hábito pode até reverberar num país mais rico. Pois os juros baixariam, as empresas teriam melhores condições de ter dinheiro para crescer, tendo mais riqueza em circulação e o mercado teria um comportamento mais previsível.

Penso que devemos mesmo aprender a lidar com o dinheiro, saber poupá-lo e gastá-lo. Muito do mal estar da humanidade vem da sensação de pobreza e desejo de ter mais. O que termina acontecendo é que viramos escravos das coisas, trabalhando eternamente dezesseis horas para poder manter tudo que dizem que a gente precisa ter para ser feliz... Sei não...

O livro diz: quebre este círculo, mude os hábitos com o dinheiro, planeje! E produza riqueza!

“Gastem menos do que vocês ganham e invistam a diferença. Depois reinvistam seus retornos até atingir uma massa crítica de capital que gere a renda que desejam para o resto da vida.”

“Meu trabalho de pesquisa em finanças pessoais tem como foco a idéia de que uma vida planejada e com objetivo é mais feliz.”

Eu já vi uma pessoa criar uma empresa partindo de um real. Uma mulher simples, sem muito estudo, mas muito criativa. Portanto acho que isso é possível. ( globo repórter)

Boa leitura!


Leia Também:
Eu apoio a educação financeira infantil
O sonhador

sexta-feira, 1 de julho de 2011

As Diferenças



Li recentemente um livro, já antigo, da década de 90, sobre relacionamento. (Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus). E uma frase me chamou atenção: “Homens e mulheres pensam e processam as informações de maneira muito diferentes.”

O livro fez muito sucesso, já se passou uma década e ainda não aprendemos, de verdade, isso. Ainda hoje escuto a reclamação básica: “Se fosse eu não faria assim...” É, mas o outro não é você. Ele é di-fe-re-te! E não é porque é homem ou mulher é porque é outro. Já me deparei com casais do mesmo sexo, com os mesmos problemas.

Precisamos, se queremos ser felizes, aprender, de uma vez por todas que o outro não é um reflexo seu, não é uma extensão. Devemos sair do nosso narcisismo, nosso egocentrismo, de achar que só nós sabemos o que é melhor para viver. Eu ainda não ouvi alguém contar uma história dizendo que ela é o vilão. Somos sempre heróis em nossas histórias. O outro é o coisa ruim, o que faz tudo errado, o insuportável; seja o vizinho, o marido, a filha, a chefe, o sogro, a cunhada e por aí vai.

Uma década se passou que descobrimos cientificamente que os homens e mulheres pensam e processam informações de maneira diferente e ainda não assimilamos isso no dia dia. Reclamamos das mesmas coisas. Sem nos interessas de conhecer melhor essas diferenças e ver como conviver com elas, sem o desejo de abafar essa diferença do outro. Ainda achamos que a solução para nosso incômodo é a mudança do comportamento do outro, afinal ele é o vilão, o ruim na história, é ele/ela quem deve mudar para minha vida melhorar. Eu sou um santo que aguento este outro que é “o inferno”.

Convido a saírem de seus casulos e tronos e aprenderem que a diferença do outro é apenas, a diferença dele em relação a mim. A pergunta deveria ser: Como posso aprender a conviver com isso? (feita pelas duas partes envolvidas) Será que vamos precisar de outra década?

Namasté!

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