domingo, 4 de dezembro de 2011

O Trovão no Piquenique





Woody Allen, com seu humor de sempre, fez duas declarações, sobre a morte, que achei interessante:

“A morte é como o som de um trovão distante num dia de piquenique” (Edith Wharton)

“A morte está sempre lá mesmo quando você está muito feliz.”


Fonte Isto é 22/07/11


Acredito que a maior parte de nós sente da mesma forma o que chamamos de morte. Uma interrupção, um fim, uma ameaça a nossa alegria. Aprendemos, com nosso instinto, que devemos evitar, a todo custo, morrer. Mas sabemos, por nosso intelecto, que isso é impossível. Penso que este é o grande dilema humano, o causador de todos os outros desconfortos e comportamentos estranhos.

Está pensando que estou exagerando? Bem, pode ser... Mas isto é só uma hipótese mesmo, não é? Então eu posso brincar com a idéia mesmo que ela esteja superlativa. Que outra causa melhor podemos encontrar para o desejo humanos de marcar a história, seja por fatos heróicos ou monumentos extraordinários?

E a ânsia de ter poder e comandar todo o resto do mundo, como nos desenho animados, que o plano é sempre dominar o planeta? Será que não é para aplacar o mal estar provocado pelo conhecimento de que, querendo ou não, vamos desaparecer?

Tomo como exemplo uma pessoa como eu, uma quase ninguém com poucos conhecidos, sem filhos, nem muitos parentes, alguém que não ultrapassou muito o seu bairro (não estou contando a internet). Quantos anos você dá para, depois de minha morte, eu estar completamente esquecida? Eu aposto em uns 5 anos, no máximo, estourando. Aqui na internet, eu nem precisei morrer, foi só desaparecer um pouco e a vida tomou outro rumo, claro que com algumas exceções.

Eu estarei completamente esquecida, provavelmente cinco anos depois de minha morte. E isso para um ego é assustador. É o trovão dizendo que vai acabar com o piquenique. Para aplacar esta sensação tenho treinado desaparecer, sugestão de meu mestre Osho. Imagine que você não está mais presente, diz ele, e que as pessoas estão fazendo tudo que precisam sem você. Tudo continua, além de você. Por um lado dá uma paz, mas como ainda não estou totalmente liberta, também sinto a angústia da desimportância. É o trovão me lembrando do inevitável.

Namasté!

Leia também:

Um texto interessante do Osho:
E se alguém te matar, Osho?


17 comentários:

  1. Lindo e tão reflexivo texto! beijos,ótimo domingo e semana!chica

    ResponderExcluir
  2. Chica:

    Obrigada!!!
    Pensar sobre a morte é ir contra a correnteza de nossa cultura. rsrs
    Bjs!

    ResponderExcluir
  3. Hhahahah! Um texto enxuto e perfeito, Nanda! Traduz toda a angústia da humanidade!
    Mas nesse ponto, é melhor pensarmos como J.J. Rousseau: "Se nos oferecessem a imortalidade na terra, quem aceitaria essa triste dádiva?"
    Bjss!

    ResponderExcluir
  4. LandNick:

    Oi querido!!!
    Obrigada!!!!
    Olha, eu tenho lá minhas dúvidas, se não ia aparecer um bocado de gente querendo esta tal imortalidade... rsrs
    Tem gente hoje pensando que plástica resolve... rsrsr
    Bjs!

    ResponderExcluir
  5. Nanda,

    Compartilho o mesmo sentimento.
    Como ainda não dei ao mundo um episódio heroico, talvez nunca aconteça, provavelmente 5 anos até sejam meses demais para alguem como eu ser definitivamente esquecida. Ou não... sabe-se lá se descobrem minhas poesias e textos de minha vida pessoal, cheios de bom humor, e enfim, pós-vida, o meu nome seja finalmente celebrado.

    Sou otimista! Só não consigo me imaginar paradona dentro de um caixão até a eternidade... é melhor ser cremada, não poderei me mexer... eu nunca páro quieta mesmo...

    Beijos

    ResponderExcluir
  6. Oi Nanda,
    A única certeza absoluta que temos, é que inevitavelmente, quem nasce morre. O medo da morte, é a dúvida do desconhecido, ou seja, para onde vamos? Quem consegue levar uma vida espiritual, encontra consolo de suas inquietudes. A espiritualidade nos ensina que há uma vida após a morte, portanto há esperança, e "teoricamente" uma vida melhor.
    O fato é que nossa existência é muito efêmera. Hoje estamos aqui, amanhã poderemos não mais nos encontrar deste lado da vida. Como a morte não tem dia e nem hora marcada para nos apunhalar, hoje é o grande dia de fazer a vida valer a pena. E isso todos nós sabemos fazer através de gestos e atitudes.
    Abraço.

    ResponderExcluir
  7. Sissym:

    Lidar bem com este desaparecimento é um meio de viver bem.
    Quanto a ser cremada, ser um pozinho é mais garantido de ser andarilho depois da morte rsrsr.
    Mas lembre-se de pedir para lhe espalharem em algum lugar! rsrs
    Bjs!



    Família Alcara:

    Pois é... Nós sabemos e não sabemos ao mesmo tempo. Parece que a morte sempre nos pega de surpresa, como se existisse um desejo de que ela fosse uma lenda urbana. rsrsr
    Viver o hoje bem também é um bom remédio para este desfecho.
    Bjs!

    ResponderExcluir
  8. Nanda,
    Tentei te mandar um email mas não deu certo! Preciso falar com vc!
    Manda um email pra mim:
    milene_galvao_13@hotmail.com

    bjos

    ResponderExcluir
  9. "A morte surda caminha ao meu lado e eu não sei em que esquina ela vai me beijar..." Raul Seixas.

    Adorei o texto!

    Eu vivia me perguntando: Como seria passar por essa transformação?

    Simples: morrer é o contrario de nascer. :D

    Quando nascemos todos estão felizes com a nossa chegada. Menos nós. Nunca ouvi falar de ninguém que nasceu sorrindo. Imaginem o desconforto que foi: O frio, o barulho, a luz, o cheiro, aquela fome...! Uma agressão.

    Quando morremos, choram. Creio eu, que o prazer de estar liberto de todas as limitações impostas por essa prisão que chamamos de corpo, deve compensar toda a tristeza dos que ficam. Certo ou não, já me confortei muitas vezes com essa idéia.

    Lembrei do livro "A menina que roubava livros"

    A histária se passa durante holocausto e é narrada pela morte.

    Tipo do livro que quem lê a primeira página não para mais.

    Mais uma vez adorei o texto.
    Bjão!

    ResponderExcluir
  10. Anderson:

    Obrigada!!!
    Também acho que morrer é nascer invertido! rsrs
    Olha, tem um livro chamado nascer sorrindo, do Leboyer, um médico francês que criou um método de parto no qual o bebê não sofre tudo isso que vc falou. E os bebês que ele coloca no mundo nascem calmos e sorrindo.
    O choro de nossa partida tem a ver com a saudade, a vida e as relações mal vividas e o medo de ser o próximo a desaparecer.
    Também acho que morrer não dá trabalho, viver é que são elas, defunto não tem conta para pagar, sapo pra engolir, medo do futuro... rsrs
    Não li este livro, mas já ouvi falar muito bem, acho que eu baixei ele, vou procurar.
    Novamente obrigada, sua visita muito me honra e sempre enriquece o Múltiplas!
    Bjs!

    ResponderExcluir
  11. Nunca deixa de ser uma grande paradoxo ... e até certo ponto convivemos muito bem, ou não.

    ResponderExcluir
  12. Seguindo!

    Comportamento Camisetas!

    Neste Natal não deixe de comprar ou presentear seus parentes e amigos com uma de nossas camisetas!

    http://comportamentocamisetas.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  13. Joselito:

    Paradoxo é o segundo nome para a existência! rsrs
    E convivemos bem e mal com isso!
    Bjs!



    Julio Cesar:

    Obrigada!!!
    Bjs!

    ResponderExcluir
  14. oi amigo boa tarde já fiz o post do meu amigo secreto confira no dihitt é esse mas o post lah no blog vou deixar os dois ai se comenta nos dois abraços clica para comentar no dihitt
    clica pra ver o poster completo no blog

    ResponderExcluir
  15. Nanda, o Ego é incrível ele traz uma ideia que na realidade depois de 5 anos não estaremos aqui para se preocupar com isso. Gostei, um bom Ano Novo, abraço Cynthia

    ResponderExcluir
  16. Nanda,

    O que aconteceu, tudo bem?

    Voce parou de escrever!

    Qualquer coisa me escreva para:

    sissym.mascarenhas@hotmail.com

    BEIJOS

    ResponderExcluir

Oi queridos/das, adoro ler comentários, contribuam para o meu prazer! Obrigada.