domingo, 27 de junho de 2010

Programação da mente feminina



Observando a história das mulheres ao longo da civilização humana, percebi que fomos programadas com a idéia que dependemos dos homens para viver. E não estou falando da interdependência natural entre pessoas. Refiro-me a sensação de desamparo de uma mulher sem um homem.

Há algumas décadas atrás uma mulher não podia fazer a compra de uma casa sem a autorização do marido, e não estou falando de acordo nupcial, não. Nos livros de Jane Austen que retrata o século XVIII, sobreviver sem marido era quase impossível para uma mulher, inclusive sua herança era tomada pelo parente masculino mais próximo.

Então pensamos: Ufa! Ainda bem que isso é passado! Hoje as mulheres trabalham, são chefes de família e se viram muito bem sozinhas... Mas eu escuto a intimidade dessas mulheres e elas não estão tão bem assim. A programação está lá. Elas são dependentes da figura masculina a ponto de sofrer quando estão solteiras e sofrer dobrado na não companhia de maridos desatentos. Porém a máxima “antes só do que mal acompanhado” não figura aqui. Inconscientemente elas preferem ficar mal acompanhadas do que concretamente só. Digo concretamente, porque mesmo com maridos elas se sentem sozinhas, desacompanhadas, desvalorizadas, mas não conseguem se desligar daquele parceiro tem medo de ficarem sós, de não serem mais “amadas” por ninguém. E desconfio que tenham medo de se sentirem incompetentes como fêmeas, já que perderam o macho, não “souberam segurá-los” (a ponto de Elizabeth Hurley perder uma campanha publicitária quando Hugh Grant foi pego com Divine Brown)

Estamos presas mentalmente numa programação milenar. E ainda vamos levar alguns séculos para sermos livres de fato. Estamos caminhando, mas precisamos prestar mais atenção em nossas dores e comportamentos. Ainda fingimos que somos donas da situação. Não penso que isso é totalmente verdade, não somos donas de nossas vidas, ainda, mas estamos recuperando, gradualmente, esta posição. E o primeiro passo para um avanço real, acho, é admitir nossa dependência programada dos homens.

Namasté!

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9 comentários:

  1. Nanda

    Já dialogamos sobre um tema parecido.

    Você aborda aqui um tema necessário sobre uma realidade que precisa de ajustes, para que chegue a uma situação justa.

    A tal dependência, que ainda hoje é real e sentida, ainda está viva, no nível consciente e no inconsciente coletivo de homens e mulheres. Entendo que isso ocorre desde o início da sociedade humana e será necessário muito tempo e muitas ações para que esta realidade se transforme. Eu entendo que tal transformação está ocorrendo e espero que a sociedade, com a colaboração de todos, possa acelerar, de forma segura, esse processo.

    Gostei muito do trabalho desse texto. Parabéns.

    Nelson

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  2. Prof. Nelson:

    Obrigada!!!
    Também vejo isso como um processo que parece lento pra gente, mas para a vida é nada!
    Não sei se dá para acelerar o passo, no entanto penso que podemos falar disso para ver o que acontece. Sinto que tenho essa função e estou fazendo, sem nenhuma pretensão de resultado rápido. rsrsr
    Bjão!

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  3. Esse assunto é um tanto digno de discussão.
    Não sei até que ponto as mulheres dependem necessariamente de um homem. Talvez a discussão não seja essa, acho que dependemos de pessoas. A idéia do homem protetor, que assegura uma mulher blindada já se foi para muitas.
    Particularmente, acabei um relacionamento porque a única coisa que o homem pensava era casar porque achava que esse era o caminho para a repleta felicidade, com sua mulherzinha do lado acordando para fazer comidnha e deixando a janta no ponto para quando ele chegasse. Isso já faz um tempo, não me dói nada falar disso. Aliás, lembro-me da situação de alívio que tive quando terminei este relacionamento. E olhe que eu não tinha nada a reclamar del como pessoa. Mas a sensação de ter que seguir um padrão maculinamente padronizado (e, diga-se de passagem, tb coisa da cabeça de muitas mulheres) me dava repulsa.
    Acho que focamos muito nossa vida no que a sociedade acha que deve ser. Muitas vezes pensamos em casar pq estão tdas as amigas casando, mesmo sabendo que o noivo trai,é grosso e tudo mais.
    Não sei se sou daqui ou de outroplaneta, mas não consigo entender essa necessidade.
    Abraços...parabéns pelo blog!

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  4. Muito bom o tema e muito bem desenvolvido. Tenho visto uma corrente (isolada) que diz que existe uma tendência ao sexo livre, que estamos em mudança total de comportamento, que o casamento está em franca mudança. Não discuto para não causar polêmica pelo Twitter mas acho que as mudanças não ocorrem tão rápido. Pensando maior, a evolução do universo, inclui os seres humanos que vão também evoluindo e sabe-se lá pra quais lados. Devagar, lentamente ao nosso tempo humano como você disse.
    E as mulheres continuam em busca do sonho do príncipe encantado até que caiam do cavalo com eles.
    Passei por 2 longos casamentos e do alto dos meus quase 60 anos posso me orgulhar de ser hoje uma mulher livre, feliz e sem marido.
    Mas isso não é uma tendência, sim uma experiência que nos acontece nos meados da vida (ou não).

    Bjs

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  5. Ana:

    As mulheres não dependem dos homens... Isso é uma programação na nossa mente! Agora, como seres humanos somos inter-dependentes sim, todos precisam de todos e isso não é ruim.
    A ideia do homem protetor já se foi para algumas, mas pelo que vejo a maioria ainda está neste transe!rsrs
    Casar e fazer comidinha para a família não é o verdadeiro mal, já vi muita mulher que não faz isso e tinha uma dependência horrível do marido e também já vi mulheres que faziam isso e eram independentes.
    Mas se não era a sua vida , fez bem em se separar de alguém com um projeto tão diferente do seu.
    Focamos nossa vida neste direcionamento sim (social) ele é mais fácil e é pré aprovado, então não dói na gente! rsrs
    Que bom vc já ser de outro planeta!!! Quanto mais gente desse novo planeta melhor!
    Bjão!


    Maria Amora:

    Obrigada!!!!
    Sim, mudanças mundiais têm de acontecer num ritmo próprio que a gente chama de devagar, mas é o necessário para acontecer sem atropelos.
    Continuamos mesmo no transe do príncipe! rsrsrs
    Uma mulher sem marido é considerada ainda uma incompetente pela maioria, veja as novelas, todas arrumam um par!
    Viver em par é bom, mas não é a única forma boa de viver aqui na terra!
    Se vc está feliz namorando consigo, é o que vale!
    Tem mais gente vivendo assim hoje em dia , mas ainda parece estranho para a maioria.
    Fico feliz de vc estar vivendo o diferente e ainda ser feliz!Parabéns!
    Bjão!

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  6. Não penso exatamente como você. Acho que a questão vai além da dependência de gênero. Todos, inclusive os homens, são criados acreditando que o objetivo da vida é casar. A mulher em maior grau. Então não é,muitas vezes, do homem que ela precisa, mas do casamento, da casa, da família de propaganda de margarina (que nos é vendida como sonho de consumo). Não sei se isso mudará quanto tempo levará mas vejo cada dia mais mulheres ousando viver a vida admitindo que elas são uma ótima companhia para si mesmas e como tudo na vida: ser solteira ou ser casada, não é um mar de rosas...tudo é imperfeito em si mesmo.

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  7. Ana Cláudia:

    Sim, é verdade, vc está falando do contexto em que este homem é colocado.
    Muito bom!
    Complementou o que eu estou dizendo.
    Porém vc sabe que eu já vi mulher com todo o contexto e não apreciando porque faltava o homem, o resto todo tinha, menos a criatura, então era como não ter nada!
    Tudo tem seu lado bom e ruim, então estar casada ou solteira tem suas vantagens e desvantagens...
    Precisamos mesmo é aprender a ser feliz do nosso jeito e não de um jeito pré estabelecido!
    Obrigada!
    Bjão!

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  8. Parabéns pelo belissismo texto amiga.
    Relamente só tenho a oncordar com os depoimentos acima.
    Nós somos mulheres independentes. Lugamos e conquistamos nossos espaços.
    Sabemos que muitoas vezes casamos e continuamos sozinhas. Os homens são egoistas e só pensam neles mesmo. São mesquinhos e egoistas.
    Primeiros elçes e depois nós.
    Mas o importante que vamos aprendendo com o tempo e sermos muito mais independentes e seguirmos o nosso caminho, destino.
    Parabéns, pelo texto.
    Sandra

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  9. SAndra:

    Obrigada!!!!
    Precisamos lembrar que somos nós mulheres que educamos os homens para pensarem só em si...
    As mães devem lembrar de educar seus filhos homens para conviverem com uma outra mulher além delas mesmas...
    E nós mulheres precisamos acreditar num outro tipo de amor, um que não nos deixe tão a mercê dos homens...
    Bjão!

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Oi queridos/das, adoro ler comentários, contribuam para o meu prazer! Obrigada.