domingo, 6 de abril de 2014

Morte




Os olhos abertos e vazios
janelas de uma casa sem morador.
O pulmão contraído.
E numa expiração
o ser se lança no universo
pra nunca mais voltar.
Na morte o corpo tem
uma necessidade plena de esvaziar.
Artérias secas,
a matéria dura e fria.
Para onde foi seu morador?
Pra onde foram os contrastes?
Qual o sentido?
O que acontece é:
num momento há um ser,
Depois um corpo desabitado.
É um truque que o mágico
nunca explicou.

Nanda Botelho
22/09/95