domingo, 5 de dezembro de 2010

Amor Platônico




A Fernanda Medeiros, assídua colaboradora do Múltipals, fez uma sugestão de tema num comentário do texto “Esquecer uma paixão”:

“Amor platônico, existe mesmo?”


Pensei... Quem sou eu para responder se algo existe ou não?... Mas assim mesmo me afoitei. O amor platônico, diz o pensamento comum, é aquele que não se consuma sexualmente, é um amor admiração, distante, reverente. Posso dizer que eu já senti isso, principalmente na adolescência, quando não me achava essas coisas todas, então eu “amava” à distância (segura).

Também posso dizer que acredito nessa expressão amorosa. E mais, acho que pode ser um bom treino, antes de adentrarmos nas agruras amorosas. Sabe quando um surfista treina o uso da prancha na areia? Isso! São as primeiras braçadas no mar, melhor, no oceano amoroso.

Todavia tive esse tipo de admiração distante até perto dos vinte e cinco anos de idades, nesta época ainda tinha dúvidas sobre o meu poder de atração. Então eu acho que esse tal amor platônico tem a ver com insegurança, medo, e se demorar muito ele passa do positivo treino para a negativa fuga de um tipo de experiência, que sim, pode ser muito dolorosa, mas também traz muito prazer e autoconhecimento.

Neste momento de minha vida, aos quarenta e um anos eu começo a vislumbrar outro aspecto do amor sem sexo, algo como um amor fraternal, sereno, sem necessidade da paixão avassaladora, algo mais refinado, penso que seria um terceiro estágio do amor platônico, aquele em que só a presença do outro já preenche todas as necessidades afetivas. Não é mais um amor distante é um amor de alma, onde a união ocorre em outro nível, não mais no físico e sim no espírito e preenche todas as lacunas que jamais um encontro puramente e físico poderá suprir.

Agora posso dizer, amor platônico existiu e existe, em todos os estágios, pelo menos na minha vida. E na sua?

Namasté!

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4 comentários:

  1. Nanda,

    seu texto percorreu meu corpo como uma leve seda branca a cada frase lida. Não tenho mais o que comentar a não ser a agradecer por ter escrito o que sinto neste momento com meus trinta e sete anos de idade.

    beijos

    No Dharma.

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  2. Cristiano:

    Parabéns!!
    Tão cedo já tocar num amor tão refinado!
    E que sorte da sua consorte! rsrsr
    Perdoe o trocadilho infame...
    Achei o máximo sua leitura sensorial do texto, ficou uma imagem muito linda, a da seda branca! Obrigada!
    Bjão!

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  3. Nanda,

    Te digo do que eu mais gostei nesse texto: de vc ter usado a sensibilidade para traduzir isso para nós, esquecendo um pouco as técnicas da Psicologia.

    Quando a gente fala com o coração, ainda que sejamos mais evluidos emocionalmente que outras pessoas com quem convivemos ou compartimos nossos dias, a gente se coloca no mesmo patamar...
    Somos humanos... Cada um tem que passar por suas próprias experiências e construir-se emocionalmente.

    Certamente, o amor espiritual é coisa de alma, que está além do que amor físico, que é mais intenso no começo, como vc mesma disse.
    Mas temos todo um caminho para percorrer e chegar até aí, para entender que O AMOR É UM SENTIMENTO QUE NOS LEVA ONDE NÃO CHEGAMOS SOZINHOS. Quando entendemos isso, que o outro é um complemento nosso, uma extensão, entendemos tudo o que nos acontece ao redor.

    Amei o post.

    Bsssssssssssssssss
    Fe

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  4. Fernanda:

    Fico feliz de você ter gostado!!
    Gosto de contar minhas próprias estórias!Acho que assim o assunto fica mais rico.
    Tudo na vida é caminho, construção; partilhar processos é inspirar rumos mais felizes!
    Bjão!

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Oi queridos/das, adoro ler comentários, contribuam para o meu prazer! Obrigada.