segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ninguém sabe o Duro que Dei.




Há alguns anos atrás me pediram pra falar sobre "inveja alheia, o quanto devemos saber nos colocar no lugar do outro ou mesmo nos vacinar."

Bom, este tema da inveja já foi abordado aqui em três textos, mas como repetir é bom para o aprendizado, volto ao assunto, num outro ângulo, o de se colocar no lugar do outro. Penso até que a inveja é justamente a dificuldade de imaginar a vida do outro em sua realidade. Nós a idealizamos, já que não vivemos esta vida, projetamos todos os nossos desejos nela. Como diz o ditado, supervalorizamos a grama alheia. Temos certeza que tudo de bom só acontece onde nós não estamos e então espichamos o olho (obeso) para além de nossa cerca.

Se estamos bem e saudáveis emocionalemnte ficamos por aí, só olhando e imaginando. Se não estamos bem, aí tentamos destruir esta "perfeição" que nos ofende. Pode ser com pequenas maledicências ou grandes intrigas, inclusive usando a pólvora mais rápida do oeste: a internet.

Nos colocando realmente na experiência do outro, saberemos que seja lá o que ele conseguiu, tem a ver com seu esforço, mesmo se está roubando... Afinal é preciso empenho para surrupiar coisas dos outros! Mas vamos contar que a maiorira se sacrificou mesmo. Perdeu noites de sono e farra para estudar e passar num teste ou concurso, resistiu a tentação da cantada de um deus/deusa para manter o casamento, fez sacrifícios familiares para obter uma promoção, se virou em mil para agradar amigos e ser querido, sofreu comendo alface pra manter um corpo de modelo. E como diz Wilson Simonal, trabalhou, trabalhou para ter fon-fon. Inclusive o nome desta música é "Ninguém sabe o duro que eu dei".

Bem,esta parte todo mundo esquece, ficamos só com os finalmentes e achamos que na vida do outro tudo aconteceu num passe de mágica. "Ele é sortudo", portanto merece nossa inveja. A parte trabalhosa, o ruim da vida de cada um fica pra si, como diz Caetano, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"

Para nos colocarmos no lugar do outro de forma eficiente é preciso maturidade, e seu fruto é a compaixão e alegria pelo sucesso do vizinho e também uma forte autoestima e sensação de competência. Estes são os antídotos da inveja . Vacine-se! Garanto que vale o esforço!

Namasté!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Da Prioridade das Coisas





Tem uma passagem na história de Jesus que sempre me instigou. É quando ele diz, para um discípulo, que os pobres vão sempre existir para serem cuidados, mas ele só estaria ali naquele momento e em alguns dias iria morrer, portanto a discípula usar um óleo caro nele, era mais importante que vendê-lo e alimentar os pobres. (Mateus 26)

Fiquei pensando porquê um defensor dos pobres diria uma coisa assim?...

Uma resposta que veio foi, a prioridade será sempre a entrega amorosa e sua expressão mais pura. Ao derramar o óleo caro nos pés de Jesus a discípula, note que era uma mulher, estava derramando seu amor e reconhecimento disso, era um ato que cura por si só. Quando todos nós ou pelo menos a maioria de nós estivermos nesta vibração, a pobreza não seria um problema; ela é um problema porque a maioria de nós não nos entregamos à energia compassiva, que era todo o discurso de Jesus. É o "nem só de pão vive o homem". Enquanto estivermos nos ocupando apenas de encher o bucho (coisa que até acho importante, mas não vai tirar ninguém da real miséria) não alcançaremos um outro patamar de existência. E esta era a prioridade de Jesus. Não era nos salvar da pobreza material e sim da espiritual.

Namasté!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Todos, a mesma coisa.




Dia desses num debate acalorado sobre política, que eu estava observando no Facebook, o moderador ao perceber que o assunto estava saindo do foco e entrando numa seara pessoal, disse: "Política é foda!"

Fiquei pensando... O que o assunto "política" desperta em nós? Será que é a política a responsável pelo desespero das pessoas? Afinal é só um assunto como outro qualquer. Contudo, parece que desperta algo mais nas pessoas. E o que será que desperta? Penso que algo primitivo, instintual. Talvez territorial. Algo de que nós mesmos não estamos cientes e ao sermos acordados pelo assunto, respondemos automaticamente, como se o complexo fosse involuntário. Respondemos com raiva e agressão, nos destemperamos, ofendemos e perdemos a razão, nos dois sentidos, o pensamento racional e a resposta emocional. Ficamos loucos com uma percepção própria e alienados do contexto. E o que é pior, os problemas concretos qua nos levam a discutir, continuam sem solução.

Fiquemos atentos ao complexo e tentemos ir além dele. Que nos lembremos, política é apenas um assunto e todos queremos a mesma coisa, apenas pensamos em meios diferentes para alcançá-la, de vez em quando. E o que queremos todos? Acredito que é bem estar e paz.

Namasté!