quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Sobre Julgamento do mal

Nosso meio de raciocínio mais usado é o julgamento. Se prestarmos atenção em como pensamos, falamos e descrevemos as situações, iremos descobrir facilmente o quanto fazemos julgamentos.

Temos a impressão que sabemos exatamente como a vida deve ser vivida, como as pessoas devem de comportar, o que é melhor fazer. Também somos afeitos a rotular, dizemos: preguiçoso, desleixado, gente ruim, maldoso e agora o famosos tóxico.
Temos certeza que o outro fez ou deixou de fazer algo com o intuito de nos aborrecer e prejudicar, sim, porque todo o mal existe na figura que vive fora de mim. Em mim só existe bondade, justiça, equanimidade, honra, retidão. O mal do mundo é o outro. Eu sou o que recebe este mal injustamente, porque eu não fiz nada pra merecer isso. Sempre me comportei tão bem com a figura...

Somos todos morais até a raiz do cabelo. O outro é o imoral, errado e ruim. Somos todos os mocinhos tiranizados pelo vilão "o outro". Tudo que eu faço é me defender.

Esquecemos que nós somos o outro do outro... Na história dele o vilão somos nós, aquele que fez de propósito pra prejudicar, o que não pensa no outro e seus direitos, aquele que é o mal encarnado.

Costumo dizer que nunca conversei com um vilão... eu só conheço vítimas indefesas de pessoas tóxicas... que me procuram pra que eu dê fé no testemunho de sofrimento e razão dela.

A vítima vive de julgamentos e rótulos. É fácil narrar isso. Nesta posição sabemos descrever e interpretar os movimentos e ações alheios, apontar os problemas e as soluções, temos muita energia e inteligência para apontar falhas longe da gente.

O outro, este ser infernal que nos provoca, prejudica, humilha.

Colocamos a toga, pegamos o martelo e anunciamos a sentença, tão certos que estamos com a razão, que nem piscamos. E doido é aquele que questionar nosso veredicto.
Afinal nós enxergamos muito bem o mal. E ele está sempre fora de mim. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Sobre a raiva

Observando esta emoção  em mim e nas pessoas que me cercam percebi que geralmente sentimos raiva sob duas circunstâncias, quando somos frustrados e/ou quando nos percebemos sendo atacados. 

A resposta raiva é automática e natural, no entanto aprendemos que se a temos nos tornamos pessoas más e desagradáveis, sob pena de perder o afeto e o respeito daqueles a quem somos ligados, portanto, nós a negamos ou a disfarçamos criando justificativas morais para estarmos com raiva, o famoso "eu tenho razão".

A raiva é uma emoção protetora, se a conhecemos em nós podemos conduzi-la a nosso favor, usando a energia e direcionando a ação para o nosso bem e o bem dos outros.

A sugestão é, percebeu a raiva, observe a fonte dela, foi uma frustração? Ou estou me sentindo atacado? Qualquer uma dessas motivações são ligadas ao ego e a nossa vaidade. Nos vemos sendo inferiorizados, menosprezados ou impedidos de realizar um desejo. E isso o ego não aguenta, ele reage com fúria. 

Percebendo a emoção e o que a catalisou, é hora de respirar profunda e conscientemente. Este é o melhor remédio pra dissolver ego. Fazendo isso continuamente criamos um espaço pra dar uma resposta física e/ou verbal mais eficiente. A raiva se transforma de uma reação irascível, para um posicionamento forte, o que chamam hoje de assertividade. Uma energia que nos faz sentir vivos e dignos. E também mais inteligentes pra lidar com os desafios da convivência diária. E mais adiante em algo ainda mais maduro, a resposta criativa e sem ego, a que Jesus deu o nome de dar a outra face. 

Respiração e auto observação  somados ao treino, à repetição, e a raiva se torna um meio de amadurecimento dos melhores. 

Que a raiva de hoje seja a semente da paz interior amanhã. 

sábado, 9 de novembro de 2019

Sobre o Vazio

Pense que o vazio meditativo é como um útero que ainda não aloja um feto, mas é todo potencialidade. Dele pode surgir qualquer coisa. Mas não há julgamento sobre o que aparece, como aparece, quando deve aparecer... ou mesmo se vai aparecer.

Ele é o campo de todas as potecialidades.

Há um vazio de julgamento; bom ou ruim desaparece. 

E o que fica é uma consciência de que tudo que acontece é acolhido, aceito e experienciado. Como um campo de aceitação. 

Não há alegria ou tristeza, há um silencioso aceitar pacífico, que nem dá pra descrever com palavras. Aquilo que mais se aproxima é bem aventurança. 

Um estado de confiança e entrega, de contemplação e paz, uma total ausência de medo, sobre qualquer coisa, pois tudo foi aceito, todas as experiências mundanas do corpo. 

Então, paradoxalmente, é um vazio prenhe... rsrs

Esta palavra, vazio, inclusive,  não representa a experiência de forma alguma. É que como não tem nada parecido quando estamos vendo pelo ego, esta se aproxima, pois é um estado sem referência anterior, vazio de prévio conhecimento...

Eu passei 24h neste estado. E não sei como descrever... usei o que li do próprio Osho e da lembrança que ficou em minha mente. 

Ah! Outra coisa que aconteceu foi uma espécie de afeto por tudo e por todos, um carinho tão profundo que não provocava nenhum ato agressivo ou de repúdio...