quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Liberdade

Abaporu - Tarsila do Amaral 1928


Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa 


Simplesmente adoro esse poema, ele parece muito comigo! Uma das coisas que mais gosto é não ter compromisso, sou muito responsável, mas acho que o bom da vida é fazer o que dá na telha momento a momento... Seria muito bom que não precisássemos de "dever" nada. 

Usufruir a vida no mais puro que ela tem é um privilégio dos poetas, uma coisa que ando fazendo muito! Amém!

O quadro de Tarsila eu também gosto, lembra essa leseira do descompromisso, ficar ao sol, lagartixando...Só no deleite de existir.

Ah! Foi da assinatura de F.Pessoa que me inspirei para minha própria assinatura.

Para saber mais clique:
Abaporu
Tarsila do Amaral
Fernando Pessoa

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

As Castas e a Educação





Porque estudar é caro? Fico ouvindo as pessoas falarem sempre que para ter boa educação é preciso ter dinheiro, nos EUA os pais começam a juntar dinheiro assim que os rebentos nascem, senão eles hão de ter algum talento em esporte para ganhar bolsas de estudo. Porque algo tão essencial para que todos vivam melhor é tão inacessível? E pior, porque queles que promovem essa melhora, os professores, nem ganham tão bem assim?

Dia desses soube que um colégio conceituado em São Paulo tem mensalidade de dois mil reais. Fica parecendo sistema de castas disfarçado. Quem faz diferença no mundo, ou seja, quem manda é quem estuda e quem estuda são os mais ricos, talentosos ou sortudos, a grande massa fica no ora veja, para ser comandada. Mas o interessante é que a educação é um ponto básico para o desenvolvimento, riqueza e manutenção da vida de todos!!!

É um contra-senso. Manter um sistema ultrapassado de elite em detrimento do bem estar de todos, inclusive da elite, que por mais que se esconda em condomínios, carros blindados e guarda-costas, precisa viver com todo o resto em algum momento.

As revoluções vieram, mas parece que mentalmente mantemos a realeza e a plebe, com outros artifícios, claro, mas fica tudo muito parecido. Não sou a favor de todo mundo ser igual, ter as mesmas quantidades de tudo, mas existe um básico a qual todos temos direito: respeito e amor próprio. Ser importante só porque existimos e termos providenciado alimento, saúde e educação por aqueles que vieram antes de nós.

Que ninguém seja visto como inferior só porque não tem muito dinheiro ou posição social. Que não exista alguém que se ache melhor ou mais digno só porque nasceu numa determinada família ou por ter um talento rebuscado em algo.

Educação de boa qualidade tem que ser algo acessível a todos, ricos e pobres, ela é uma qualidade que faz todos viverem melhor, que liberta mente de mesquinharias, que nos faz ser criativos. Vamos realmente acabar com o sistema de castas e classe social que diz que uma pessoa é melhor que a outra só pelo lugar em que nasceu. Vamos realmente nos educar!

Namasté!


Leia também:  Como nos educar?

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Luz e Eclipse




A luz que fui um dia
Eclipsada pelo insidioso medo
Brilha ainda
Mesmo sem meu conhecimento.

Nanda



Nossa condição é interessante, luzes eclipsadas pela falta de lembrança. Nossa angústia é uma ilusão que não conseguimos desfazer facilmente, na verdade nem acreditamos que não é verdade.

Leia também: A Espera


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A História das Coisas






Este texto foi sugerido por um amigo revolucionário, Anderson. Meu salvador para o mundo cibernético (é um verdadeiro super herói) e um excelente debatedor de conceitos estabelecidos. Obrigada pela dica e por existir!

Assisti a um vídeo no YouTube (A história das Coisas) que tenta nos colocar a par de como podemos estar sendo usados como peças de um jogo no qual poucos realmente ganham. E esse ganho é questionável, já que é finito se continuar com as mesmas regras.

O ponto é que estamos consumindo como robôs, ou melhor, zumbis, já que robôs pensam... Somos comandados por desejos de sermos incluídos, de sermos da turma ou de nos sentirmos “descolados”. Obedecemos a esse impulso interno que tem as cordas puxadas pelo apelo dos outros zumbis.

Vivemos num círculo de: Trabalhar até o bagaço e comprar até ter dívidas impagáveis... Que nos fazem ter que trabalhar mais para sair do sufoco ou manter a posição social alcançada. Fazemos tudo isso sem questionar, achamos natural, e certa, a vida que levamos. Estudo nas melhores escolas (para os filhos terem oportunidades), carros que nos elevem a auto-estima, casas em bairros conceituados, viagens anuais para lugares de destaque, roupas que dizem quem somos, aparelhos eletrônicos que nos conectam com o mundo e dizem o quanto estamos antenados, sem falar do plano de saúde e a conta da farmácia, que cresce a olhos vistos, já que esta vida no limite nos leva a adoecer mais facilmente.

Mas o pior de tudo é o medo, medo de perder tudo, de não conseguir manter-se comprando, de se sentir um fracasso. Sei que muitas pessoas não vivem exatamente assim, mas mesmo essas têm uma pressão mental dizendo: Você está fora, é excluído, não está fazendo certo, tem que ser um sucesso, ser elogiado, um exemplo de superação! E... Compras!

Exageros geram doenças, acho que nosso estilo de vida está doente, precisamos de tratamento e para mim o melhor tratamento é a consciência obtida através da meditação que é silenciar o monstro da cobrança e contemplar pelo menos um minuto a existência.

Quero lembrar uma coisa, você vai morrer, de qualquer jeito, mesmo fazendo tudo “certinho”. Que adianta então se deixar ser sugado por um sistema que beneficia os “escolhidos” (cantores, modelos, atrizes, jogadores de futebol, empresários, apresentadores de TV) a maioria estrangeiro? Será que sua vida só vale mesmo se você tiver o último lançamento tecnológico, o grito da moda, o carro que fala (e tem mp3), o celular que edita filmes, a barriga de tanquinho, a TV holográfica, o tênis que faz você andar nas nuvens? É só isso? Nada mais?


Namasté!

Leia também: Todas as flores são perfeitas

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Fora de série – Outliers


Malcolm Gladwell
Tradução: Ivo Korytowski
Rio de Janeiro: Sextante, 2008
283p



O autor traz uma teoria interessante. Ele mostra, baseado em pesquisas, histórias de pessoas de sucesso e coincidências numéricas, que o sucesso de um se faz em grupo. Gladwell tenta derrubar o mito do “homem que se faz” sozinho. E afirma que a conquista de uma pessoa, se deve a vários fatores, inclusive época em que nasceu.

A cada capítulo acrescenta um desses fatores que segundo ele, colaboram para o desenvolvimento de um ser humano e diz que se prestássemos mais atenção a esses detalhes mais pessoas poderiam ter sucesso.

Gladwell abre o livro explicando o que é um outlier (fora de série) contando a história de uma cidade americana, habitada apenas por imigrantes italianos, que não morriam como a maioria dos americanos (por infarto). Segundo um pesquisador isto se devia a sociedade que eles criaram, “uma estrutura social altamente protetora que era capaz de isolá-los das pressões do mundo moderno” O pesquisador criou uma nova associação para explicar a saúde da população: saúde/comunidade e mostrou que o grupo onde se vive influencia no indivíduo.

Ao longo do livro o autor vai explicando sua teoria. Os fatores que ele vê como contribuição do sucesso de alguém: a época em que nasceu a pessoa, o tempo que ela passou treinando uma habilidade, a forma como ela foi criada pelos pais, em que etnia ela nasceu, profissão dos pais, etc.

Gostei muito dessa idéia e acho que vale a pena pensar nela. Não somos só indivíduos, também somos grupo e a forma como vemos isso interfere no crescimento. Podemos todos ajudar a termos mais pessoas criativas, fora de série, no mundo e isso é bom!

Boa leitura!

Leia também:
Educar um filho exige muita consciência de si
Você está louco!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Melhor do que quem?



Li uma frase sobre a diferença entre turista e viajante. E me deu a impressão que um viajante é melhor que um turista. Porque ainda temos que comparar diferenças valorizando uma e diminuindo outra?

Acredito que toda vez que falamos sobre nossas preferências, afirmando que estas são melhores ou superiores a outra estamos sendo arrogantes. Tentando nos colocar num patamar mais alto que o outro. Será que já nos perguntamos prá quê fazemos isso? É vaidade? É hábito? É porque ouvimos falarem assim e falamos igual sem nem perceber?

Porque queremos sempre nos diferenciar para melhor? Nos destacarmos inferiorizando outrem? Tem uma frase popular que repetimos. Fazemos tal coisa e complementamos com: “Não é para todo mundo não...” com ar de triunfo. E se fosse coisa para todo mundo? Não tinha graça a gente fazer? Porque superar nossos outros? Para nos sentirmos melhores? Mais valorizados? Especiais? E isso serve de quê?

O que ser especial melhora sua vida, de verdade? É porque você atrai olhares de admiração do resto do mundo? E esses olhares lhe fazem se sentir bem? No final parece que tudo caminha para vaidade, somos seres vaidosos, acostumados à ilusão do pódio. Temos síndrome de “Highlander” só pode existir um! Mas ao mesmo tempo não agüentamos isolamento e temos um dilema queremos ser os primeiros e únicos, mas não suportamos a solidão, então inventamos fãs, eles existem para alimentar nossa vaidade e aliviar nosso medo, mas não chegam muito perto, pois são inferiores, no máximo damos autógrafos... E agradecemos sua existência. “Sem vocês eu não seria nada...” Não é assim que os ídolos falam? Tudo é para vocês seres inferiores que não fazem o que eu faço. E vamos assim.

Neste mundo psíquico que estou descrevendo não pode haver colaboração, pois eu tenho que vencer meu adversário pela conquista do primeiro lugar, mas se todos chegassem em primeiro acaba a brincadeira, eu não sou mais especial, eu não faço melhor que todos, eu sou jogada a minha insignificância primária. Ser frágil que não sabe por que existe e morre numa infinita ignorância arrogante.

Namasté!

Veja também:
Comportamento

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Tim Bendzko - Nur Noch Kurz Die Welt Retten (Official Video)





Tenho tido curiosidade de conhecer a música em outros países, e a internet tem ajudado, viajo dentro do meu quarto para países musicais longínquos. Tive a ideia de compartilhar aqui minhas descobertas.

Começarei com  Tim Bendzenko, cantor e compositor alemão (ver site oficial).

Cresceu em Berlim.
A carreira musical começou com aulas de guitarra.Aos 16 anos ele escreveu suas primeiras canções.
Ele recebeu um contrato de gravação com a Sony Music .
Em 17 de Junho 2011 ele lançou seu álbum de estréia Quando as palavras são minha língua,

Discografia:
2011: Quando as palavras são a minha língua - Wenn Worte meine Sprache wären

Fonte Wikipedia.

Achei a música dele muito legal. Espero que apreciem! 


Para saber o que ele esta cantando clique aqui


Para ouvir outra música dele clique aqui    Keine Zelt (ao vivo)

Para baixar o disco clique aqui

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Um “Não- método”





A psicoterapia pelo “não-método” da ACP (Abordagem Centrada na Pessoa) é mais que um processo terapêutico, é uma experiência orgânica, uma troca de vivência entre aquele que está no papel de terapeuta e o que está no papel de cliente. Sim, cliente, pois na ACP não tratamos o outro como paciente, um ser que apenas recebe os curativos de um profissional. O cliente é um ser responsável pelo seu desenvolvimento, pelo seu crescimento e bem estar ele é ativo em todo processo, podendo se opor e questionar o profissional.

A ACP faz um trabalho em conjunto, uma equipe de pelo menos dois, lutando pelo mesmo objetivo, o bem estar e amadurecimento pessoal, tanto do cliente como do terapeuta, que se coloca como pessoa na relação. A abordagem é chamada de Centrada na Pessoa, justamente pelo fato do foco estar no desenvolvimento das pessoas envolvidas.

Para isso é preciso que o profissional deixe crescer em si três aspectos: Congruência, Aceitação positiva e Empatia. Parece simples, fácil e tolo, sem teorias mirabolantes, mas são três aspectos que se verdadeiramente instalados numa pessoa, tem o poder de curar outra. É quase como um remédio para a alma humana.

Portanto a ACP é mais que uma técnica ou teoria, é um estilo de vida que auxilia no desenvolvimento do ser para seu pleno funcionamento. Para ajudar a se tornar quem ele verdadeiramente é. E neste ponto acredito que a ACP se alia as abordagens do Reiki e da Terapia Floral, que atuam no corpo energético-espiritual, o real ser dos humanos.

O Reiki e o floral, não são técnicas psicológicas, mas os acrescentei ao meu trabalho, porque a minha forma de ver o ser humano inclui o espírito. A ciência ainda não pode estudar o espírito, por isso a Psicologia não as acolhe.

Estas técnicas estão relacionadas ao corpo energético estudado pela filosofia oriental (Chi e Prana) fluido que vivifica o corpo físico. Seu equilíbrio gera saúde, assim como a doença é fruto de sua desarmonia. No Reiki a harmonização é feita pela imposição das mãos e no Floral pela ingestão de gotas de água cuja impressão energética da flor está colocada, assim inspirado na homeopatia. Seu criador o Dr. Edward Bach dizia ser os florais uma evolução desta.

Tive experiência pessoal com as três formas de tratamento (ACP, Reiki, Florais) tendo ótimos resultados, esse foi um dos motivos que me fizeram usá-los profissionalmente. Confio no poder curativo dessas abordagens, portanto as uso no auxílio à pessoa em sofrimento psíquico.


Namasté!

Veja mais em:
Terapia




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Lua Deitada



Não preciso sair de casa para ver um belo espetáculo e isto é um privilégio; devo ter feito algo de bom em minha vida passada. rsrsr

Foto minha, do quintal de casa. Numa tarde cor de rosa.