sexta-feira, 1 de abril de 2011

Com quem eu trabalho



Muitas pessoas me perguntam se eu trabalho para pessoas “loucas”. E trazem seu conceito pré-estabelecido da ajuda psicológica. “Quem precisa da ajuda de uma psicoterapeuta é doido”.

Pois bem, vou dizer com que tipo de pessoa eu trabalho. Na maioria das vezes pessoas saudáveis, que chegam num ponto, na maioria das vezes chamado problema, que os fazem entrar em conflito ou sofrimento psíquico, por não conseguirem ser criativos o suficiente para resolvê-lo.

São problemas familiares (filho, marido, sogros, empregados domésticos, etc.), no ambiente de trabalho (chefe, colega, função insatisfatória, etc.), no relacionamento amoroso (brigas, desacertos, falta de um, relacionamento doentio), dificuldade consigo mesmo (excesso ou ausência de peso, baixa estima, sensação de incompetência). Ou mesmo uma mudança inesperada da vida, como uma doença ou acidente consigo ou com alguém próximo.

Repito, são pessoas saudáveis, com certo nível de sofrimento psíquico, que não estão dando conta das emoções nem de estratégias para se relacionar com o problema. Na maioria das vezes não há uma desorganização muito grande da psique. Há medo, insegurança, suspeitas, distorções perceptuais, tristeza, angústia num nível maior do que se pode suportar, mas não há um transtorno mental grave como depressão, fobias, transtorno do pânico, delírios ou esquizofrenia.

Mas mesmo que houvesse um quadro de esquizofrenia, ainda assim, não era para nos envergonhar, ela é apenas uma doença, nada mais, algo que nos acomete, que tem tratamento e controle como a diabetes por exemplo.

O que eu quero dizer é que buscar uma ajuda profissional, não revela que a pessoa está doente, para mim diz que é um ser humano inteligente o suficiente para não se impor um sofrimento desnecessário, já que com a elaboração conjunta com um profissional, além de aliviar a pressão, reestrutura a cognição, fazendo com que nos tornemos criativos de novo para enfrentar os desafios que a vida manda.

Repetindo, na maioria das vezes quem procura um psicólogo é alguém saudável e inteligente, que está passando por um momento de sofrimento e não está dando conta sozinho.

Namasté!

Leia também:
Terapia da Vidas passadas
Porque procurar ajuda terapêutica

5 comentários:

  1. A construção de esteriótipos talvez seja o que mais engessa as ações humanas. Seja por um perfil histórico, seja pelo senso comum a verdade é que ainda hoje muita gente pensa que quem faz terapia "é doido"!!!Mas cabe lembrar que, inclusive, psicólogos fazem terapia e isto é muito salutar para seu crescimento profissional e evasão pessoal, porque se todo mundo procura um psicologo pra se entender e entender melhor seu mundo, a quem procurará o psicologo para não explodir com tamanha pressão diária que suga a endorfina de uma maneira misteriosa rsrsrsr.
    Pra finalizar: QUEM PROCURA PSICÓLGO NÃO É DOIDO, É ATÉ MAIS SAUDÁVEL QUE QULQUER UM POIS RECONHECE SEUS LIMITES E SE PREOCUPA DE TRABALHAR SUAS POTENCIALIDADES, DESCOBRINDO CAMINHOS QUE A ESTUFA REPRESSORA DA SOCIEDADE NÃO NOS DEIXA VER. BJS

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  2. Amor, amigos, música, cores e e flores:

    Sim, terapeutas também fazem terapia! rsrsr
    Concordo com vc acho que tentar se conhecer melhor através de um processo terapêutico, é melhorar a vida para todos!
    Abaixo as ideias antiquadas e cristalizadas! rsrs
    Bjão!

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  3. No ano de 2009 tive em função dos problemas decorrentes de uma separação litigiosa com filhos a chamada "síndrome do pânico". Tive 3 crises e após a terceira parei e pensei. Opa, está na hora de ir ao médico. Fui, tomo os remédios até hoje, nunca mais tive nenhum sintoma e já me sinto bem para seguir em frente. O Brasil se urbanizou muito rapidamente e se inseriu no mundo quase desenvolvido de forma brusca. Até a população em geral compreender que estas doenças não são "frescuras" : ah, isso é frescura, menino. Na minha época não tinha isso não. Pois então, até as pessoas entenderem isso vai demorar um pouco. Nos países desenvolvidos não apenas as pessoas mas o Estado e as empresas estão melhores preparadas para lhe dar com isso pois já é algo que acontece por lá há mais tempo.

    Quanto a psicologia no meu caso a terapia foi indicada como ferramenta para se trabalhar em conjunto com os remédios e deu muito certo. Na verdade já fazia terapia antes das crises. Fui ao acaso com um amigo que fazia, resolví experimentar uma sessão e não parei mais pois a gente vai descamando, descamando nosso eu e vai encontrando situações da infância, traumas vividos que explicam em muito o nosso comportamento atual. No final das contas é doloroso fazer aflorar o inconsciente mas ao mesmo tempo é benéfico no sentido da saúde mental. Hoje estou bem, me casei novamente, consigo olhar pra frente e estou aguardando ser chamado para trabalhar novamente pois estou de licença médica desde que tive as crises em 2009. Hoje olho para o futuro sem culpas numa vontade de potência que vem de dentro pra fora. É preciso estar atento e gostar de sí mesmo espantando o fantasma da auto-destruição e da auto-punição.

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  4. Amor, amigos, música, cores e e flores...tudo o que há de mais belo nesta vida, assim como pessoas como tu, que iluminam a jornada de cada um que passa pelo teu caminho! Obrigada por existir, Nandinha.
    FELIZ ANIVERSÁRIO!!!

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  5. Fernando:

    Obrigada pelo depoimento!!!
    Acho que estamos caminhando para apoiar melhor as pessoas que adoecem psiquicamente. Mas ainda temos muito preconceito, a saída é falar sobre sempre que tivermos oportunidade.
    Fico contente que você tenha sido ajudado e esteja vivendo uma vida mais satisfatória, no meu caso aconteceu isso também!
    Bjão!


    Du:

    Obrigada querida!!!!
    Tenho muita sorte! Sempre sou presenteada com encontros de pessoas jóias como você!
    Xero!

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Oi queridos/das, adoro ler comentários, contribuam para o meu prazer! Obrigada.