terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Sobre Errar

O que chamamos erro acontece no geral em duas ocasiões, quando miramos um resultado específico e quando nos comportamos de uma maneira que causa dor ou prejuízo em algo ou alguém. 

Nos ensinaram que quando erramos devemos nos sentir inferiores, incompetentes, maléficos, diminuídos. E isso nos provoca grande medo de cometer erro. Esta deveria ser a estratégia pra evitar o erro, fazer com que nos comportemos com mais cuidado, pra reduzir o dano. Toda nossa cultura tenta controlar nosso comportamento através do medo de ser inferior... 

O que acontece no entanto é que continuamos sendo descuidados e escondemos o erro da gente e dos outros. 

Ao existir, todos nós erramos alvos e geramos dor nos outros, isso é inevitável. Acredito que o melhor seria observar o que levou à isso e ajustar a mira novamente e novamente até acertarmos o alvo ou mudarmos de ideia sobre aquele alvo. No caso de gerar dor em alguém poderíamos observar se a expectativa do outro não foi que causou a dor dele. E como poderíamos equalizar nossa experiência de vida com a deste outro pra gerar o menos de dor que fosse possível. E se isso não desse jeito, se despedir desta pessoa com amor, já que parece não ser possível uma convivência não dolorosa. Penso que estas soluções são mais astutas...

O erro não precisa significar que somos inferiores, incompetentes, inúteis. É só uma coisa que acontece vez em quando, todos passamos por isso, o mundo é feito por pessoas que erram, mas fingem que não. Mentimos pra nós pra não sentirmos a dor da vaidade ferida. Mas se pudermos mudar o significado que damos ao erro, poderemos fazer dele um mestre. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Sobre Medo

O medo é uma emoção de resposta rápida pré instalado em nosso cérebro. Ele responde à uma interpretação de risco, perigo. Na medida que vamos crescendo aprendemos com as pessoas que cuidam de nós, e com nossas próprias experiências, o que devemos temer, que tipo de situação é um risco pra nossa saúde e sobrevivência. A partir do momento que aprendemos a resposta é ativada e fica automática, e, às vezes, fora do controle. 
Em minhas observações percebi que damos a resposta medo em algumas situações específicas e muitas vezes elas só existe em nossa imaginação. 
Sentimos medo quando acreditamos que algo ou alguém vai nos causar dor e desconforto; quando prestamos atenção podemos ver em que circunstâncias nós o ativamos. 

A resposta medo serve pra nos deixar alertas e desconfiados, assim nos protege do que pode ferir e causar dor. 
Na maioria das vezes isso acontece quando reconhecemos desaparo e risco de morte, ou dano sério à mente e ao corpo. 
O medo pode ativar a raiva pra ajudar a atacar aquilo que é perigoso ou a paralisia para fugir do risco. 
Podemos perceber o medo também ao nos reconhecer sem habilidades ou competência pra enfrentar uma situação ou na falta de confiança num desenrolar positivo da experiência. 
A partir de agora quando perceber o medo em você, observe o que ele está protegendo. Saiba se há risco real ou se é apenas um reflexo do passado. Respire de maneira lenta pra diminui-lo. Tirar o medo do automático nos ajuda a conduzir, por consciência, as respostas que damos aos eventos que a vida apresenta, facilitando assim a solução do problema. 
O medo não é inimigo, ele pode ser conduzido por nossa consciência e se tornar um facilitador de nossa vida. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Sobre Julgamento do mal

Nosso meio de raciocínio mais usado é o julgamento. Se prestarmos atenção em como pensamos, falamos e descrevemos as situações, iremos descobrir facilmente o quanto fazemos julgamentos.

Temos a impressão que sabemos exatamente como a vida deve ser vivida, como as pessoas devem de comportar, o que é melhor fazer. Também somos afeitos a rotular, dizemos: preguiçoso, desleixado, gente ruim, maldoso e agora o famosos tóxico.
Temos certeza que o outro fez ou deixou de fazer algo com o intuito de nos aborrecer e prejudicar, sim, porque todo o mal existe na figura que vive fora de mim. Em mim só existe bondade, justiça, equanimidade, honra, retidão. O mal do mundo é o outro. Eu sou o que recebe este mal injustamente, porque eu não fiz nada pra merecer isso. Sempre me comportei tão bem com a figura...

Somos todos morais até a raiz do cabelo. O outro é o imoral, errado e ruim. Somos todos os mocinhos tiranizados pelo vilão "o outro". Tudo que eu faço é me defender.

Esquecemos que nós somos o outro do outro... Na história dele o vilão somos nós, aquele que fez de propósito pra prejudicar, o que não pensa no outro e seus direitos, aquele que é o mal encarnado.

Costumo dizer que nunca conversei com um vilão... eu só conheço vítimas indefesas de pessoas tóxicas... que me procuram pra que eu dê fé no testemunho de sofrimento e razão dela.

A vítima vive de julgamentos e rótulos. É fácil narrar isso. Nesta posição sabemos descrever e interpretar os movimentos e ações alheios, apontar os problemas e as soluções, temos muita energia e inteligência para apontar falhas longe da gente.

O outro, este ser infernal que nos provoca, prejudica, humilha.

Colocamos a toga, pegamos o martelo e anunciamos a sentença, tão certos que estamos com a razão, que nem piscamos. E doido é aquele que questionar nosso veredicto.
Afinal nós enxergamos muito bem o mal. E ele está sempre fora de mim.