quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Guerra e Paz




Às vezes depois de algum tempo no caminho do autoconhecimento e desprendimento do eu, nossas falhas ficam tão sutis que temos a ilusão de terem desaparecido. Então surge alguém e nos mostra, com uma simples frase que estávamos apenas cegos.

Recentemente enxerguei meu pedantismo, arrogância e apego através de um novo amigo que "zombou" de mim, daquilo que eu professava. Coloquei aspas por que foi assim que vi e não posso dizer, com certeza, que foi o que ele fez.

No entanto isso não importa, o certo é que o que eu senti. Passei dois dias remoendo, raiva, indignação, mágoa. Pensei numa boa resposta para ele. Pensei numa resposta superior, numa resposta raivosa, numa resposta direta sobre meus sentimentos e a cada elaboração eu fiquei mais próxima da resposta certa. Aquela que aliviaria meu coração.

Mas eu só soube disso quando a encontrei. Foi uma jornada e tanto! E a encontrei no livro Sidarta de Hermann Hesse. "Mas, por mais que os caminhos se afastem do eu, ao fim sempre o reconduzem até ele." (pág. 24)

Eu pensava estar longe do eu, mas meu amigo refletiu, como um espelho, o que ainda está lá, um eu vaidoso, presente. E o insight veio e a resposta nasceu: Obrigada! E o alívio foi encontrado. A angústia, a raiva, a indignação desapareceram e deram lugar a um sentimento de paz e verdadeira gratidão.

Foi um bom mergulho, saber que habita em mim uma pedante orgulhosa e apegada. Ver é sempre melhor. Era ela quem estava agonizando e eu tenho compaixão por esse aspecto de mim. Eu aceito, acolho e amo.

Para meu amigo só tenho a dizer: Obrigada, obrigada, muito obrigada! Eu agora sinto paz.

Claro, até o próximo embate...

Namasté!

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