quinta-feira, 26 de julho de 2012

Inclassificável



Dia desses, por causa de um cadastro, perguntaram minha profissão. E eu sempre demoro a responder esta pergunta, porque não sei bem como classificar o que faço em uma palavra, sendo honesta com minha tarefa e não me inserindo na seara de outros profissionais.

Meu trabalho é inclassificável.

Sou formada em Psicologia, mas não sou psicóloga; por uma questão prática, suspendi meu número do conselho e por uma questão metodológica, uso técnicas que não são consideradas psicológicas, como Reiki, Florais de Bach e Tarô. Não sou Terapeuta Holística, porque, apesar de usar técnicas assim chamadas, não as utilizo da maneira que se orienta nesta área. Posso até dispensá-las, pois considero mais um recurso extra do que o foco do trabalho.

Às vezes me sinto uma psico-educadora, mas não tenho formação pedagógica. Então não sei se o termo se aplica, sem ofender a turma da educação...

Meu trabalho parece filosófico, mas também não tenho essa formação para chamá-lo assim. Tem traços de busca espiritual, o problema é que não sou um ser Iluminado, como os mestre que se colocam nesta posição, então não fico confortável de ser uma mestra.

Eu ajudo as pessoas a pensarem melhor, sobre si e sobre a vida, ajudo a refazerem conceitos que podem ser mais adequados ao seus estilos de vida e que se aplicado podem trazer mais contentamento. Faço um tipo de maternagem, uma re-educação emocional, fazendo com que fique mais claro o que cada um sente sobre si e sobre o mundo.

Busco a lucidez intelectual e emocional, junto com as pessoas que me procuram para atendimento. Apoio, oriento, explico, elaboro e deixo o outro livre para escolher seu próprio caminho. Dou conselhos, quando acho que é pertinente, como sugestões de ação, não como uma regra a ser seguida. Funciona com uns e não funciona com  outros.

Eu só não sei nomear o que faço, acredito que o termo psico-educação é o que mais se aproxima, mas não sei se posso usá-lo. E usando-o se as pessoas iriam entender.

Então toda vez que me perguntam: Qual sua profissão? Sai algo diferente e depois de algum tempo pensando... Desta última vez saiu psicoterapeuta que é mais fácil de ser entendido, mas não estou muito certa que me encaixo aí.

Afinal eu não me encaixo, sou inadequada e não adaptada, estou na margem, sou desviante. Mas não se preocupem, sou justa e transparente então ninguém se dá mal comigo, pois todos sabem onde estão se metendo e são livres para saírem de perto quando quiserem.

Namasté!

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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Indignação?




Como vocês sabem eu assisto novelas, desde que me entendo por gente, gosto de histórias. Bom, ao assistir esses folhetins me deparo sempre com uma cena que me deixa... Digamos... Incomodada. É a tal cena de indignação, quando se descobre que alguém mentiu. Fica parecendo que o indignado nunca proferiu uma mentirinha qualquer.

Ele lança uma ira demoníaca a quem cometeu a "falha" e se torna mártir de uma causa nobre: A Verdade.

Pois bem, porque isso me incomoda? Tenho impaciência com ignorância. É uma falha minha, ainda sendo trabalhada. Irrito-me com a postura escamoteada que temos ao julgar falhas alheias. Não estou dizendo que defendo a mentira, para mim ela é uma tolice, é uma vontade de proteger nosso ego. Deveríamos mesmo ser mais honestos e perder ou passar vergonha com nossas escolhas. Sim, porque, se pensarmos bem, mentimos, basicamente, por dois motivos: medo de perder ou medo de ser humilhado, de passar vergonha.

Deveríamos estar mais prontos para perder e não deveríamos ser tão vaidosos, mas não estamos aí, então todos nós mentimos, mais cedo ou mais tarde.

A resposta raivosa à mentira é outra mentira. Dizemos com ela: "eu não minto e sou vítima". Eu não acredito em vítimas, construimos a mentira do outro junto com ele, somos co-autores e se formos bem sinceros veremos. E essa resposta indignada evita que constatemos isso e que resolvamos a questão em si. Jogamos a responsabilidade no outro, não nos implicamos na questão e ainda somos amparados socialmente. É um truque, mais maldoso que a própria mentira. Nos descuidamos do outro, ficamos preguiçosos na relação, a mentira se instala e nem queremos saber, aí ela se mostra para a gente e ao invés de perguntarmos: como foi que aconteceu? Quando foi que me distrai? Porque o outro precisou desse artifício? Onde eu colaborei para que isso acontecesse? A gente faz uma cena, mostra um beicinho e diz: O outro é o inferno! O outro é mau e só ele, eu sou inocente e ingênua, confio e sou traída... Toda essa lenga-lenga que no fundo é também mentirosa. E uma mentira mais nociva até! Porque engana a si mesmo.

Precisamos assumir responsabilidade sobre as coisas ruins e boas que acontecem com a gente, nós somos participantes ativos de nossas vidas. Já podemos sair do papel de vítimas e para isso precisamos de coragem e esforço, pois esta é uma conquista, ela não vem ao nosso encontro, nós temos que ir buscar.

Estou treinando paciência e elaborando minha própria necessidade de mentir, talvez um dia olhe esta cena com compaixão, mas hoje, não.

Namasté!

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