quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Recursos Internos


Ouço muito a frase "não sei lidar com tal coisa". Penso que quando alguém diz isso quer dizer: "Eu acho que não tenho recursos internos de enfrentamento para esta situação." Talvez não tenha uma referência anterior, nunca pensou sobre o assunto, então fica sem saber como tratar ou passar por esta experiência de uma maneira eficiente.Também vejo nesta frase um desejo de "me tira daqui" eu não sei lidar, então alguém resolva por mim. Um provável pedido de transferir responsabilidade.

Eu não escuto: "não sei lidar, mas quero aprender". Penso que é possível aprender e desenvolver recursos de enfrentamento. É uma questão de lógica até. Se eu não tenho e preciso ter, então eu busco. Pode ser em livros, com amigos, grupos de apoio, ou um psicoterapeuta. Já criamos onde buscar recursos, mas vejo muito preconceito e resistência como se precisássemos ter o sofrimento. Para mim isto é tolice. Com a gama de informações que temos hoje sofrer por falta de conhecimento é no mínimo, viver no passado. Aprender a lidar com reações adversas, faz parte da experiência de viver. Cada vez que damos uma solução, nos fortalecemos e ficamos mais sábios.

Lidar bem com as vicissitudes da vida é uma questão de estudo e treino, não adianta querer fugir do exercício, ele vai lhe seguir até que o domine, então é melhor começar logo. Há muita ajuda no mundo é só uma questão de deixar-se ajudar.

Namasté!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Motivação?

Tenho lido bastante textos motivacionais que incentivam-nos a superar barreiras, parece até que a palavra superação é o tom da moda: como emagrecer, como ter um cargo no alto escalão, como ter barriga de tanquinho, como ganhar medalhas de ouro, como conquistar aquela pessoa especial, e por aí vai.

Nada contra esses textos, até gosto e os uso de vez em quando, mas nem todas as metas que estabeleci eu conquistei. E poucos falam sobre isso. No máximo dizem, continue tentando, nunca percam seus sonhos, não desistam nunca! Bom, eu já desisti de algumas coisas e não alcancei outras, E não vi nenhum texto motivacional pra isso...

Você pode dizer, mas Nanda, desistir não combina com motivação! Pode ser, mas vai dizer que você realizou todos, todos, os seus sonhos, mesmo, sempre? Livros, revistas, autores, não falam, geralmente, sobre o que deu errado, então ficamos com a impressão de que só a gente foi incompetente em algum ponto. Todo o resto mora no topo da montanha do sucesso. Ah! E tem casa em todas a montanhas!

Gostaria de falar sobre não conseguir. O que se faz quando constatamos que aquilo que planejamos não vai mesmo acontecer, por mais que tenhamos nos esforçado. Mudamos o plano? Persistimos? Nos adaptamos? Trocamos de sonho?

É fato que quando não atingimos um alvo é porque não estamos podendo fazer o que o objetivo pede pra ser alcançado. Por exemplo, ter um corpo atlético, exige uma alimentação específica, então adeus a guloseimas, todas, sem exceção, e adeus dias de folga também. É preciso fazer exercícios praticamente todos os dias. Quem está disposto a fazer isso, consegue, claro depois de um tempo e não vi nada menos de que um ano...

Aí eu penso, quantas pessoas tem disposição pra fazer isso? Eu mesma não tenho. Então eu não terei um corpo atlético. Continuo sonhando com isso? Fazendo algo meio bomba e dizendo um dia consigo? Ou constato que não estou disposta a fazer o que preciso e me adapto ao corpo como está?

Porque viver uma coisa sonhando com outra traz insatisfação que, por sua vez, gera infelicidade. O que é pior, não ter um corpo atlético e se adaptar ou ser infeliz?

Penso que infelicidade ganha, posso aprender a gostar de meu corpo fora de forma e parar de achar que preciso ser de outro jeito, parabenizar os que conseguem e deixar em paz minhas dobrinhas, sendo feliz assim mesmo. Quanto à infelicidade...

 Agora, você já viu algum texto falando de como gostar de suas dobrinhas?

Namasté!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Desafio da Época




Acho que o grande desafio da nossa época é reencontrar o limite dentro da liberdade. Ensinar os pais a serem firmes e amorosos, para que a educação no sentido de formação de conduta pública seja acertado novamente.

Há cinquenta anos atrás conseguíamos isso na base do medo e da repressão. Agora temos que encontrar uma maneira de fazer isso sem reprimir ou aterrorizar.

Acredito que muito de nossos comportamentos desregrados vem desta falta de orientação e confusão em como passar princípios de conduta sem ferir a liberdade. Equilibrar estas duas ações para termos menos necessidade de ferir ou sermos descuidados com os outros, é essencial ao meu ver.


Namasté!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ninguém sabe o Duro que Dei.




Há alguns anos atrás me pediram pra falar sobre "inveja alheia, o quanto devemos saber nos colocar no lugar do outro ou mesmo nos vacinar."

Bom, este tema da inveja já foi abordado aqui em três textos, mas como repetir é bom para o aprendizado, volto ao assunto, num outro ângulo, o de se colocar no lugar do outro. Penso até que a inveja é justamente a dificuldade de imaginar a vida do outro em sua realidade. Nós a idealizamos, já que não vivemos esta vida, projetamos todos os nossos desejos nela. Como diz o ditado, supervalorizamos a grama alheia. Temos certeza que tudo de bom só acontece onde nós não estamos e então espichamos o olho (obeso) para além de nossa cerca.

Se estamos bem e saudáveis emocionalemnte ficamos por aí, só olhando e imaginando. Se não estamos bem, aí tentamos destruir esta "perfeição" que nos ofende. Pode ser com pequenas maledicências ou grandes intrigas, inclusive usando a pólvora mais rápida do oeste: a internet.

Nos colocando realmente na experiência do outro, saberemos que seja lá o que ele conseguiu, tem a ver com seu esforço, mesmo se está roubando... Afinal é preciso empenho para surrupiar coisas dos outros! Mas vamos contar que a maiorira se sacrificou mesmo. Perdeu noites de sono e farra para estudar e passar num teste ou concurso, resistiu a tentação da cantada de um deus/deusa para manter o casamento, fez sacrifícios familiares para obter uma promoção, se virou em mil para agradar amigos e ser querido, sofreu comendo alface pra manter um corpo de modelo. E como diz Wilson Simonal, trabalhou, trabalhou para ter fon-fon. Inclusive o nome desta música é "Ninguém sabe o duro que eu dei".

Bem,esta parte todo mundo esquece, ficamos só com os finalmentes e achamos que na vida do outro tudo aconteceu num passe de mágica. "Ele é sortudo", portanto merece nossa inveja. A parte trabalhosa, o ruim da vida de cada um fica pra si, como diz Caetano, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"

Para nos colocarmos no lugar do outro de forma eficiente é preciso maturidade, e seu fruto é a compaixão e alegria pelo sucesso do vizinho e também uma forte autoestima e sensação de competência. Estes são os antídotos da inveja . Vacine-se! Garanto que vale o esforço!

Namasté!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Da Prioridade das Coisas





Tem uma passagem na história de Jesus que sempre me instigou. É quando ele diz, para um discípulo, que os pobres vão sempre existir para serem cuidados, mas ele só estaria ali naquele momento e em alguns dias iria morrer, portanto a discípula usar um óleo caro nele, era mais importante que vendê-lo e alimentar os pobres. (Mateus 26)

Fiquei pensando porquê um defensor dos pobres diria uma coisa assim?...

Uma resposta que veio foi, a prioridade será sempre a entrega amorosa e sua expressão mais pura. Ao derramar o óleo caro nos pés de Jesus a discípula, note que era uma mulher, estava derramando seu amor e reconhecimento disso, era um ato que cura por si só. Quando todos nós ou pelo menos a maioria de nós estivermos nesta vibração, a pobreza não seria um problema; ela é um problema porque a maioria de nós não nos entregamos à energia compassiva, que era todo o discurso de Jesus. É o "nem só de pão vive o homem". Enquanto estivermos nos ocupando apenas de encher o bucho (coisa que até acho importante, mas não vai tirar ninguém da real miséria) não alcançaremos um outro patamar de existência. E esta era a prioridade de Jesus. Não era nos salvar da pobreza material e sim da espiritual.

Namasté!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Todos, a mesma coisa.




Dia desses num debate acalorado sobre política, que eu estava observando no Facebook, o moderador ao perceber que o assunto estava saindo do foco e entrando numa seara pessoal, disse: "Política é foda!"

Fiquei pensando... O que o assunto "política" desperta em nós? Será que é a política a responsável pelo desespero das pessoas? Afinal é só um assunto como outro qualquer. Contudo, parece que desperta algo mais nas pessoas. E o que será que desperta? Penso que algo primitivo, instintual. Talvez territorial. Algo de que nós mesmos não estamos cientes e ao sermos acordados pelo assunto, respondemos automaticamente, como se o complexo fosse involuntário. Respondemos com raiva e agressão, nos destemperamos, ofendemos e perdemos a razão, nos dois sentidos, o pensamento racional e a resposta emocional. Ficamos loucos com uma percepção própria e alienados do contexto. E o que é pior, os problemas concretos qua nos levam a discutir, continuam sem solução.

Fiquemos atentos ao complexo e tentemos ir além dele. Que nos lembremos, política é apenas um assunto e todos queremos a mesma coisa, apenas pensamos em meios diferentes para alcançá-la, de vez em quando. E o que queremos todos? Acredito que é bem estar e paz.

Namasté!

segunda-feira, 23 de março de 2015

Autonomia



Segundo Susan Page (terapeuta de casais, americana), no casamento acontece, repetidamente, um processo de negociação, no qual se decide quando satisfazer suas próprias necessidades às custas das necessidades do cônjuge e quando satisfazer as necessidades do cônjuge às custas de suas próprias necessidades.

Quando ouço esposas é comum perceber essa queixa. As mulheres foram ensinadas a serem abnegadas no casamento e exageram na dose, se doando mais do que podem e recebendo quase nada dos companheiros, já que a maioria dos homens foram ensinados a serem egocentrados (que me desculpem os homens, mas é verdade!).

Parece que as mulheres precisam aprender a cuidar de suas próprias necessidades, fazendo o que é certo para si e, sem sacrifícios exagerados, doar-se ao parceiro na medida que podem. Acho que assim é mais possível as esposas não se sentirem tão enganadas e dando mais do que recebem de seus maridos.

O truque é sempre ser mais adulto do que infantil nas respostas aos problemas e criar uma autonomia afetiva.

Namasté!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Casamento e Diplomacia





Algumas vezes um casamento se torna disfuncional. Para uma união dessas, nem sempre se sentir atraído e ter afeto pelo outro bastam. Muitas vezes é preciso ter recursos internos que beiram as técnicas de administração e o trabalho em equipe.

Acho que quando uma casamento reúne mais falhas diplomáticas que acordos diplomáticos ele começa a ser uma situação caótica e que gera desconforto e infelicidade nas partes envolvidas. Nestes casos alguns sentem que não estão sendo agraciados em seus desejos. Claro que muitos desses desejos são baseados em fantasias e ilusões e idealizações que não podem ser realizados pelo outros.

Penso que quando o calo começa a apertar devemos, nos primeiros sinais, reavaliar nossas ideias sobre casamento, papel do parceiro, o próprio papel. Investigar se não precisa atualizar os conceitos, flexibilizando-os ou mesmo excluindo-os.

Costumo dizer que o primeiro passo, pra mim, é realmente conhecer o parceiro, sem ilusões, sem "mas ele/ela deveria ser, fazer assim ou assado." Ver a verdade do outro, qualidades e limitações, aquilo é a essência, ou seja, aquilo que não muda e o que pode ser adaptado.

Sinto que o maior erro no casamento é desejar que o outro seja o que ele não pode ser: Um reflexo exato de nossos desejos.

Namastê!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Vaidosa, eu?



Eu nem gosto de generalizações, mas vou fazer uma aqui. Todo mundo que ser importante, quer ser valorizado. E por isso fazemos coisas inimagináveis ou escondemos informações. Acho que é por isso que temos segredos. Os segredos são a tentativa de esconder os fatos que nos desvalorizam. E quando descobrimos que não somos essa coisa toda que imaginávamos, caímos em desespero.

Penso que é por isso que ser "feito de bobo" nos leva a um mal estar tão grande. Quando descobrimos que alguém escondeu algo de nossa astúcia e perspicácia, nos sentimos bestas, ou seja, pessoa de pouca inteligência, o que nos desvaloriza em altíssimo grau. Afinal quem quer ser parvo, ignorante?

Temos uma empáfia natural, que quando questionada ou quebrada nos derruba a ponto de deprimirmos. Acho que por isso as "traições" doem tanto, além de percerbermos que não somos o único objeto de atração e afeição do outro, ainda fomos pouco inteligentes de não ter notado o fato. Tiro duplo em nossa autoimagem, dói descobrir, ao mesmo tempo, que não somos tão imprescindíveis assim e nem tão espertos como pensávamos...

Vaidade é uma cadela, como dizem os americanos, nos derruba sem nem nos darmos conta que a tínhamos! Quanto mais vaidosos somos mais deprimidos ficamos ao sermos enganados. E claro, a parte vaidosa em nós não concorda com isso e se esconde com máscaras de sentimentos nobres, como confiança (eu confiei, nele/nela) ou justiça (eu fui desrespeitado).

Mas é tudo um disfarce, no fundo o que está pegando mesmo é nosso ego vaidoso, querendo ser o que o calendário não marca, com diz minha mãe.

Namasté!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Psicoterapia X Aconselhamento





Passei alguns anos de minha vida profissional sem entender alguns conceitos de Psicologia. Acredito que a causa disso é a linha tênue destes conceitos. O que é algo pode parecer outra coisa e ficar ainda no meio termo, um pouco lá um pouco cá. Sentiu o drama?

Bom, com relação a diferença entre Psicoterapia e Aconselhamento não foi diferente. Elas pareciam a mesma coisa e dizer que um era mais profundo que outro não me ajudava. Até que um dia eu encontrei uma definição própria que me ajudou a entender melhor porque temos dois nomes para coisas parecidas.

Eu vi que um aconselhamento se parece muito com uma conversa entre amigos (só que mais estruturada, com hora pra começar e terminar e assunto específico), pois o conhecimento técnico não é exigido em profundidade. Fica assim: temos um dilema ou problema de difícil solução para a gente e pensando sozinho não conseguimos chegar à uma solução. Então pedimos ajuda a um amigo para aquela situação específica, vamos pensar juntos numa saída possível para aquela questão. Isso pode se resolver numa única conversa ou podemos ter mais de uma até todo o assunto está mais claro e a decisão final mais fácil de ser tomada.

Veja aí que não precisamos nos adentrar em aspectos psíquicos mais profundos, questões da infância, traumas do passado, partes inconscientes, dores antigas. Eu disse  não precisamos, mas se o caminho tomado for este, de uma investigação mais elaborada de aspectos emocionais, passamos à uma psicoterapia. Neste modelo, é preciso que quem está oferecendo ajuda tenha uma base teórica mais refinada, como se fosse um mapa das emoções humanas. Pois parece com entrar numa floresta fechada, com pouca sinalização. Vamos mexer com certas dores, mágoas, emoções pouco cicatrizadas que não dá para fazer em pouco tempo nem sem o devido conhecimento.

Como você vê um pode se transformar no outro. É como nadar num mar, se ficamos na beira onde tomamos pé, não precisamos de tanta técnica para nadar, mas se nos aventurarmos a perder o pé , ir bem fundo, devemos saber nadar ou estar com alguém que sabe para não nos deixar afogar.

Depois que a gente entende é simples. Penso que ninguém precisa ter medo, como em qualquer banho de mar, saímos do processo revigorados.

Namastê!