Acho a palavra infidelidade (para descrever o comportamento extra conjugal de um consorte) esquisita. Para mim melhor é deslealdade, que é a
falta de sinceridade, franqueza, honestidade ou mais simplesmente: mentira. Já
que a maioria não conta, antes de se envolver com um terceiro, para o
parceiro/a.
E tem outra coisa... Porque a infidelidade ou traição só é
considerada se for sexual? Pelo menos é o que se fala. “Mas querido/a não
aconteceu nada...” Nada aí é o ato sexual, viu? Penso que talvez seja assim por
ser a única coisa que podemos restringir e exigir exclusividade do outro. Já
pensou se isso valesse para o sorriso, abraço, beijo (na bochecha)?
O sexo se tornou um marco do nível de intimidade e exclusividade
entre o casal. É algo que podemos medir e limitar e sonhamos que controlamos. O
delírio pior é que pensamos controlar os impulsos sexuais do outro, não se
controla nem os próprios! Mas se almeja controlar o alheio... Depois dizem que
somos sãos!
Isso tudo, se pararmos para pensar, é muito estranho. Essa
perturbação em que os seres humanos vivem, tomando conta dos órgãos sexuais uns
dos outros. E sofrendo por saber, lá no fundo, que não conseguem.
Fecho com as palavras de De Rose no livro Alternativas de
Relacionamento Afetivo:
“O que não é fiel é o comportamento. Fidelidade é quando há
uma cópia exata de algo. Se você faz um tipo de discurso, para ser fiel, deve se
comportar como discursa. Então se você fala uma coisa e faz outra está sendo
infiel, não exato”
Que tal fazer o que fala? Ou falar o que realmente faz?
Namasté!
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