domingo, 26 de dezembro de 2010

O perfeito erra?



A continuação do tema anterior vem de uma pergunta feita por @Marquesk num comentário do texto “Será que nos amamos?” Ele perguntou:

“Quem é perfeito erra?”


Acho que perguntou isso por que eu disse no texto que somos perfeitos, então ele deve ter pensado... Se somos perfeitos por que falhamos em nosso comportamento? Se nos basearmos no conceito estático de perfeição e na idéia de que errar não é bom, então minha afirmação de que somos perfeitos está equivocada mesmo.

Porém se mudarmos o conceito de perfeição para algo que se movimenta e que aceita tudo inclusive o “erro”, então minha afirmação não parecerá absurda. Então vamos trabalhar com esses outros conceitos. Como já disse no texto anterior “Perfeição”, essa palavra, para mim, significa algo que se move segundo a segundo (ou menos) criando novas configurações que englobam tudo, incluindo aí o que chamamos erro, é o equilíbrio de elementos que resulta no que chamamos perfeição.

E se você se lembra eu disse que a imperfeição, também é perfeita, pois o desequilíbrio é necessário para criação de algo novo ou renovado. Portanto o erro não precisa ser ruim, ele pode ser desagradável, mas é o passo necessário para o crescimento.

O perfeito falha, pois a falha é perfeita. Quando nos comportamos desajustadamente, apenas estamos aprendendo algo novo e no processo de aprendizagem erramos o alvo algumas vezes, isso não deveria ser condenado, apenas observado e ajustado, como fez Santos Dumont com a série de aviões até chegar ao 14 Bis.

Acho que deveríamos parar de dizer que somos maus por que erramos e que não somos perfeitos por causa disso. ”Somos perfeitos para sermos quem somos”. Afinal se não fosse a imperfeição não teríamos um trevo de quatro folhas, tigres brancos e coisas raras no mundo...

Perfeição abarca tudo, inclusive o que chamamos de falha, para mim erro, no sentido que damos, não existe. Eles são apenas oportunidades de aperfeiçoamento e às vezes até de beleza e raridade. Nossa mente ainda é maniqueísta, separamos tudo em preto e branco sem observar as nuance. Vida é movimento e troca, num minuto o certo pode virar errado e vice versa. Precisamos de agilidade mental para perceber e nos relacionar com isso como vivos e não como “cadáveres adiados

Respondendo a pergunta quem é perfeito erra, pois a perfeição se movimenta como o universo e a falha ajuda nisso, faz parte do processo maior. O erro não é algo ruim é parte no movimento do todo. Está dentro da perfeição e não à parte.

Namasté!

Leia Também
Se arrepender do que não fez
Experimente cair?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Monte Cinco




Paulo Coelho
São Paulo, SP: Gold editora Ltda
155p


Neste livro Paulo Coelho, fala sobre infortúnios, aos quais ele dá o nome de “o inevitável”. Contando a história de Elias, personagem bíblico, ele nos dá uma idéia de como é ser arrebatado por algo trágico; mesmo sendo uma pessoa de fé.

Elias era um profeta, guiado por deus, nada mais seguro, hein? Só que ele é orientado para um período de total escuridão e desarranjo, inclusive, num momento, ele até perde o privilégio de escutar anjos e o próprio deus. O que vemos é desespero e revolta, numa luta contra deus. E é exatamente este o ponto, todos, mais cedo ou mais tarde, brigamos com deus ou seja lá que nome damos a isso. Para podermos assumir responsabilidade por nossas vidas, para virarmos adultos, Freud também disse isso para Breuer no filme "Freud além da alma" “todos, um dia, devemos matar pai e mãe”, simbolicamente, é claro!

Gostei muito do livro, principalmente, por que até a metade dele ficamos tão perdidos quanto Elias, pensei em desistir de lê-lo algumas vezes por não entender seu encaminhamento. Mas alguma coisa me impelia a continuar. E no final tudo volta a ter ordem!

O livro dá uma luz para quem está na batalha com o inevitável e acho que ajuda no processo de crescimento quando nos lembra que somos responsáveis pelo que fazemos com nossa vida.

Boa leitura.

Leia também
Por que procurar ajuda terapêutica?

Outro livro:
A vida em Perigo

domingo, 19 de dezembro de 2010

Perfeição




Um dia desses no Twitter o @Hugoffreire me perguntou o que eu achava que era perfeição.

“O que é perfeição e imperfeição para você?”

Respondi:

Perfeição – é o equilíbrio harmônico de forças, ações e eventos. São doses balanceadas e encaixadas de tudo que existe.

Imperfeição – é a falta desse balanço, dessa harmonia.



Claro que eu não posso dizer que defini absolutamente esses dois conceitos... Mesmo meu ego dizendo que sim... Mas acho que é um bom ponto de partida. A perfeição não é estática, ela é móvel, não pode ser acabada, está sempre em transformação. Para mim é sempre uma questão de doses balanceadas de tudo o que há, formando uma configuração momento a momento. Uma perfeição não dura mais que um segundo, mas também é a soma de todos os segundo mutantes.

O que chamamos de imperfeição é a sensação de falta de balanço, de harmonia, do conjunto encaixado. Nada nesta dimensão é parada, está tudo se movendo e mesmo a imperfeição é perfeita... Pois do desequilíbrio se cria tudo, então de vez em quando deve haver um desbalanceamento para uma nova reconfiguração mais adequada.

Ainda somos seres medrosos e encontramos uma sensação de segurança (falsa) naquilo que, aparentemente, não muda. Portanto conceituamos perfeição como algo acabado e irretocável e exigimos isso da vida e principalmente de nós mesmo, vejam só! (no próximo texto falarei disso, como a falha pode ser perfeita)

Tudo é perfeito inclusive a imperfeição, tudo está encaixado como um grande quebra cabeças, como nossa percepção é limitada pelo ego, vemos apenas algumas peças do todo e queremos entender o todo por essas peças, o que resulta em conclusões equivocadas e sofrimento. É preciso muito tempo de silêncio interior e observação (orai e vigiai) para captar algo um pouquinho maior que nosso próprio umbigo, perfeito...

Namasté!

Leia também:
Nós já estamos num mundo melhor
Nós somos maravilhosos 
Buscar a perfeição

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Segredo de Beethoven



Este é um filme com alguns temas interessantes: como o tratamento dado às mulheres, (como elas eram vistas, o que se esperava delas, o que eram proibidas de sonhar, o relacionamento de “amor” dominador) ou a  relação do tio Beethoven e seu sobrinho, são exemplos de bons temas para falar. Mas decidi abordar um terceiro assunto aqui: A comunicação com deus.

Em vários pontos o compositor explica como se dá essa troca. Beethoven ouvia deus e expressava-o através de sua música. Mas achava que só aos músicos era dado esse presente... Na verdade a música é algo sublime mesmo, nos eleva e nos muda a vibração. Contudo, expressar deus não é feito só através dela. Em contato com deus, todas as nossas ações se tornam sagradas, até comprar pão, na padaria da esquina. Na vibração divina, tudo que nós fazemos é expressão de deus. Afinal essa energia utiliza corpos humanos para se expressar. E ela consegue fazer isso bem feito quando esses corpos se tornam conscientes disso.

Aprendamos, então, com Beethoven, a elevar a vibração de nossos corpos até atingir a consciência de sermos divinos e todos os atos serão sacralizados e viveremos em êxtase, mesmo quando estivermos apenas parados...

Alguns trechos do filme que gostei:

Da comunicação com deus: (fala de Beethoven)

“Música... As vibrações do ar são o sopro de deus falando à alma dos homens. A música é o idioma de deus. Os músicos são aqueles que mais se aproximam dele. Nós ouvimos sua voz, nós lemos seus lábios, nós damos à luz os filhos dele, que o glorificam. Se não formos assim não somos nada.”

Comentário - Troque aí música por qualquer outra atividade e estará certo também. Nossa vida é o idioma de deus, nossa existência é seu filho, nossa consciência glorifica e se não formos assim não somos nada. Leia-se tudo que existe como “nossa vida”.


Da conexão entre a matéria e o espírito (fala de Beethoven):

“Estou abrindo a música ao feio, ao visceral. Como alguém apreciará o divino, senão através das nossas entranhas? É aqui que deus vive. Não na mente, nem na alma. Nas entranhas, pois é onde as pessoas sentem. Os intestinos se enrolam para o céu. As tripas atingem a iluminação antes do cérebro! Só terá a cabeça nas nuvens com bosta nas suas botas.”

Comentário – Aqui há uma confirmação que não precisamos negar o corpo para refletir deus. O corpo é a antena.


Da morte e liberação do medo (fala de Beethoven):

“A única forma de escrever isso (um hino) é sem armadura (sem tom). A luta continua... bob a superfície. O primeiro violino roga a deus. E... Deus responde. As nuvens se abrem. Mãos amorosas se estendem para baixo e se elevam aos céus. O cello fica preso à terra, mas as outras vozes se elevam suspensas. Por um instante... No qual você pode viver para sempre. A terra não existe, o tempo é eterno, o tempo é eterno. E as mãos que nos elevam acariciam nosso rosto moldam-nos à semelhança de deus... E você fica em harmonia. Em paz. Está livre afinal.”

Comentário – Descrição da morte, mas poderia ser um orgasmo ou a sensação de conseguir algo há muito desejado. Morremos e poderíamos fazer disso uma experiência de êxtase.


Bom filme!

Leia também:
Deus não se explica

Outro filme:
A Outra (Bolena Girl)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nós não amamos




Agora apresento a você Martinha, uma amiga de quando não existia e-mail e conversávamos por carta! Ela deixou um comentário no texto “Esquecer uma paixão” com a seguinte sugestão.

“nós não amamos”


Nossa! Isso dá pano para mangas! Ninguém gosta de achar que não ama... Mas acredito que seja verdade. Primeiro, antes de você me linchar, quero explicar o que entendo sobre isso. Porquê afirmo que não amamos?

Bom, essa é uma forma simplificada para apontar uma ineficiência em nossa expressão afetiva, a maioria de nós passa o amor pelo filtro do ego e é isso que estraga tudo. Primeiro o amor é uma força de ação, se for pura ela leva à empatia, generosidade, desapego, liberdade, compreensão, não julgamento e principalmente ao não pré julgamento, gentileza, alegria, positividade, confiança e por aí vai. Esse é o comportamento de uma pessoa vivendo amor.

Então porque não vemos isso nas pessoas que se dizem amando? Na maioria vemos apego, tristeza, julgamento e pré julgamento, aprisionamento, falta de empatia e compreensão, ciúme, descortesia... O que acontece com nossa expressão afetiva?

O amor é sempre o mesmo fluxo de energia, mas quando passa pelo filtro ego sai manchado do outro lado. Nosso ego, escafandro que usamos na dimensão terrena, se deteriora ao longo da existência, fica cheio de deformações e estas reproduzem uma expressão amorosa mutilada, feia.

Temos a potência amorosa como fonte, dentro de todos, mas quando colocamos para fora, sai no formato de nossas feridas, e fica muito feia, por isso digo que ainda não amamos de fato. Precisamos primeiro curar as mutilações, fazê-las não reproduzir a deformação, aí então poderemos exprimir amor em forma pura, neste momento veremos do que realmente o amor é capaz.

Ainda não amamos, temos uma migalha do que pode ser toda a coisa. Mas não precisamos nos envergonhar disso. Precisamos nos curar. Então viveremos o paraíso.

Namasté!

Leia também
Amor Obsessivo
Amor Exclusivo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O que é budismo



Antônio Carlos Rocha
Coleção Primeiros Passos
São Paulo: Brasiliense, 2000
73p

Adoro essa coleção da Brasiliense. E gostei muito desta edição, que diz “Budismo é uma palavra oriental para designar o conjunto de práticas, prédicas e vivências dos ensinamentos de Siddharta Gotama, o Buda”

Ele fala dos caminhos percorridos ao longo de dois mil e quinhentos anos, a diferença entre essa e as outras religiões. O caráter social e político dos discursos de Siddharta, as quatro classes de felicidade, a história do budismo que teve início por volta de 523 a.C., a vida e morte do príncipe que virou asceta e depois iluminou, os desdobramentos do budismo (como o Zen), as quatro nobres verdades, ausência de dogmas, a não existência da alma, o enfoque na meditação (pura atenção) e para finalizar uma lista de livros para continuar numa investigação mais profunda.

Penso que saí da leitura conhecendo um pouco melhor essa fascinante orientação. Descobri até que quem trouxe as ideias de budismo para o ocidente foi Arthur Schopenhouer. E uma coisa que acho importantíssima e o autor assimilou foi: “... a religião, a instituição que se formou após a morte de Buda, sob alguns aspectos em muito difere do ensinamento original. Por que em geral, os seres humanos necessitam de muletas, apoios e, nos momentos difíceis da vida, o ritual, o jogo, a ludicidade religiosa preenchem os vazio e carências.”

Pensem nisso e boa leitura!

Leia também
Condescendência

Outro livro:
Comer Rezar Amar

domingo, 5 de dezembro de 2010

Amor Platônico




A Fernanda Medeiros, assídua colaboradora do Múltipals, fez uma sugestão de tema num comentário do texto “Esquecer uma paixão”:

“Amor platônico, existe mesmo?”


Pensei... Quem sou eu para responder se algo existe ou não?... Mas assim mesmo me afoitei. O amor platônico, diz o pensamento comum, é aquele que não se consuma sexualmente, é um amor admiração, distante, reverente. Posso dizer que eu já senti isso, principalmente na adolescência, quando não me achava essas coisas todas, então eu “amava” à distância (segura).

Também posso dizer que acredito nessa expressão amorosa. E mais, acho que pode ser um bom treino, antes de adentrarmos nas agruras amorosas. Sabe quando um surfista treina o uso da prancha na areia? Isso! São as primeiras braçadas no mar, melhor, no oceano amoroso.

Todavia tive esse tipo de admiração distante até perto dos vinte e cinco anos de idades, nesta época ainda tinha dúvidas sobre o meu poder de atração. Então eu acho que esse tal amor platônico tem a ver com insegurança, medo, e se demorar muito ele passa do positivo treino para a negativa fuga de um tipo de experiência, que sim, pode ser muito dolorosa, mas também traz muito prazer e autoconhecimento.

Neste momento de minha vida, aos quarenta e um anos eu começo a vislumbrar outro aspecto do amor sem sexo, algo como um amor fraternal, sereno, sem necessidade da paixão avassaladora, algo mais refinado, penso que seria um terceiro estágio do amor platônico, aquele em que só a presença do outro já preenche todas as necessidades afetivas. Não é mais um amor distante é um amor de alma, onde a união ocorre em outro nível, não mais no físico e sim no espírito e preenche todas as lacunas que jamais um encontro puramente e físico poderá suprir.

Agora posso dizer, amor platônico existiu e existe, em todos os estágios, pelo menos na minha vida. E na sua?

Namasté!

Leia também
Será que nos amamos?
Amor próprio
Amor independente

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mulheres Sexo Verdades Mentiras



Este é um filme interessante para dar início a conversas sobre sexualidade feminina. Ele aborda vários temas ligados ao assunto. É uma mistura de ficção e documentário. A personagem principal é uma documentarista famosa que ao ter uma experiência com sua sexualidade decide investigar as mulheres e como é o sexo para elas.

Achei legal porque é leve e não é vulgar, um perigo quando se fala em sexo. Ele trata de fantasias, clitóris, orgasmo, romance, expectativas, relacionamento homem/mulher (deixa passar o mulher/mulher), sexo grupal, sex shop, pênis, vagina, vulva, masturbação, a timidez de falar sobre esses assuntos, vergonha, preconceitos, amarguras, infelicidade.

Não é um mergulho muito fundo, mas é suficiente para se tocar no assunto com o parceiro e contar, usando o filme, como é que se gosta ou não de fazer sexo. Pode ser um bom interruptor para começar a pensar e falar no tema, pois até hoje o sexo é visto mais como algo a se fazer do que a se falar. E o resultado disso é um sexo insatisfatório para a maioria das pessoas, principalmente para as mulheres.

Recomendo assistir com o parceiro/a e aproveitar o filme para esclarecer e conhecer melhor sua forma de praticar sexo.

Bom filme!

Veja também
Sexo, vida e confusão
Seja amigo do sexo

Outro Filme
Banquete do amor

domingo, 28 de novembro de 2010

ETs




A @janainamesquita, minha querida amikino (amiga em Esperanto) do Twitter, sugeriu um tema intergaláctico!

“Ufologia + Espiritualidade qual a relação?”



Esse não é um tópico que penso muito... Mas mesmo assim vieram algumas considerações. A Janaína tem razão, frequentemente a vida extraterrestre é unida à espiritualidade. Inclusive tem um livro e um filme que fala disso “Eram os Deuses Astronautas?”

Se pensarmos vamos ver algumas relações. Tanto Deus quanto os ETs moram no “céu”, acima de nossas cabeças, no infinito. Ambos só aparecem para alguns escolhidos, não temos muita certeza de suas existências... Eles podem nos salvar, mas também nos castigar por nossos atos e são mais poderosos que a gente.

Acho, então, fácil relacionar as duas coisas, na nossa cabecinha infantil que deseja a todo custo ser salva sem empregar o mínimo esforço. Queremos que alguém nos cure, nos faça melhor, cuide da gente. Nossa mente de criança abandonada clama por um salvador. Então criamos, com nossa imaginação, seres para fazerem esse papel.

Eu acredito que existem outras formas de vida, além da gente, espalhadas pelo Universo e que talvez sejam espiritualizadas, mas que não fariam muita diferença para nossa própria evolução e amadurecimento, nem vão nos salvar na última hora. Estamos por conta própria mesmo, essa é nossa benção e nossa maldição. Nosso crescimento espiritual deve-se a nossos esforços e quem nos salva somos nós mesmos, quando ascendermos em compreensão de quem realmente somos, como fez Sidarta Gautama por exemplo.

Portanto não acho essa ligação de ET com espiritualidade frutífera, embora goste muito da idéia de termos seres vivos com cérebros parecidos com os nossos, no universo.

Não sei se ajudo muito a Janaína,minha querida amikino, mas foi o melhor que saiu...

Namasté!

Leia também:
Sabedoria Coragem Fé
Responsabilidade X culpa
Deus não se explica

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Porque o Bocejo é contagioso



Suzana Herculano-Houzel
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2008
Série Ciência da Vida Comum
2ª Edição
178p

Fiquei maravilhada ao conhecer um pouco mais do funcionamento de nosso cérebro! A autora, de uma forma simples e engraçada, nos conta desse organismo vivo que mora dentro do crânio. Às vezes parece que tem vida própria!

Também fica muito fácil entender alguns de nossos comportamentos. Como o choro, a empatia, a generosidade, a vontade de olhar aquilo que é bonito, porque as revistas de mulher pelada e as propagandas funcionam! Como se dá o processo de aprendizagem. E até porque não é bom dirigir e atender o celular ao mesmo tempo.

Aprendi muito sobre o córtex pré-frontal, o responsável por sermos civilizados... E os neurônios espelhos que nos fazem sentir o que o outro sente.

O livro é fácil de ler, cada capítulo é a resposta de uma pergunta como: “Por que as crianças tantas vezes parecem ignorar um não?”

Quem disse que não tínhamos manual, agora já pode ficar tranqüilo, criaram um! Recomendo a leitura com atenção!

Boa leitura!

Leia também:
Dominar a mente
Pensar para realizar
Lidar com as emoções

Outro livro:
Felicidade autêntica

domingo, 21 de novembro de 2010

Estamos todos bem?



Tenho uma teoria sobre a mentira e seu ambiente que foi corroborada recentemente quando vi um filme chamado “Estão todos Bem”, uma versão americana de um filme italiano ("Estamos todos bem") com Mastroianni no papel principal.

A história gira em torno de um pai de família extremado que viveu a vida toda para os filhos, mas que não os conhecia na totalidade. Ele idealizou tanto o futuro dos filhos, de uma forma tão rígida, que terminou criando uma atmosfera propícia a mentiras e ocultações.

Ao visitar os filhos de surpresa, pôde constatar o quanto estava distante deles, pois estes não se comunicavam de forma totalmente honesta.

Minha teoria é que o ambiente pode criar a necessidade da mentira, até em quem não é acostumado a mentir. Num lugar que se detecte provável condenação, reprimenda, reprovação, negação do desejo, ou mesmo um sermão; pessoas normais mentem. Eu não estou me referindo a pessoas com caráter deformado, que mentem só em benefício próprio ou para prejudicar alguém. Estou falando de seres do bem, com fragilidades e dificuldades comuns.

O filme mostra isso. No momento em que o pai passa a se esforçar para aceitar todos como são e não como gostaria que eles fossem os filhos podem se aproximar dele e contar todas as verdades. E se sentem bem e aliviados, por que a maioria gosta da verdade, mas não gosta de sentir-se condenado ou reprovado.

Meu conselho é: quem não quiser ser enganado no dia a dia pelos amigos e parentes, crie um clima de recepção cordial, não adianta nada ficar pedindo para o outro não mentir e ameaçando a criatura de cortar seu afeto, convívio ou de condená-lo por seus atos infratores.

E não adianta querer argumentar comigo, que isso é injusto, porque, querido/a, nem sempre a vida é justa. E na maioria das vezes exige muito da gente...

Namasté!

Leia também:
Verdade e Mentira
Fato e interpretação
Os prisioneiros

Outro filme:
Nell

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Harry Potter e a Pedra Filosofal


J.K. Rowling
Tradução: Lia Wyler
Rio de Janeiro: Rocco, 2000
263p




Ok, estou “um pouco” atrasada, mais precisamente dez anos! Porém repito, eu não vivo no tempo de todo mundo, nem à frente dele, na maioria das vezes venho muito atrás...

Este livro chegou as minhas mãos no começo de 2010, de uma forma inusitada. Conheci uma jovem numa locadora e conversando sobre filmes adaptados de livros, ela me contou que Harry Potter havia marcado sua adolescência, e que a acompanhou enquanto crescia. Ficou tão feliz que disse para mim: “Você precisa ler esse livro! Eu vou emprestar o meu para você! Não pude dizer não a tamanho entusiasmo. Na outra semana estava com o livro impecavelmente bem conservado nas mãos... Eu li! Já havia assistido ao filme e fiquei impressionada em como o cinema foi fiel ao livro!

Por incrível que pareça no filme dá para sentir melhor o tom de amizade, solidariedade e amor que no livro, mas isso está bem registrado lá. Meu personagem preferido é o Dumbledore, que não é muito marcante no livro só aparecendo apropriadamente no último capítulo (meu preferido).

Para mim é uma boa história! Com bons exemplos para adolescentes. A amizade, a solidariedade e a justiça imperam. A visão de uma sabedoria calma e bem humorada na figura de Dumbledore, da necessidade de disciplina da professora Minerva, o “mal” em Voldemort, a amargura em Snapes, a inocência e força animal em Hagrid. E... A juventude impetuosa, impulsiva, mas desejosa de aprender a agir corretamente nos três personagens principais. Tá tudo bem medido para ensinar como crescer de forma divertida. Simplesmente adorei!

Frases que me chamaram atenção:

“Não existe o bem e o mal, só existe o poder, e aqueles que são demasiado fracos para o desejarem...” Prof. Quirrell citando Voldemort p248

“Para uma mente bem estruturada, a morte é apenas a grande aventura seguinte.” Dumbledore explicando a morte para Harry p253

“O problema é que os seres humanos têm o condão de escolher exatamente as coisas que são piores para eles.” Dumbledore explicando para Harry porque deveria destruir a pedra filosofal p 254

“Chame-o Voldemort. Sempre chame as coisas pelo nome que têm, O medo de um nome aumenta o medo da coisa em si.” Dubledore para Harry p 254

“A verdade é uma coisa bela e terrível, e, portanto deve ser tratada com cautela... Vou responder suas perguntas, a não ser que haja uma boa razão para não fazê-lo... Não vou, é claro, mentir.” Dumbledore explicando a Harry sobre o que é verdade e mentira p 254

“Imagino que tivesse uma boa idéia do íamos tentar fazer e em lugar de nos impedir ele simplesmente ensinou o suficiente para nos ajudar.” Harry entendendo as atitudes de Dubledore p 258

“Existe todo tipo de coragem. É preciso muita audácia para enfrentarmos os nossos inimigos, mas igual audácia para defendermos os nossos amigos.” Dubledore explicando coragem através da atitude de Neville p 261


Achei educativo! Os pais deveriam aprender com o grande Mago...

Boa leitura!

Leia também:
Um grande professor
Guia para pais com pouco tempo e muito carinho
Como nos educar?

Outro livro:
Crepúsculo


 

domingo, 14 de novembro de 2010

Reino dos céus



Esta semana eu vi uma criança se divertindo da melhor forma, só por existir e ter penas para correr. Ele devia ter no máximo uns dois anos, mas já tinha firmeza nas pernas suficiente para correr e isso o divertia, ele corria em círculos, rodeando uma gôndola na loja em que eu estava e peguei carona com ele em sua correria, me diverti com a diversão dele.

E me lembrei de algo que Jesus disse, para entrar no reino dos céus é preciso ser criança. No meu caso voltar a esse ponto. Divertir-me só porque existo. Usufruir de minha própria vida, como se não existisse outra coisa qualquer para fazer (na verdade não existe mesmo). Livre, inteira, animada.

Foi um ótimo encontro e lembrança. Acredito que certas coisas na vida só uma criança ensina, pois ela tem uma experiência direta com sua alma divina, da qual o adulto já foi apartado.

Recebi meu presente de dia das crianças. Correr com um menininho, feliz só por existir e não ter nada mais para fazer.

Namasté!

Leia também:
Nadismo: Uma revolução sem fazer nada.
Vida
Uma experiência em minha vida

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A vida em Perigo



Louise L. Hay
Tradução: Thelma Média Nóbrega
Rio de Janeiro: Best Seller, 2006
2ª Edição
280p


Neste livro L.Hay trata de um tema delicado, a AIDS. Desde a década de 1980, ela facilita um grupo com portadores e conta sua forma de ver e tratar dessa doença e das pessoas que a portam. Toda sua visão é positiva e realista. Ela traz tanto a dor e mal estar provocado por esse acontecimento. Quanto à possibilidade de encarar essa situação de uma forma construtiva. Aproveitando-a para crescer, mudar relações familiares, se entender melhor, viver de forma mais saudável.


Gosto muito dessa autora e me oriento muito por suas dicas desde 2000. Acredito que podemos superar dificuldades com mais tranqüilidade se tivermos uma postura positiva das coisas.


Ela também dá sugestões para as pessoas se reunirem em grupos de ajuda, passando a própria experiência de forma prática, dando o passo a passo da formação de um desses grupos.


Todo capítulo começa com uma afirmação e termina com um “tratamento”, fluxo de ideias positivas criado para transformar a consciência. Além de ser muito ilustrado com histórias verdadeiras de vários tipos de superação da AIDS.


Boa leitura!

Leia também:
Dia mundial da saúde mental
Afirmação para saúde 2
Auto estima um bem essencial

domingo, 7 de novembro de 2010

Nós Somos Maravilhosos!


Frase difícil essa hein? Mas hoje eu quero falar como somos maravilhosos! Somos seres lindos, amorosos, generosos. Temos um corpo magnífico que é tecnologicamente avançadíssimo. Você já reparou na perfeição da mão? Como ela consegue pegar coisas delicadas ou sustentar pesos? Como ela se movimenta abrindo e fechando, como ela produz arte e beleza?

E a face? Variados músculos criam expressões extraordinárias, ricas, sutis a ponto de com um gesto no olho podermos identificar a expressão de um sentimento.

E o fato de nós andarmos eretos? Sob dois pequenos pontos chamados pés? Sabe lá o que é vencer a gravidade? Sem, falar do cérebro... Ah! O cérebro, que organismo perfeito, nem é muito grande, mas é um universo!

Até agora estou no corpo, mas não somos só isso não é? E nossos gestos emocionais, somos capazes de nos sacrificar para salvar outra pessoa num segundo, às vezes sem pensar. Sorrimos! Ensinamos, apoiamos, ajudamos. Somos capazes de amar fraternalmente e sofrer até por quem nunca vimos!

Lutamos para salvar animais, florestas, flores, crianças, mulheres, homossexuais e todos aqueles que achamos estar sofrendo. Gastamos quantidades de dinheiro enorme, às vezes para salvar uma pessoa só, como se não pudéssemos viver sem aquele companheiro. Não abandonamos quem se perdeu, criamos meios de resgatar pessoas presas em minas, quase soterradas. E chegamos ao cúmulo de arriscar nossas próprias vidas para resgatar cadáveres só para a família poder cumprir com os rituais de luto, porque amamos uns aos outros. Doamos dinheiro para que todos se alimentem, fazemos shows para que todos tenham onde morar, protegemos, cuidamos. Não deixamos ninguém sem participar da vida, incluímos pessoas com deficiências, criamos meios para que elas possam viver plenamente.

Somos lindos, maravilhosos, perfeitos. Mas também somos humildes, falamos pouco de nossos feitos, na maioria das vezes nos depreciamos, vejam só! Então convido todos a serem orgulhosos e declararem suas virtudes, belezas, generosidades, amores. Falemos mais sobre isso porque isso é verdade: Somos maravilhosos!!

Namasté!

Leia também:
Nós já estamos num mundo melhor.
Coragem de ser você
Será que nos amamos?

domingo, 31 de outubro de 2010

Amor Independente




Vamos continuar as questões de Bia. A segunda pergunta foi:

“Os homens não teriam que dever dar apoio e segurança para mulher, na relação do casal?”


Essa segunda pergunta me deu a impressão de que estou certa quando digo que confundimos independência com abandono... Porque achamos que uma pessoa autônoma não precisa de apoio? Acho que nem homem nem mulher devem fazer qualquer coisa por obrigação. Isso é inconcebível numa relação que se diz amorosa. No amor é natural querermos cuidar, proteger, dar apoio. Isso não devia ser um termo de contrato.

Homens e mulheres que se amam, naturalmente se inclinariam para isso e seria uma troca, uma atitude tanto do homem quanto da mulher. Porque, pasmem, os homens também precisam de apoio e segurança!!

Às vezes acho que esse é um dos motivos das pessoas se unirem em par, receber apoio mútuo para enfrentar com mais facilidade os desafios que o existir apresenta. Então porque só o homem teria esse “dever”? E porque o homem retira essa atitude quando está diante de uma mulher independente?

Será que amor, para a gente, tem que estar ligado a um ser incapaz e dependente? Porque estamos resistindo a aprender a amar como adultos? ... Eu vejo certa retaliação... Como se disséssemos: Ah! É assim? Quer ser independente? Então tome? Vai ficar sem meu apoio! É quase um castigo imposto aos que querem ser adultos.

Então eu não acho que segurança e apoio são dever do homem e sim uma atitude de pessoas amorosas, não é uma questão de gênero; e sim de comportamento amoroso.

E podemos aprender a agir assim, homens e mulheres, mesmo sendo independentes. Repito, precisamos compreender melhor o que é ser independente. Precisamos aprender a amar de forma adulta, livre, madura. Precisamos tocar no verdadeiro amor.

Namasté!

Leia também
O casamento
Mulheres descartáveis
O blog Mulher de 40 e o casamento

domingo, 24 de outubro de 2010

Um novo casamento



Hoje temos mais uma colaboradora do Múltiplas, Bia. Que sugeriu o tema sobre:

“O papel do casal nos dias de hoje. Ficou tão estabelecido as funções (homem protege, mulher acolhe) que às vezes as pessoas ficam perdidas.”

E lança duas perguntas:

“A mulher está se tornando cada vez mais independente, mas e no relacionamento, isso também deveria mudar?”
“O homem não teria que dever dar apoio e segurança para a mulher, na relação do casal?”


Bem, sobre a primeira pergunta sobre as mulheres independentes, já falei no texto “Programação da mente feminina”. E sobre se deveria mudar eu falei no texto “Há saúde na dependência?” Segundo esses dois textos, a mulher ainda está no processo de ser independente nos relacionamentos, a programação da fragilidade emocional e de necessidade de ter um homem para se sentir amparada diante a vida ainda está tocando como “hit parade” em nossas mentes. Vejo mulheres completamente autônomas financeiramente e profissionalmente, mas algemadas à casamentos insatisfatórios por medo de ficar sozinhas... Leia-se, sem homem.

Os dois textos respondem se “isso também deveria mudar”, no meu entender é claro que precisa, não dá para ser independente numa área só, é preciso estender isso para vida toda. Onde há dependência há mal estar. Agora, precisamos compreender bem o que é independência e autonomia. Acho que esses conceitos não estão sendo bem entendidos.

Pensamos que uma pessoa independente deve ser abandonada à própria sorte, agimos quase como retaliação. Ah! Não é tão independente? Agora se vire sozinha para tudo! Um ser independente não é um ser isolado, nós humanos trabalhamos em equipe desde que deixamos de ser macacos, foi isso que nos garantiu sobrevivência. Sozinhos morremos.

Um casamento é um trabalho em equipe e numa equipe há e deve haver colaboração, cada um faz uma parte para o todo funcionar melhor. O que começamos a fazer foi “cada um por si e deus por todos”, confundimos independência com abandono, descuido, retaliação. Ficamos nos 8 ou 80, só vivemos juntos se formos dependentes. Ainda não sabemos como duas pessoas independentes afetivamente podem ser companheiros. E é isso que deve mudar.

A pergunta deveria ser: O que é ser independente? E depois... Como sendo independente posso amar e conviver com um cônjuge?

Bom, o texto ficou grande e vou dar continuidade ao tema no próximo, ok?

Namasté!

Leia também
Lógica ou armadilha?
Felicidade transfrerida
Amor, liberdade e solitude

domingo, 17 de outubro de 2010

Esquecer uma paixão




Agora a inspiração veio de @anacarolsoares que pediu para falar sobre:

“A dor de esquecer um fato, paixão ou pessoa importante, mas inadequada.”


Venho trabalhando muito com isso... E a boa notícia é: As pessoas se curam! Não ficam feito novela e filme não; amargando uma paixão para o resto da vida. Como já disse antes esse tipo de coisa é muito interessante para ler num livro, acompanhar numa novela ou filme, mas para viver...

Falando em filme tem até um que fala disso “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. No qual um médico inventa um remédio para que o mocinho esqueça, literalmente, de um grande amor que não funcionava bem. Mas mesmo assim o "negócio" fica lá criando problemas.

Então eu sugiro que não se esqueça! Xiiiii... Deu medo? Fique não! Esquecer cria problemas, porque o máximo que podemos fazer é colocar numa gaveta inacessível, que não vemos, mas sentimos, igual ao rapaz do filme. Freud escreveu muito sobre isso. Afinal as mulheres que ele tratou, usavam esse recurso com os eventos muito dolorosos. Ele chamou de recalque, que no meu entender é esconder, mal escondido, algo dolorido.

Pois bem, minha sugestão é: Transforme a lembrança! Você não precisa esconder nada de si mesmo, é melhor modificar a forma como vê esta situação. Eu chamo a técnica que inventei para curar paixão de “desligar os aparelhos da paixão em coma”. Se você prestar bem atenção esse “amor” já está mais pra lá do que para cá. O que precisamos fazer é ir desligando, fio por fio, do que o mantém vivo. Vamos aos poucos transformando essa paixão em outro sentimento, até a pessoa ver esse outro apenas como alguém a quem nos afeiçoamos um dia. Isso leva tempo é claro. Em torno de doze a dezoito meses, mas é possível.

O principal é você saber que a paixão é curável, ela nasceu então pode morrer, como tudo aqui nesta dimensão. Se ela não morre é porque você a alimenta de algum modo, talvez por medo ou, na maioria das vezes, por acreditar que só pode sentir tal coisa um única vez na vida e se deixar isso morrer ficará seco para sempre. Vou lhe dizer: Isso é mentira! Você foi programada pela natureza para sentir isso mais de uma vez e com mais de uma pessoa, se não fosse assim não teríamos tantos problemas com traição.

Meu conselho é: Deixe o romantismo de lado! Ele só fica bem em livros, novelas e filmes.

Namasté!

Leia também
Escolha de sentimentos
Há saúde na dependência?
Somos mal educados emocionalmente

domingo, 10 de outubro de 2010

Os Prisioneiros



A @Rosanacristina sugeriu o seguinte assunto:

“Pessoas que tratam os outros bem, mas em casa tratam a família muito mal.”


Ótimo tema! Tenho algumas ideias sobre isso... Pelo menos duas. Primeiro: Normalmente nos sentimos mais à vontade para mostrar nossos demônios internos a quem achamos que não nos abandona. Segundo: Eu falei sobre isso no texto “Respeito x Amizade” confundimos intimidade com invasão, geralmente achamos que o outro que se abriu para a gente é nossa propriedade e podemos fazer o que bem entender com ele...

Se misturarmos esses dois pontos, temos uma bomba que explode diariamente nos lares. E aquela sensação de que somos menos importantes que o vizinho para nossos familiares. Já que aos vizinhos, tudo! Gentileza, educação, polidez. E para gente, socos e pontapés!

Tratamos os íntimos como nos tratamos, também já falei disso aqui no texto (Será que nos amamos? ), normalmente nos maltratamos muito sem nem ter consciência disso. Entendemos errado o conceito religioso de fazer o bem ao próximo. Nossa compreensão disso é que o outro deve ser bem tratado enquanto nós mesmos, somos “de casa” então para que impressionar?

A educação é para mostrar e fazer figura para o alheio, para os de casa, que já conhecem tudo de mim, eu não preciso ter boa imagem. Os trato como me trato: Mal!

E ainda tem outro elemento, eu imagino que minha vida não vai bem justamente por culpa daquela turma lá de casa... Foram meus pais que não confiaram em minhas capacidades, o cônjuge que só faz cobrar e não me elogia, ou os filhos que nasceram na época errada e me impediram de fazer aquele curso ou aquela viagem, que mudaram tudo...

Encaramos família como prisão, então porque sermos gentis com nossos carcereiros? Sem essas pessoas eu seria livre para fazer o que eu quisesse...

Vou lhe dizer uma coisa. Não existe prisão externa, e mesmo que eliminássemos todos os “carcereiros” fora, restaria o único que realmente nos aprisiona: Nossos conceitos sobre as coisas, nossas crenças. Minha sugestão? Mude-as, troque-as por ideias libertadoras, re-signifique-as. E poderá ver quem realmente está junto, tratando-os com gentileza sincera.

Namasté!

Leia também:
Felicidade transferida
Amor Obsessivo 
Maridos gostam da companhia de esposas?

domingo, 3 de outubro de 2010

Calar faz bem?




A @THistorias sugeriu outro tema interessante, ela perguntou sobre:

“o poder de silenciar diante alguma situação, deixar de falar pode ser melhor às vezes?”


O silêncio faz parte da sabedoria do tempo. É um legado oriental, nós, ocidentais, temos muita dificuldade com ele. Somos de energia Yang, ativa, então, na maioria das vezes, entendemos que para resolver qualquer situação devemos falar, esbravejar, reivindicar. Não é à toa que foram os ocidentais que criaram a cura pela fala (psicoterapia).

Em nossa opinião o silêncio pode ser visto como covardia, fraqueza, falta de engajamento. Não compreendemos como podemos resolver algo calando. Por exemplo, num relacionamento, inventamos a famosa DR (discussão de relação) para acertar pontos discordantes... Mas sinceramente, eu ouço mais as pessoas reclamarem disso, às vezes cria mais confusão do que resolve.

O silenciar é ensinado pelos mestres orientais como um recurso de autoconhecimento. É o espaço no qual podemos nos ouvir, o silêncio é Yin, passivo, receptivo ele é o primeiro passo para um bom diálogo. Saber ouvir é uma arte que só se pode fazer em silêncio, não só o da boca, mas o das emoções também, se colocar vazio, receptivo, sem julgamentos, para o que virá é a melhor forma de começar a resolver uma questão.

Aqui não estou sugerindo o mutismo, mas uma fala repleta de silêncio interno. Então, minha querida @THistórias, a resposta que eu tenho para você é: Sim! Deixar de falar pode ser a grande solução, mas este deve ser um silêncio meditativo, rico em possibilidades, amoroso. Calar por raiva, medo, birra, não ajuda, é um silêncio sujo que não se torna receptivo à criação do novo.

Namasté!

Leia também:
Silenciar
Verdade e amor romântico combinam?
Amor, liberdade e solitude

domingo, 26 de setembro de 2010

Escolha de sentimentos (parte 3)



Bom, então você descobriu que seu parceiro/a se encantou por alguém mais e não contou. Você se sente traído/a, feito/a de boba/o. E vai chorar, se sentir inferior, sofrer uma dor aguda de “desimportância” por muitos meses seguidos e talvez nunca mais querer se apaixonar. Vai ficar desconfiada/o de todo mundo que se interessar por você e vai dizer: A vida é assim, as pessoas são desonestas, só eu presto!

Só que no futuro vai esquecer-se de tudo isso e cair de novo nas artimanhas de Cupido, achando que dessa vez vai ser diferente, que esse é seu Príncipe/Princesa, e surpresa!? Leva um novo tropeção. Então fazemos música, poesias, livros e filmes dizendo das agruras do amor e de como somos sábios agora por termos descoberto que ninguém é confiável; ficamos amargos, cínicos e... Morremos.

Triste, não?

Eu digo: Mude a forma de ver! Corte o mal pela raiz. Não espere do outro, faça você mesmo. Diga: Independente do que o outro me diz ou deixe de dizer, aquilo que eu vivo e recebo é verdade, eu vivo no paraíso, pois garanto meus sentimentos, quanto ao outro, recebo o que ele pode me dar e aquilo que ele esconde eu não posso controlar, sei que a parte que me cabe do afeto do outro é verdadeira, o que eu deixo de saber não interfere no que eu já recebi. Sou independente do que eu não tomo conhecimento. E se um dia eu ficar sabendo, do escondido, não desfará nada do que eu já vivi, isso ninguém pode tirar de mim. Alguém só me faz de bobo se eu me sentir assim. Se eu não me sentir bobo, nem traído, ninguém tem o poder de me colocar nesse lugar. Só eu posso me sentir assim, eu posso escolher! E eu não permito que ninguém manipule os meus sentimentos com seu comportamento. Eu me liberto do outro e de seu comportamento.

Agora, se você não quiser ou não acreditar que isso é possível, tudo bem! Bom sofrimento para você!

Namasté!


Leia também:
Lidar com emoções
A arte de viver
Sofrimento é dor estendida

domingo, 19 de setembro de 2010

Escolha de Sentimento (parte 2)




Continuando o texto anterior, deixei algumas perguntas para vocês pensarem a respeito. Baseada na idéia de que podemos escolher como nos sentimos, propus a hipótese de mudarmos nossa programação quanto a como vemos e interpretamos o comportamento mentiroso que alguns entes queridos, de vez em quando reproduzem (incluindo a nós mesmos, viu?)

E se pensássemos assim: Aquilo que eu vivo dia a dia é a minha verdade e está bom, se o outro esconde algo de mim, eu não posso adivinhar, mas isso que eu vivo agora é minha verdade e nenhum comportamento alheio pode me tirar essa verdade?

Não parece melhor? Vamos dizer que você descobriu que além de você seu cônjuge namorava outra pessoa e não lhe contou nada... Será que só por causa disso, tudo o que você viveu se tornou automaticamente mentira? Os seus sentimentos perderam a validade por que o outro mentiu? Você não sentiu o que sentiu porque o outro não foi totalmente sincero?

Eu acho que não! O que você viveu foi real, apenas você não teve acesso a uma parte da vida do cônjuge. Alguns acham que só podem ser verdadeiramente amadas se forem as únicas amadas por aquele outro, mas isso é impossível, não conseguimos amar sempre e unicamente uma pessoa só, amamos variadas pessoas, com expressões diferentes todos os momentos. Amamos pais, mães, amigos, ídolos de TV ou literatura, colegas de trabalho, filhos e às vezes, amantes, sim, é verdade... Mais cedo ou mais tarde no caminho de um longo relacionamento, achamos outra pessoa interessante. E aí? A partir desse momento o que você viveu com o parceiro fixo de alguns anos passou a ser mentira?

Acho esse conceito conto de fadas demais. É uma ilusão que nos apegamos para nos sentirmos especiais. Mas ele provoca mais sofrimento que alegrias.

Pense nisso. No próximo texto eu continuo o assunto!

Namasté!

Leia também: 
Responsabilidade x culpa
Sexo, vida e confusão...
Controle das emoções

sábado, 11 de setembro de 2010

Escolha de Sentimento




Visualizei outra coisa legal! (ver texto do dia 07/09/10). Se nós podemos escolher como vamos nos sentir... Ninguém mais pode nos trair! A menos que você decida que vai experimentar o comportamento do outro como traição. Ninguém pode enganá-lo, porque só você pode viver sua vida e ter seus sentimentos. Se você experimentar algo de certa maneira foi essa a sua verdade, não a do outro.

Vou tentar explicar... Ouço muitas pessoas sofrerem por se sentirem traídas, pode ser o cônjuge que mentiu e teve uma relação extra-conjugal, quando prometeu monogamia; pode ser um filho que usou drogas quando prometeu não fazê-lo, pode ser um amigo que prometeu sempre apoiar e na hora "H" tira o corpo fora. Mas o sentimento de traição, a sensação de ter sido feito de bobo ou de que viveu uma mentira é uma das lamentações mais constantes da experiência humana.

Bom, eu vi que se mudarmos a forma de ver essa situação podemos sofrer menos e superar melhor o evento ou mesmo não nos sentirmos inferiorizados se um ente próximo decidir mentir para gente. E isso é uma coisa que acontece sempre, mais cedo ou mais tarde, alguém será enganado. E nós passamos muito tempo de nossas vidas e gastamos muita energia com medo e tentando criar estratégias que evite o outro de mentir. O que raramente funciona...

Assinamos papéis, fazemos juras, vigiamos, ameaçamos e... Nada funciona! Mas cedo ou mais tarde alguém chega e mente! Pensei... E se mudássemos isso na gente? Se mudássemos a programação dentro de nossa mente? E se não esperássemos controlar o outro e sim nossa própria idéia e reação sobre isso?...

Continua no próximo texto.

Namasté!

Leia também:
Felicidade transferida
Ciúme
Infidelidade

sábado, 4 de setembro de 2010

Fato e Interpretação




Veja que coisa legal eu descobri! Somos nós que julgamos uma situação como boa ou ruim. Na verdade um fato é apenas algo que aconteceu de uma determinada forma, em si, por natureza, não tem significado específico, nós é que aprendemos a julgar, a identificar este fato com um significado que nos faz sofrer ou não.

Um evento é apenas isso, um evento. Nós reagimos a ele como aprendemos e damos a ele as cores que queremos ou nos ensinaram a dar. Se for uma perda aprendemos que é ruim, que faz sofrer, então automaticamente sofremos, achamos natural, como se essa reação jamais pudesse estar sob nosso controle ou escolha. Se for ganho, aprendemos a ficar felizes, sempre jogados de um lado para o outro pelas circunstâncias externas.

Nós temos o poder de escolher, mas não escolhemos, somos levados pelos nossos condicionamentos. E o pior, nem apostamos na hipótese de que podemos escolher, achamos isso um absurdo, porque sempre vimos as coisas acontecerem do jeito anterior (sem escolhas). Então afirmamos que porque nunca vimos acontecer diferente, é fatal as coisas só se manifestarem de um jeito. É o lógico! Eu não posso fazer diferente, as emoções são mais fortes que eu, o controle dos sentimentos é coisa de robô, de gente fria, calculista. Humanos são desvairados, descontrolados, essa inclusive, é nossa essência...

Sabe que mais? Eu não quero acreditar mais nisso! Ainda respondo em muitas ocasiões como uma desvairada, porém estou treinando uma nova maneira de reagir e não acho que vou me transformar num robô não... Vou é assumir o comando do meu mundo interno. Esse eu posso dominar, é o único que, se tentar, posso ficar dona.

Pode até parecer um absurdo delirante, mas até hoje foi esse tipo de pessoa (delirante) que criou toda a tecnologia material que conhecemos. E agora precisamos de uma tecnologia psíquica avançada urgentemente! Então, deliremos!

Namasté!


Leia também:
Coragem de ser você.
Silenciar
Programação da mente feminina

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Amor Próprio




No dia 23 de Agosto eu fiz uma pergunta no Twitter relacionada ao texto que havia publicado no dia anterior (Será que nos amamos?). Perguntei o significado de amor próprio, consideração de si, auto-estima. Obtive algumas respostas muito interessantes e achei que podia fazer uma colagem com os conceitos de todos para formar uma idéia maior. Então vamos lá! (os tuites das pessoas estão abaixo do texto)

Primeiro apresento as pessoas que colaboraram: @livroDPedroII , @AlexMell1, @missionpaz , @MarquesKs , @Giil_xD , @solangemaria1 , @annaruthh , @Rosanacristina , @carla_accioly , @_mulherde40 , @svillatorre , @Herege . Obrigada a todos!!!


O amor próprio é um fluxo de troca, ele acontece por dentro e flui para os outros, é necessário existir movimento; ele também aparece como aceitação e amizade consigo mesmo, não sendo cruel e aceitando suas próprias limitações e diferenças. É um ensinamento antigo, pois foi proferido por Jesus “ama a ti”. De maneira nenhuma isola, pois mesmo sabendo que somos a pessoa mais importante para nós, não construímos muralhas e sim compartilhar com todos, ampliando o sentimento e distribuindo-os com quem cerca a gente.

Este amor nos dá importância, eu respeito a mim e por conseqüência respeito os outros. E nos ajuda a resistir, pois sem ele teríamos dificuldade de sobreviver, lutar por a gente. Ajuda-nos a respeitar o que sentimos e observar nossas virtudes e valores, com isso fica mais fácil nos sentirmos adequados, apropriados para a vida e nos colocamos em alto conceito, sabendo-nos únicos, buscando ser a melhor versão de nós mesmos o que dá segurança de si, nos deixando independentes da opinião dos outros para nos sentirmos bem e termos segurança do que fazemos e mostramos. Então ficamos corajosos e nos apoiamos, pois gostamos de ficar em nossa própria companhia, sem ter medo doa demônios que ainda habitam em nossas trevas. Porque sabemos nos proteger, não deixamos invadir nossos espaços sagrados, nem nos destruir.

Por fim nos valorizamos, damos importância aos nossos sentimentos e problemas e não nos inferiorizamos em comparações. Priorizamos-nos, nos colocamos num grau de importância saudável. E nisso tudo terminamos nos conhecendo melhor, reconhecendo limites e potencialidades de forma justa. Gerando assim uma pessoa mais saudável para a gente e para viver em comunidade. Alguém que ama a si tem o coração generoso e não machuca os outros nem destrói seu ambiente.
Parabéns a todos!!! E agora mãos à obra, vamos realizar esse conceito de amor e gerar uma vida mais rica e satisfatória!!

Namasté! (O deus que habita em mim saúda cada deus que habita em vocês!)

Leia também:
Há saúde na dependência?
Coragem de ser você
Ser normal ou ser feliz?


Abaixo os tuites dos meus amigos:

O amor próprio como um fluxo de troca. RT @livroDPedroII: só me amo quando estou a amar alguém.

Amar a si como aceitação e amizade. RT @AlexMell1: Significa não ser cruel consigo mesmo e aceitar suas limitações e diferenças.

Um ensinamento antigo. RT @missionpaz: "Amai ao próximo como a ti mesmo!"C esses ensinamentos Jesus alertou:ama a ti p poder amar ao outro.

Amor próprio ñ isola. RT @MarquesKs: A pessoa mais importante do mundo é vc S/A. Mas isso não pode te fazer muralha

Amor próprio compartilhado. RT @Giil_xD: quando a pessoa se ama, é q ela pode ampliar este sentimento,distribuindo-o c aquelas q a cercam..

Amar a si como nos dar importância. RT @solangemaria1: auto estima é respeito por mim e pelo próximo! Eu acho que é primordial!!


Amor próprio como capacidade de resistir. RT @annaruthh: Acredito que auto-estima é uma necessidade humana com valor de sobrevivência.

Amor próprio como amizade a si. RT @Rosanacristina: Aceitar minha limitações , defeitos,virtudes, respeitar o que sinto..

Amor próprio como sentimento de adequação. RT @annaruthh: Auto-estima ainda é sentir-nos apropriados para a vida .

Amor próprio como alto conceito sobre si. RT @carla_accioly: Saber-me única,cm identidade firmada,buscar ser a melhor versão d mim mesma,...

Amor próprio como segurança em si. RT @_mulherde40: ñ precisar da opinião dos outros p se sentir bem.Ter segurança do q faz e do q mostra.

Amor próprio como coragem e apoio em si. RT @_mulherde40: gostar de ficar em sua própria companhia,sem ter medo de seus próprios demônios.

Amor próprio como saber se proteger. RT @_mulherde40: ñ deixar q os outros invadam espaços sagrados dentro da gente e destruam-nos.

Amor próprio como auto valorização. RT @_mulherde40: Valorizar os nossos sentimentos,e ñ achar q nossos prob são irrelevantes comparados a.

Amor próprio como se priorizar. RT @svillatorre respondendo a pergunta de manhã,hehe ... significado: 1º eu , resto é conseqüência

Amor próprio como auto conhecimento. RT @Herege Mais q o respeito por nós, passa pelo se conhecer,reconhecer limites e potencialidades

domingo, 29 de agosto de 2010

Há saúde na dependência?




Recebi um e-mail de Bia, uma leitora do Múltiplas que pediu para escrever sobre “dependência emocional nos relacionamentos”. E fez três perguntas em relação a isso:

“Até quando é saudável ter dependência em relação ao outro? E quanto às fraquezas? Até que ponto pode ou não demonstrá-las?”


Bom, em minha opinião não existe forma saudável de um adulto depender emocionalmente do outro. Toda forma de dependência afetiva é doença. Só uma criança deve depender de outra pessoa, pois ainda está em desenvolvimento e precisa mesmo de um apoio externo para sobreviver. Um adulto já deveria ter internalizado esse apoio e se tornado auto-suficiente.

Alguns podem achar um exagero de minha parte, que seja, é assim que vejo. Um adulto para mim é um ser independente que compartilha sua vida e seu afeto, ele não deveria precisar do afeto do outro, para mim esse tipo de relacionamento de falta, de carência é pobre e infantil. Adultos trocam afeto em abundância, ricos, no luxo. Isso para mim é amor, não concebo amor e pobreza (emocional) vivendo juntos.

Então duas pessoas saudáveis são ricas em amor e independentes uma da outra. Não precisam uma da outra, elas compartilham suas riquezas, mas podem viver separadamente também. Essa história de depender e precisar do outro é para romances literários e novela, não deveríamos querer isso. Deveríamos querer amar de forma abundante e eu não vejo como um ser abundante pode ser depente.

Quanto às fraquezas, é impossível não demonstrá-las numa convivência diária, mais cedo ou mais tarde elas aparecem. Melhor mesmo é não esconder de si, fingindo que não as têm, porque quando o outro avistar e apontar, geralmente num dia de fúria, você não vai ser pego de surpresa. E vai poder encará-las de forma tranqüila e de cabeça erguida, sem precisar desfiar a lista de defeitos do outro para contrabalancear as suas.

Você não precisa se adiantar, elas vão aparecendo no dia a dia, agora, se quiser contar, melhor, aí o outro vai saber rapidamente onde está se metendo e depois não vai poder dizer que foi enganado. Tudo foi dito e ele escolheu passar pela relação assim mesmo.

Sou a favor de testar o relacionamento, se o outro não aguenta minhas fraquezas não pode me amar por inteiro, então é melhor ir embora mesmo, não vale à pena ficar com alguém que não nos pode ver e gostar por inteiro.

Também sou do time da verdade nua e crua, acho que o outro tem o direito de saber com quem está lidando. Embora saiba que não foi assim que fomos educados. Portanto fraqueza não se pode esconder por muito tempo, mesmo quando se tenta então para que perder tempo tentando?

Tudo que aprendemos sobre amor entre casais fica muito bonito nos livros, filmes e novelas, mas não funciona no cotidiano, precisamos acordar para isso! E criar um modelo adulto de amar.

Namasté!

Quero agradecer o carinho de Bia e dizer: Não se assuste! Espero que tenha gostado!


Leia também:
Programação da mente feminina
Amor obsessivo
Ciúme

domingo, 22 de agosto de 2010

Será que nos amamos?



Outro assunto sugerido por @THistorias: “Amor próprio, auto-valorização, se querer bem e se respeitar.”

Isso é praticamente a continuação do assunto anterior “Coragem de ser você”. Nossa cultura ainda não é a do amor próprio. Ela está baseada na idéia religiosa de que o ser humano é culpado (já nasce assim) imperfeito e que precisa ser domesticado pelo medo. Partindo do princípio que precisamos ser alguém além, alguém diferente de quem somos, que precisamos “ser melhores”. Melhores do que quem? Melhores do que somos hoje, porque hoje somos insuficientes. Não somos bons o bastante.

Então como amar, respeitar e querer bem esse ser insuficiente, fraco, imperfeito?... Como gostar de si quando temos uma imagem tão ruim de nós mesmo? E sabe o pior?! Nós não temos consciência de que nos colocamos em tão baixa consideração! Nós achamos que nos amamos! Mas no primeiro vacilo, nos rebaixamos, inferiorizamos, nos punimos e condenamos, pensamos o pior da gente e nem percebemos, só sentimos mal estar, tristeza, insatisfação, angústia e infelicidade. E partimos para um médico dizendo que estamos doentes com dor disso e daquilo, nem desconfiamos que boa parte de nossas mazelas são criadas pela falta de consideração que temos conosco. Maltratamos-nos, tendo vidas ruins, insatisfatórias porque, no fundo, achamos que merecemos. Afinal desobedecemos a Deus, não foi? Fomos expulsos e castigados!...

Para nos amar, valorizar, querer bem e respeita temos que primeiro, tomar conhecimento de que não fazemos isso. Que fazemos o contrário e depois começar um novo aprendizado, nos tornando um amigo amoroso de nós mesmos. Criando uma voz interna suave e firme que nos apóie e oriente, parando para conhecer quem realmente somos, nos ouvindo no que gostamos e no que não gostamos, nos nossos limites e potencialidades. Dizendo para nós mesmos que somos lindos e que quando erramos podemos aprender e aperfeiçoar o comportamento construtivo porque temos potencial para isso e não porque somos defeituosos.

Fomos criados em perfeição, o criador é perfeito e perfeito não cria imperfeito, tudo se encaixa como em grande quebra cabeças, nós não vemos porque não ampliamos nossa visão ainda. Com visão estreita não conseguimos compreender os eventos que nos assustam, então os interpretamos como maus e errados e isso inclui a nós mesmos.

Namasté!

Leia também:
A única doença que existe é a infelicidade
Não sofrer com derrota
Nós já estamos num mundo melhor

domingo, 15 de agosto de 2010

Coragem de ser você



A @THistorias, amiga do Twitter e leitora do Múltiplas, sugeriu dois temas para eu falar aqui. O primeiro é “coragem de assumir nossas vontades e desejos, enfrentar o medo. Ter coragem de fazer e sermos nós mesmos, mesmo sendo desaprovado pelos outros.” Tema crucial para nossa felicidade.

Quando eu estava na faculdade de Psicologia, passamos por um experimento interessante, para testarmos a força da pressão de um grupo. Foram escolhidas nove pessoas, oito sabiam do experimento, uma estaria totalmente sem conhecimento. Esta se sentaria na última cadeira e seria a última a responder uma pergunta. Foi colocada uma figura geométrica com vários traços, num quadro e a pergunta era quantos traços havia na figura. As primeiras rodadas todos diziam o número real de traços, todos concordavam. Num determinado momento as oito pessoas começaram a mentir quanto ao número visto e a cobaia começou a sentir-se desconfortável, pois via um determinado número quando os outros não “viam”, este teste foi realizado com algumas pessoas e a maioria sucumbiu à visão do grupo, mesmo sabendo que sua percepção era a certa. Elas não tiveram força para ir contra um grupo coeso, mesmo que este estivesse falando absurdos.

Penso que é o que acontece quando temos pouca coragem de sermos nós mesmos. Assumir-nos, significa ficarmos diferentes, anormais e o grupo prefere normatizar, igualar. Já falei sobre isso no texto “Ser normal ou Ser Feliz”. Temos necessidade de sermos apoiados, aprovados isso nos deixa seguros e confortáveis. E o grupo apóia quem age dentro de uma norma, pois é mais fácil de confiar, saber como as pessoas podem reagir e controlar as situações. O diferente, único, assusta, pois não é previsível.

Ter coragem de ser único é vital para felicidade, mas provoca desconforto da desaprovação grupal, é um preço a pagar. Ainda vivemos em bandos, não saímos totalmente do mundo animal, temos raízes fortes neste modo de operar. Por isso poucos conseguem colocar os “cornos para fora e acima da manada”.

Para quem já está aí, parabéns! É o que eu chamo de liberdade, mas, como tudo nesta dimensão, tem um preço a se pagar, neste caso pessoas desaprovando e cobrando outro comportamento. No entanto, sabe o que mais? Eu acho que vale a pena!

Namasté!

Próximo tema (Domingo) da @THistoria: “Amor próprio e auto valorização” no próximo texto

Leia também:
Quem quer ser feliz?
Perdas e Ganhos
Como nos educar?

domingo, 8 de agosto de 2010

Terapia de Vidas Passadas



Continuando o assunto proposto por Fernanda Medeiros, o texto de hoje é sobre Terapia de Vidas Passadas - TVP. Lembro que não sou especialista no assunto, é apenas uma opinião que vou partilhar.

No meu entender essa é apenas mais uma técnica de cura que pode funcionar muito bem com algumas pessoas, libertando de suas angústias inexplicáveis. Como toda técnica ela não funciona com todo mundo, nem remédio alopático é assim, que dirá procedimentos que lidam com o subjetivo das pessoas!

Já li alguns livros sobre isso e me submeti a uma sessão com um profissional respeitado e comprometido com a técnica. Mas não me senti hipnotizada o suficiente para ter certeza de minhas visões.

Todas as vezes que li ou ouvi um profissional da área, foi-me dito que o que menos importa é se sua visão é real ou não. Se a experiência de vivenciar algo através da mente o liberou de um trauma ou aflição é o que importa. Quem você foi realmente não é o foco do trabalho e sim as suas atitudes positivas e negativas que podem estar repetindo hoje (que é a vida que interessa). É para melhorar a vida hoje que o método existe e não para ficar preso numa fantasia do passado. Nem sempre as lembranças vão tão longe no tempo, às vezes vão até a vida intra- uterina desta personalidade de agora.

Outra coisa que é mito em TVP é a história de que todo mundo foi Cleópatra na vida anterior. A maioria das pessoas se vê tendo vidas simples, são soldados, feirantes, comerciantes poucos se vêem como reis e rainhas. E não é para isso que a TVP serve, seu objetivo é a transformação do eu hoje, para uma vida melhor agora.

Também não é preciso acreditar em reencarnação para se beneficiar do método, as visões podem ser encaradas como uma representação teatral de um incômodo, no final é o insight que se adquiriu com a experiência que vale.

Bom, espero que tenham ficado um pouco mais esclarecidos sobre o assunto. Podemos ser menos supersticiosos e mais práticos. Os métodos existem para nos ajudar a viver melhor agora. Apenas use-os para isso.

Namasté!

Leia também:
Abordagem Centrda na Pessoa 1ª parte
Terapia Holística x Psicologia
Porquê procurar ajuda terapêutica?

domingo, 1 de agosto de 2010

Almas Gêmeas




A Fernanda Medeiros, leitora do blog, me pediu lá no Orkut, para falar sobre “alma gêmea” e “terapia de vidas passadas” (TVP). Devo dizer que não sou nenhuma especialista na área, mas tenho minha opinião sobre o assunto.

Há algum tempo atrás eu li o “Livro dos Espíritos”, uma coleção de perguntas feitas por Alan Kardec e respondidas pelos espíritos, sobre a vida espiritual. E me surpreendi quando lá (pág.139 a partir da pergunta 298) um espírito diz: “Não existe união particular e fatal entre duas almas.” “A teoria das metades eternas (almas gêmeas) é apenas uma figura que representa a união de dois espíritos simpáticos.”, “é preciso rejeitar essa idéia de dois espíritos criados uma para o outro.”

Espíritos simpáticos são aqueles que estão num mesmo grau de elevação e quando um deixa de evoluir, naturalmente se separam. Só se reencontrando quando estiverem novamente no mesmo grau de evolução.

Eu gostei disso! Precisamos aprender a ser inteiros. A idéia de alma gêmea imprime na mente a crença de que precisamos do outro para ser completos e já somos completos em nós mesmos. Não é a sensação de incompletude que nos faz amar, isso é coisa de “alma pobre”, é a infinita capacidade de amar incondicionalmente que nos faz amar algo ou alguém. Não deveria ser a carência, a falta de algo que nos empurra para o encontro amoroso e sim a abundância, o excesso de afeto que temos e precisamos distribuir para nossa alegria.

Portanto alma gêmea é uma idéia romântica que mais atrapalha que ajuda. Podemos ser “simpáticos” com muitas almas, ou seja, temos afinidades de elevação com várias almas e nos unirmos e separarmos de acordo com esse grau de elevação.

Não existe uma só pessoa que você combine e que fique enlaçado para sempre. Esse pensamento é fruto do medo e da ignorância. E não é amor. Onde há prisão e medo, amor não habita.

Namasté!

Obs.: O texto ficou maior do que eu pretendia então no próximo falo sobre Terapias de Vidas Passadas.

Leia também:
Verdade e amor romântico combinam?
Felicidade transferida
Lógica ou armadilha?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Comer Rezar Amar


Elizabeth Gilbert
Tradução: Fernanda Abreu
Rio de Janeiro: Objetiva, 2008



Relato de uma busca por si, contado de uma forma bastante intimista, parece até que estamos lendo uma carta longa de uma amiga descrevendo suas peripécias de viagens interiores e exteriores. Leve toque cômico, o que deixa a trágica angústia existencial boa de encarar.

Acredito que todos passamos por esse dilema do que estamos fazendo com nossa vida, mas poucos capitalizam isso. Elizabeth capitalizou de todas as formas possíveis. Ela se superou, se reencontrou e ainda vendeu prá caramba! (a capa do livro informa mais de quatro milhões de exemplares vendidos).

Gostei especialmente da parte da índia, me identifiquei com o conhecimento sobre Ioga que ela mostrou de uma forma bastante apurada. As idas e vindas de um processo de crescimento pessoal estão bem retratadas e as explicações sobre filosofia oriental, são muito coerentes.

Três personagens me chamaram atenção: uma amiga (Susan), o americano no ashram e o curandeiro balinês. Parecem mestres a apontar o caminho. O livro tem até final feliz e romântico. Muito divertido, instrutivo e bom para refletir sobre quem realmente somos.

Boa leitura!

Outros livros:
Treinando a emoção para ser feliz
Amor, liberdade e solitude
Livre-se do medo