segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Questionamento sobre Infidelidade





Acho a palavra infidelidade (para descrever o comportamento extra conjugal de um consorte) esquisita. Para mim melhor é deslealdade, que é a falta de sinceridade, franqueza, honestidade ou mais simplesmente: mentira. Já que a maioria não conta, antes de se envolver com um terceiro, para o parceiro/a.

E tem outra coisa... Porque a infidelidade ou traição só é considerada se for sexual? Pelo menos é o que se fala. “Mas querido/a não aconteceu nada...” Nada aí é o ato sexual, viu? Penso que talvez seja assim por ser a única coisa que podemos restringir e exigir exclusividade do outro. Já pensou se isso valesse para o sorriso, abraço, beijo (na bochecha)?

O sexo se tornou um marco do nível de intimidade e exclusividade entre o casal. É algo que podemos medir e limitar e sonhamos que controlamos. O delírio pior é que pensamos controlar os impulsos sexuais do outro, não se controla nem os próprios! Mas se almeja controlar o alheio... Depois dizem que somos sãos!

Isso tudo, se pararmos para pensar, é muito estranho. Essa perturbação em que os seres humanos vivem, tomando conta dos órgãos sexuais uns dos outros. E sofrendo por saber, lá no fundo, que não conseguem.

Fecho com as palavras de De Rose no livro Alternativas de Relacionamento Afetivo:

“O que não é fiel é o comportamento. Fidelidade é quando há uma cópia exata de algo. Se você faz um tipo de discurso, para ser fiel, deve se comportar como discursa. Então se você fala uma coisa e faz outra está sendo infiel, não exato”

Que tal fazer o que fala? Ou falar o que realmente faz?

Namasté!


Leia também:

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Trovão no Piquenique





Woody Allen, com seu humor de sempre, fez duas declarações, sobre a morte, que achei interessante:

“A morte é como o som de um trovão distante num dia de piquenique” (Edith Wharton)

“A morte está sempre lá mesmo quando você está muito feliz.”


Fonte Isto é 22/07/11


Acredito que a maior parte de nós sente da mesma forma o que chamamos de morte. Uma interrupção, um fim, uma ameaça a nossa alegria. Aprendemos, com nosso instinto, que devemos evitar, a todo custo, morrer. Mas sabemos, por nosso intelecto, que isso é impossível. Penso que este é o grande dilema humano, o causador de todos os outros desconfortos e comportamentos estranhos.

Está pensando que estou exagerando? Bem, pode ser... Mas isto é só uma hipótese mesmo, não é? Então eu posso brincar com a idéia mesmo que ela esteja superlativa. Que outra causa melhor podemos encontrar para o desejo humanos de marcar a história, seja por fatos heróicos ou monumentos extraordinários?

E a ânsia de ter poder e comandar todo o resto do mundo, como nos desenho animados, que o plano é sempre dominar o planeta? Será que não é para aplacar o mal estar provocado pelo conhecimento de que, querendo ou não, vamos desaparecer?

Tomo como exemplo uma pessoa como eu, uma quase ninguém com poucos conhecidos, sem filhos, nem muitos parentes, alguém que não ultrapassou muito o seu bairro (não estou contando a internet). Quantos anos você dá para, depois de minha morte, eu estar completamente esquecida? Eu aposto em uns 5 anos, no máximo, estourando. Aqui na internet, eu nem precisei morrer, foi só desaparecer um pouco e a vida tomou outro rumo, claro que com algumas exceções.

Eu estarei completamente esquecida, provavelmente cinco anos depois de minha morte. E isso para um ego é assustador. É o trovão dizendo que vai acabar com o piquenique. Para aplacar esta sensação tenho treinado desaparecer, sugestão de meu mestre Osho. Imagine que você não está mais presente, diz ele, e que as pessoas estão fazendo tudo que precisam sem você. Tudo continua, além de você. Por um lado dá uma paz, mas como ainda não estou totalmente liberta, também sinto a angústia da desimportância. É o trovão me lembrando do inevitável.

Namasté!

Leia também:

Um texto interessante do Osho:
E se alguém te matar, Osho?