terça-feira, 19 de junho de 2012

Devagar, devagarinho




Algumas pessoas notaram que eu estou publicando menos. Isto se deve a dois motivos. O primeiro é preguiça, esse negócio de ficar com obrigação de escrever me cansou. O segundo é rebeldia, eu sou naturalmente do contra, quando todo mundo diz pra fazer de um jeito eu faço de outro.

Disseram-me que devia publicar todo dia, pois as pessoas estão ávidas de novidade e que exigiam isso, então para ser lida eu tinha que ser vertiginosa nas publicações. Lançando questionamentos alucinados e talvez até de hora em hora, este é o ritmo da net, ouvi por aí...

Até acredito nisso, mas não quero fazer assim, eu até tentei, mas realmente não é minha onda. Nasci antes da net, sou de um tempo mais lento e fui diminuindo o ritmo até uma publicação mensal, porém sem obrigação; se vier eu publico, se não, nada de texto. Este por exemplo, é o segundo que escrevo este mês, veio na cabeça e eu estava com disponibilidade para escrever. Contudo pode ser que passe dois meses sem escrever nada. Vai ser surpresa, o dia, o momento da publicação. Serei intermitente.

Penso também que ficar engolindo informação dá congestão, não serei mais uma a enfiar goela abaixo um bando de palavras que não fazem sentido, só porque as pessoas querem novidade. Quem me ler terá que degustar. Voltar mais de uma vez para o mesmo texto e lê-lo de maneira diferente, até se surpreender com outro texto que virá sem ninguém saber quando, nem mesmo eu. Acompanharei o mistério da vida.

Se ficar sozinha nesta viagem, tudo bem. Se a net me rejeitar por ser uma tartaruga, tá certo. Eu é que não vou me curvar às necessidades alheias. Quem quiser saborear, ler mais de uma vez, refletir, passar um tempo observando um tema, vai gostar. Quem gosta de surpresa também. Treinaremos a paciência, pois o texto não virá no nosso tempo, mas no tempo dele mesmo. Às vezes mais rápido, às vezes mais lento. Ou não virá de modo algum, quem sabe? Esta sou eu na net.

Namasté!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Caminhar Juntos




Li um texto sobre casamento ( Será mesmo a perda da identidade?). Como sempre me boto a pensar... O casamento precisa mesmo ter todos aqueles requisitos de comprometimento ditado anos a fio? Será que para estar com o outro eu preciso abrir mão das minhas preferências? Eu preciso realmente me unir a alguém? E se me unir preciso usar os moldes tradicionais? E se eu não usá-los, minha união estará fadada ao insucesso?

A maioria das pessoas que leio ou escuto falar sobre casamento, tem uma percepção parecida. O compromisso tem que ter algo de abdicar, senão não estaríamos investindo no relacionamento. E se o outro não sente que estamos "investindo" se sente inseguro para ser nosso companheiro. Temos que dar provas eternas de que estaremos lá, quando se precisar, mas ninguém sabe realmente isso.

Penso então que o casamento até hoje é algo feito de ilusões. Promessas que não são garantias, mas que tratamos como se fosse. E quando a coisa muda a dor é grande, pois cair das nuvens não é fácil. Não sou contra união, acho legal andar em par. E penso que deveria ser uma escolha, se estou escolhendo posso "desescolher", e a qualquer momento, e o meu par deve saber isso. Aí me perguntam; e se compramos uma casa juntos ou se tivermos um filho? Essas não são escolhas do casamento, se estou comprando uma casa devo pagar até o fim, se tive um filho devo cuidar dele até ele ser um adulto, com ou sem casamento. Para mim são escolhas separadas. E a de ter filhos é irrevogável... Não se pode devolvê-los...

Agora, ser um par não exige constância. Se acreditamos nisso, somos tolos. A não ser que tratemos o relacionamento como um negócio, uma sociedade. Isso não é para mim. Meu compromisso amoroso é hoje, amanhã não sei. O resto meu parceiro pode contar, se eu não morrer antes dele, pagarei todas as contas que fizemos juntos. Meu afeto ele terá enquanto fluir. Não posso forjar isso. Não está nas minhas mãos. Não sei como faz para reproduzir e o que eu não controlo não posso prometer ao outro.

Tenho um relacionamento anormal há quase 16 anos, tudo torto, mas estou bem satisfeita. Sou acompanhada por alguém perfeito para minhas loucuras experimentais. Só posso falar do que já passou, o futuro a vida pertence, não tenho a mínima ideia do que acontecerá e não tenho nenhuma garantia. Também não dou nenhuma, não sou produto de fábrica. O que vivemos já valeu, não construímos nada, a não ser um céu aberto, dá medo, mas que vida não dá?


Namasté!