sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Melhor do que quem?



Li uma frase sobre a diferença entre turista e viajante. E me deu a impressão que um viajante é melhor que um turista. Porque ainda temos que comparar diferenças valorizando uma e diminuindo outra?

Acredito que toda vez que falamos sobre nossas preferências, afirmando que estas são melhores ou superiores a outra estamos sendo arrogantes. Tentando nos colocar num patamar mais alto que o outro. Será que já nos perguntamos prá quê fazemos isso? É vaidade? É hábito? É porque ouvimos falarem assim e falamos igual sem nem perceber?

Porque queremos sempre nos diferenciar para melhor? Nos destacarmos inferiorizando outrem? Tem uma frase popular que repetimos. Fazemos tal coisa e complementamos com: “Não é para todo mundo não...” com ar de triunfo. E se fosse coisa para todo mundo? Não tinha graça a gente fazer? Porque superar nossos outros? Para nos sentirmos melhores? Mais valorizados? Especiais? E isso serve de quê?

O que ser especial melhora sua vida, de verdade? É porque você atrai olhares de admiração do resto do mundo? E esses olhares lhe fazem se sentir bem? No final parece que tudo caminha para vaidade, somos seres vaidosos, acostumados à ilusão do pódio. Temos síndrome de “Highlander” só pode existir um! Mas ao mesmo tempo não agüentamos isolamento e temos um dilema queremos ser os primeiros e únicos, mas não suportamos a solidão, então inventamos fãs, eles existem para alimentar nossa vaidade e aliviar nosso medo, mas não chegam muito perto, pois são inferiores, no máximo damos autógrafos... E agradecemos sua existência. “Sem vocês eu não seria nada...” Não é assim que os ídolos falam? Tudo é para vocês seres inferiores que não fazem o que eu faço. E vamos assim.

Neste mundo psíquico que estou descrevendo não pode haver colaboração, pois eu tenho que vencer meu adversário pela conquista do primeiro lugar, mas se todos chegassem em primeiro acaba a brincadeira, eu não sou mais especial, eu não faço melhor que todos, eu sou jogada a minha insignificância primária. Ser frágil que não sabe por que existe e morre numa infinita ignorância arrogante.

Namasté!

Veja também:
Comportamento

10 comentários:

  1. Nanda, bom posicionamento. Acho que talvez essa competição já nos seja nata. Competimos pela vida no primeiro instante da fecundação, quando ainda somos óvulo e espermatozóide. E essa característica é importante para o progresso. Existe porém, o lado ruim da competição que é justamente nunca querer que os outros ultrapassem nossos limites. Mas tudo depende da personalidade individual. Outros, por sua vez, são justamente ao contrário, e sentem-se inferiores sempre. Com certeza tem que haver a medida certa entre as duas coisas: o desejo de competir para fazer o seu melhor e a humildade da certeza de que não somos perfeitos e nem sempre somos os melhores. Abraços

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  2. Diminuir o outro, eu ainda passo por isso, mas não acredito:
    Recebi por email, do ex-marido, na vespera de um Natal, depois de ter tentando arruinar minha vida de todas as maneiras nocivas possíveis: "Voce não é nada, não é ninguem e não tem futuro."

    Coitado... não acham?!

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  3. Mari:

    Obrigada!
    Acredito que na natureza bruta existe um comportamento que achamos parecido com competição, mas na vida humana não precisamos disso. Temo inteligência para compartilhar, amparar e criar lugar para todos.
    Bjs!



    Sissym:

    Algumas pessoas, para se sentirem melhor consigo, tentam rebaixar quem eles acham que os atrapalham. Às vezes funciona, não permita que seu ex-marido tenha sucesso nisso.
    Bjs!

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  4. O filme Os Incríveis, da Pixar, trata muito bem desse assunto. Recomendo.

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  5. Prof. Cleber:

    Sim! Eu assisti. Nem tinha lembrado disso! rsrs
    Boa dica!
    Obrigada!

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  6. É a lei da sobrevivência ancestral. Esta no DNA. "Só os fortes sobrevivem" E para aqueles que não são fortes , resta o Marketing.

    A maioria das pessoas (Massa), não consegue se posicionar no mundo, por isso são sempre inferiores.

    Em relação a ídolos é apenas uma regra básica. Pra você ser importante , precisa ser intocável, misterioso e estar sempre um degrau acima.

    Tudo aquilo que é muito acessível é comum, popular, carne de vaca e etc ...

    Na maioria das vezes a superioridade é apenas um blefe. mesmo no esporte, podemos vencer nosso maior adversário, simplesmente porque ele não esta em um bom dia.

    Parabéns pelo texto.

    MarquesK

    Só o Rock Alivia

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  7. Oi Nanda, que texto incrível você deixou aqui. Penso que, desde que nascemos, somos incutidos a pensar em tudo como contraste. Alguns perdem pra outros ganharem. Alguns se ferram para outros rirem. Muitos são opacos para valer aqueles poucos que brilham.

    Desde a infância, no colégio, círculos de amizades, família, tudo, temos colocada em nós a noção de que a vida é uma eterna competição; uma certeza pré-fabricada de que você só será especial se sobressair aos que te rodeiam; e se não sobressaiu, é porque não se empenhou o bastante e isso corrobora ainda mais o mito do tal "ser especial".

    Basta ver na vida profissional, onde somos constantemente comparados entre funcionários; na vida familiar, onde há sempre os bons e maus filhos; em tudo. A verdade é que nos dão o dogma de que, para que haja alguém muito bom, há que se ter também os ruins e os nem tanto. Não é a toa que nas redes sociais exista formas de classificação de amigos em grupos, que já é uma forma de contraste em si.

    Inclusive, as redes sociais não apenas não diminuiram isso, como também alimentaram o conceito ao máximo. É sempre melhor aquele que tem mais amigos, mais votos, mais comentários, mais tudo.

    Penso que o humano seja um ser social, aderiu a isso como forma de sobreviver a ambientes ferozes. Mas nega a própria síntese disso ao classificar como mais ou menos seus semelhantes, e portanto tenta destacar-se entre eles como maneira de colocar o social da questão de lado.

    A reflexão que você fez é realmente uma fonte de muita consideração e meditação. E há que se pensar também na classificação de ser humano por parte do mestre Millôr:

    O homem é um bípede inviável.

    Beijos, minha amiga. Adorei o texto.

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  8. Não resisti e li os outro comentários. Daí me confundi. Mas encontro neste texto talvez a resposta que venho procurado para algumas questões. Agradeço imensamente. Vou seguir, vou reler, vou pensar.

    Obrigado!

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  9. Nanda,
    Adorei o texto.
    Minha opinião é que os verdadeiramente bons não competem. Você imagina um Einstein com esse tipo de problema? Nunca, não é mesmo?
    A competitividade e a necessidade de se sentir melhor do que os outros, ser "excepcional", na minha opinião, vem da insegurança.
    As pessoas seguras não ficam preocupadas com as classificações.
    O ser humano busca sempre encontrar algo em que ele pode superar os demais quando não se sente seguro.
    Bem, é só uma opinião, aliás, não pretendo que seja a melhor...rss
    Bjs

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  10. MarquesK:

    Acho que já está na hora de mudarmos esta lei ancestral, não precisamos mais dela realmente.
    Com nossa capacidade podemos vivenciar o comum de maneira glamurosa. rsrs
    Obrigada!!
    Bjs!



    Pensador Louco:

    Adorei seu comentário! Vc e o MarquesK se esmeraram! Muito obrigada!
    É justamente este conceito que vcs descreveram e que vivenciamos como se fosse uma verdade absoluta e imutável que eu quero rever.
    Não acredito que precisamos ficar por aí, podemos mudar isso. Como humanos não precisamos seguir a natureza animal a risca.
    Refletindo e refazendo podemos viver de maneira mais humana e menos animal.
    Bjs!



    VéiChico:

    Os comentário estão contando como as coisas são, meu texto quer apontar um outro caminho e questionar o rumo antigo.
    Fico contente de ser um ponto de partida para pensar e encontrar respostas!
    Obrigada.
    bjs!



    Berenice:

    Obrigada!!
    Eu concordo com vc a insegurança e o medo provindos da ignorância espiritual criam a maioria de nossas misérias.
    Não precisamos ter a melhor opinião! rsrs Basta sermos quem somos.
    Bjs!

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Oi queridos/das, adoro ler comentários, contribuam para o meu prazer! Obrigada.