terça-feira, 25 de março de 2014

Casamento e Gaiola






Estava no estacionamento de uma loja de produtos de animais, quando vi um pássaro numa gaiola, acho que era uma calopsita, lindinha. Ela estava num espaço que pareceu pequeno. E fiquei pensando se ela estava gostando de viver daquele jeito.

Logo listei as vantagens; proteção, alimento certo e, se o dono fosse bom, muito carinho. Ele seria amado, mas será que valia o aprisionamento? Será que toda essa segurança era um valor razoável pela sua liberdade de ir e vir, de voar bem alto, de estar com outros de sua espécie, de fazer escolhas? Bom, não acho que animais fazem escolhas, pois seguem um padrão da natureza, com exceção é claro dos animais de Hollywood, mas sei lá!

Bom, aí transferi isto para um casamento. É bem parecido, você troca a liberdade de ir e vir e de escolher onde, quando e com quem quer estar, de acordo apenas com seu desejo, por uma sensação de segurança, de alimento afetivo certo, sem ter dúvidas se terá este alimento. É garantido. Ganha também proteção, pois o arranjo dá um certo sentimento de que não precisamos mais nos esforçar para receber atenção, carinho, companhia.

Mas do mesmo jeito que o pássaro, perdemos algumas coisas em troca deste sentimento. O pássaro, se tiver de asa perfeita e forte, pode, num descuido do dono, fugir. E o cônjuge também, então tratamos de cortar as asas da criatura, porque ninguém escolhe conforto pra sempre e tem uma hora que todos voam. Os humanos tem um recurso a mais que os animais. Eles sabem dissimular, fingir e para não perderem todas as vantagens, vivem duas vidas, na maioria dos casos. Eu também estou incluindo aí a imaginação, nem sempre realizamos, mas fatalmente fantasiamos.

Nenhum ser humano consegue ficar enjaulado por muito tempo, sem tentar um jeito de escapar. Talvez precisemos de maturidade para encarar este fato e incluir no casamento momentos de voo livre. Penso que assim é possível ter o melhor dos dois mundos sem precisar fingir.

Que tal soltar o pássaro de vez em quando e confiar no afeto construído como porto seguro para onde ele volta, claro isso valendo para qualquer dos participantes da brincadeira.

Namastê!
Gostou do texto? Compartilhe-o, clicando num dos botões abaixo!

quinta-feira, 20 de março de 2014

Superfície




Nós vivemos do lado de fora
Da terra.
Estamos em contato direto com
O universo
Protegidos apenas pelos
Campos de energia
circundantes de nosso planeta.
À noite a cortina azul clara,
Como pano de teatro, se abre
Em milhões de olhos brilhantes.
Que nos observam do escuro.
Podemos passar toda noite
Olhando nos olhos
de deus.

Nanda Botelho
23/11/95