domingo, 21 de novembro de 2010

Estamos todos bem?



Tenho uma teoria sobre a mentira e seu ambiente que foi corroborada recentemente quando vi um filme chamado “Estão todos Bem”, uma versão americana de um filme italiano ("Estamos todos bem") com Mastroianni no papel principal.

A história gira em torno de um pai de família extremado que viveu a vida toda para os filhos, mas que não os conhecia na totalidade. Ele idealizou tanto o futuro dos filhos, de uma forma tão rígida, que terminou criando uma atmosfera propícia a mentiras e ocultações.

Ao visitar os filhos de surpresa, pôde constatar o quanto estava distante deles, pois estes não se comunicavam de forma totalmente honesta.

Minha teoria é que o ambiente pode criar a necessidade da mentira, até em quem não é acostumado a mentir. Num lugar que se detecte provável condenação, reprimenda, reprovação, negação do desejo, ou mesmo um sermão; pessoas normais mentem. Eu não estou me referindo a pessoas com caráter deformado, que mentem só em benefício próprio ou para prejudicar alguém. Estou falando de seres do bem, com fragilidades e dificuldades comuns.

O filme mostra isso. No momento em que o pai passa a se esforçar para aceitar todos como são e não como gostaria que eles fossem os filhos podem se aproximar dele e contar todas as verdades. E se sentem bem e aliviados, por que a maioria gosta da verdade, mas não gosta de sentir-se condenado ou reprovado.

Meu conselho é: quem não quiser ser enganado no dia a dia pelos amigos e parentes, crie um clima de recepção cordial, não adianta nada ficar pedindo para o outro não mentir e ameaçando a criatura de cortar seu afeto, convívio ou de condená-lo por seus atos infratores.

E não adianta querer argumentar comigo, que isso é injusto, porque, querido/a, nem sempre a vida é justa. E na maioria das vezes exige muito da gente...

Namasté!

Leia também:
Verdade e Mentira
Fato e interpretação
Os prisioneiros

Outro filme:
Nell

4 comentários:

  1. Fernanda,

    Eu assumo mesmo que eu minto e muito. Há vários cenários propícios ao que chamamos no Sul de "escamoteios" ou dissimulações. geralmente, giram em torno de sentimentos contraditórios que encontram sérias restriçoes do sistema social em que se está inserido, até mesmo numa casa, como vc citou...

    Mas, sabemos como é difícil sermos fluídos a ponto de assimilar de pronto certas situações com naturalidade, até pq sabemos que há, e muitos, os mentirosos por profissão.

    http://ebraelshaddai.blogspot.com/

    Bjs!

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  2. Ebrael:

    Esse é um exercício que vale a pena fazer!
    E o primeiro passo é admitir. A parte mais difícil...
    Bjão!

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  3. Olá Nanda

    às vezes escamoteio alguns dos meus sentimentos ,seja para não magoar, ou porque não tenho abertura para me abrir,todavia jamais fingiria ,ser o que não sou para agradar quem quer que seja, mas não posso criticar ninguém que o faz, talvez tenha crescido em um ambiente assim,como no filme ,é um caso bem complexo .. ah ,crie um novo twittr @de_latao deletei aquele por motivos pessoas!


    beijos no coração

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  4. Oi Rô:

    Que bom! Escrevi o texto para começarmos a pensar melhor antes de condenar alguém e pelo que vi vc já está nesse exercício.
    Já estou seguindo seu novo perfil no twitter!
    Bjão!

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Oi queridos/das, adoro ler comentários, contribuam para o meu prazer! Obrigada.