sábado, 28 de abril de 2012

O Primeiro Ferimento





Tenho a teoria da dor amorosa inaugural. É quando no início de nossa vida amorosa nos sentimos traídos ou mal cuidados. Geralmente nos apaixonamos por volta dos 14 /15 anos e neste estágio não somos muito cuidadosos com os sentimentos dos outros, nem conseguimos segurar muito nossos impulsos. O resultado é que terminamos magoando e sendo magoados numa idade que  tudo é muito intenso e eternizado.

Carregamos essa ferida mal cicatrizada por décadas e vamos para outras relações amorosas com muito medo e desconfiados. Temos a nítida impressão que vai acontecer tudo de novo. Que vamos sentir dor. Então nos protegemos, fugindo de namoros ou mesmo nos envolvendo, porém com várias defesas, que nos distanciam de nossos sentimentos Às vezes ficamos agressivos e desleixados com o amor romântico. E vamos deixando rastros de desencontros vida a fora.

Temos dificuldade em acreditar no melhor porque as experiências, nossas e a dos outros, nos dizem que isso não dá certo, que todos ficam insatisfeitos e que em algum momento vamos sofrer. Existem dois mecanismos no nosso organismo, um que é pessimista e aposta no pior e outro esperançoso que imagina o melhor. O segundo nos empurra para o próximo relacionamento e o primeiro avisa-nos que é uma roubada; ficamos no meio de duas forças exageradas e ilusórias e terminamos cumprindo a profecia do amor doloroso.

Para acabar com isso é preciso assumir responsabilidade na construção de uma relação, saber escolher um parceiro acrescentando a inteligência e não só a paixão e se esforçar, por um tempo, para acertar as diferenças entre o par. Isso leva tempo, dedicação, maturidade, persistência (e não tem nenhuma garantia) coisa que não nos dizem que precisamos para amar.

Fugir só funciona no começo, depois leva à decepção. Descobrir isso é a função da busca por si mesmo, o autoconhecimento. Só quem teve coragem de olhar realmente para si pode quebrar o círculo vicioso do amor romântico. O caminho desse tipo de amor é trilhado por bravos e só eles conseguem o prêmio do final do caminho.


Namasté!